óleo sobre tela 30x40 "Inundação"
Quarta feira dia 6 de Fevereiro
O dia amanheceu meio nublado, mas umas horas depois o sol
apareceu, e ouvindo a meteorologia, minha filha colocou um chapéu na bolsa e
foi dar sua aula na zona sul da cidade, isto é em Copacabana.
Não dava para acreditar
na previsão de chuva, o céu clareou o dia continuava quente, e a vida seguiu
plácida sem nuvens negras.
Minha filha sai do trabalho as cinco horas da tarde, mas
ligou para mim dizendo que chegaria mais tarde, tudo bem, ia para Ipanema,
também na zona sul, ajudar uma amiga colega de profissão, com uns problemas de
aulas.
Às oito horas da noite desabou um temporal sem tamanho,
liguei para ela, para saber se lá estava chovendo tanto assim, como aqui e com
ventos de vendaval! E nada de retorno, o volume da chuva aumentando drasticamente!
...
Finalmente
conseguimos contato, ela ligou, disse que saiu da casa da amiga, que a levou
até o metro, e que já estava chegando na estação daqui do nosso bairro. Moramos
perto mais ou menos dois quarteirões desta estação, mas fiquei pensando nas
árvores nos fios elétricos, nas ruas que enchem, no canal que transborda, na
ponte sobre a lagoa...Liguei de novo, vamos buscar você na estação.
-Não mãe, espera a chuva diminuir, estou como todo mundo
aqui, esperando a chuva dar uma trégua, assim que der pego um Uber.
Para piorar a energia acabou e ficamos às escuras, e ela
descobriu que não podia sair da estação, pois a estrada estava cheia de bolsões
de agua, para chegar até nossa casa ela teria que entrar nas poças que faziam
correnteza e supôs que bateria na altura de seus joelhos. Ônibus e carros um
engarrafamento de extensão quilométrica, ninguém se mexia, nem para um lado ou
para outro.
Na estação do Metro, à medida que iam chegando os trens, as
pessoas subiam as escadas viam a situação lá fora, voltavam e sentavam no chão
à espera de que a chuva passasse, a agua abaixasse de volume e tudo se
resolvesse, isso teria que ser antes que o metro fechasse à meia noite.
Nossa tensão aumentando, com as notícias que víamos do resto
da cidade, pelo celular
Demos outra sugestão pegue o metro de volta para a zona sul
e vá para a casa de sua prima em Botafogo. Mas descobrimos que o Metro havia
parado e que igualmente Botafogo, também estava embaixo d’água, já eram umas
dez horas da noite e não víamos solução, a apreensão aumentou porque a chuva
não passava, nem diminuía!
Estávamos igualmente presos em casa, nossa rua é uma
transversal da estrada que estava cheia, e muitas árvores algumas caíram com o
vendaval!
Finalmente a amiga com quem ela havia estado, ligou para ela
perguntando se já havia chegado em casa, e ficou apavorada com a situação na
qual ela se encontrava, presa no Metro, e falou pega o metro de volta e vem pra
cá... Só que o Metro ficou parado!
Às 11,40 o Metro voltou a funcionar, ela foi para a casa da
amiga pensando lá pego um Uber, saltou em Ipanema, foi a última viagem do Metro,
era meia noite, o funcionário botou todo mundo pra fora e fechou as portas.
Ela tentou um Uber, nada nenhum! Foi à pé, a salvação é que
a chuva estava mais branda, e Graças a Deus, a rua deserta, sem assaltantes, e
a amiga mora bem perto da estação.
Quando soubemos que
ela estava em segurança fomos para a cama só não conseguimos dormir o resto da
noite, pois o calor não melhorou nem um pouquinho, e nada de ar refrigerado, ou
ventilador além da tensão que demorou a nos deixar, nossos nervos pareciam
elásticos esticados. Ficamos sem energia, até às cinco horas da manhã. Oh! Dia difícil,
aliás semana, pois nos dois dias seguintes, cortaram a energia várias horas, a
Light consertando os transformadores estourados. E tudo se estragando no
freezer e geladeira. Êta Brasil!
Fim










