óleo sobre tela 35 x 23
'janela, borboletas e flores
'janela, borboletas e flores
Moro com uma pequena floresta atrás de minha casa,
propriamente atrás de todo o condomínio, bem perto de uma lagoa, e um mar
maravilhoso há um quarteirão, o silêncio mora por aqui.
Gosto de meu canto,
da minha casa, entretanto tudo isto tem seu lado desagradável, especificamente
para mim, e para ser feliz, recorro a uma arma.
Vou explicar: O mar não me causa nem causou nenhuma
chateação ou problema, amo a existência dele ali bem pertinho. A lagoa está a
uma distância relativa, é, um espelho d’água que embeleza o lugar.
Mas a floresta já não é a mesma coisa, para quem é como eu
uma pessoa intrinsecamente urbana, é difícil conviver com os seres que nela
habitam e gostam de visitar minha casa, não são as folhas das árvores, ou suas flores
atapetando o chão, ou os pássaros que anunciam o cair da tarde, ou o amanhecer
gorjeando, na maior algazarra, mas eu gosto.
São outros personagens que ali nascem e sem licença vão se
chegando e incomodando.
Quantas espécies de besouros existirão na face da terra?
Vocês conhecem algum? Eu conheço várias, isto é eles me conhecem, eu não os
convido, e não tenho nenhum prazer em conhece-los, deles só tenho horror, e
quero distância.
Temos também as esperanças, que para mim são baratas verdes,
não é este tipo de esperança que tenho na vida... As cigarras, parecem moscas gigantes, quero-as
se agitando e anunciando o verão lá nos troncos das árvores, longe de mim, aí
eu até gosto! Os camaleões são
engraçados, esticam o pescoço, mas que pescoço? Não têm, e ficam me olhando
medindo força, como quem diz _ aqui é meu lugar cheguei primeiro, dona humana,
vá embora. _ Mas basta uma esguichada de agua com a mangueira e eles fogem em
busca de sol.
Agora as lagartas, verdes,
manchadas, ou aquelas bem peludas que se contorcem a cada passo, mas se
encostar em sua pele queima, além de devorarem minhas plantas, essas eu odeio!
Assim como os marimbondos, que já me picaram e dóoooi muito! Formigas de todos
os tipos, grandes pequenas miúdas, pretas vermelhas e que em fila indiana, saem
não sei de onde e querem passear pelo meu chão, meu espaço, invasoras sem
limites. Tem as lagartixas que comem os pernilongos, dizem, mas pelo jeito não
dão conta. Não passo um dia sem levar umas picadas de pernilongos!
Os piores vêm agora: Os ratos do mato, se entrarem em casa
fazem ninho, por isso dedetizo a casa todo ano.
Os sapos tenho pavor desse bicho, pulam, são melados a ponto
de brilharem, e são meio idiotas, ficam parados com o olhar perdido, porque não
vão procurar moscas, acho que vivem planejando como entrar e se esconder nos
lugares onde vou passar, infernal! Mas a pior de todas são as baratas, Deus
para que existem baratas? Me pergunto qual a utilidade desses insetos
fedorentos, asquerosos, se as vejo fujo como o diabo foge da cruz dão-me medo e
asco até mortas. Se uma aparece eu desapareço, alguém terá de matá-la e me
mostrar o cadáver, para eu ter certeza e voltar à tranquilidade.
Felizmente a dedetização funciona, mas por um tempo, quando
começa a ficar vencida lá vou eu encomendar outra.
O único inseto que gosto de ver são as borboletas, parecem flores
aladas, estas dão prazer de ver.
Nesta vida nada é completo ou perfeito, para ser feliz em
qualquer ambiente em que se viva, há que se dar um jeito de melhorar, buscar o jeitinho
brasileiro. Minha luta contra os insetos é o DDT, usado nas dedetizações, esse
foi o jeito que arranjei, e dá certo até com as terríveis baratas! Esta é a
minha arma para ser feliz.
Pena que não
inventaram um Dedetizador contra políticos corruptos, estaríamos livres e mais
felizes, completamente, talvez um dia, quem sabe...
Fim
Léah










