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domingo, 17 de dezembro de 2017

foto tirada do Google Cristo Redentor-Rio de Janeiro rj.
 
O NATAL
Para mim é a data mais importante do ano, afinal é o aniversário do filho de Deus, ou do próprio.
É um dia de alegria, de deixar o coração falar, esquecer as mágoas, as chateações, agradecer o bom e até o ruim, que quando vem é para nos ensinar alguma lição, faz parte da vida é assim um sobe e desce, e cada um tem sua missão.
Comemoremos o Natal com a alma e coração.
Aqui estou para desejar a todos os amigos, os que pude visitar e os que não pude um dia inteirinho de muitas alegrias, risos, boas horas, satisfações integrais, muita saúde, e harmonia em seus lares e para quem ainda acredita em “Papai Noel” muitos presentes.
Um 2018 para todos com realizações de seus sonhos, e um Mundo sem terrorismos .
Abraços apertados em todos

Léah



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sonho ou Pesadelo?

aquarela -' dançando o Flamenco'

A musica flamenca enchia o ar, o som da guitarra era como o palpitar do meu coração.
A emoção, o fogo da dança, as luzes vermelhas, tudo me era familiar e deixava o ambiente cheio de energia, meu respirar era ofegante a cada passo da dançarina, que de repente era eu!
Toda a atenção e tensão se misturavam, no entanto sentia-me feliz ali naquele palco. Todos os passos o bater dos pés, os braços as mão, e me contorcia naqueles gestos longos que acompanhavam todos os compassos, era muito estranho todos aqueles sentimentos e sensações e assim foi até o último olé, quando tudo terminou e acordei, estava cansada e demorei a saber onde estava até voltar ao meu estado normal.  Olhei o relógio na mesa de cabeceira 2.30h da madrugada! Sonho está mais para pesadelo, nem ao menos sei dançar o flamenco.

 Léah


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Por falar em hóspedes...

tela 40 x 32cm acrílico " água e lama "
Há algum tempo atrás, quando tinha casa de praia, eu não hospedava ninguém, pois quando ia para lá, era para descansar e ouvir o silêncio, assim quando me perguntavam quando é que você vai me convidar para sua casa de praia, eu simplesmente dizia: ‘Posso emprestá-la durante tais dias, no mês tal, depois eu vou para lá com meu marido para curtir uma lua de mel, e não quero espectador.’
Sempre deu certo, mas na minha casa mesmo, nesta na qual vivo, e nas outras onde vivi, aparecem hospedes que convido, e me davam muito prazer gostava de receber. Disse gostava, por estar me sentindo cansada e envelhecida neste prazer, meus prazeres agora se direcionam a outro tipo, quero a  calmaria do nada fazer, sem compromissos sociais.
Detesto ser hóspede, sinto-me deslocada e louca para voltar pra minha casa, prefiro um hotel é bem impessoal, e tenho a certeza de que não estou incomodando, pelo contrário, quanto mais se fica num hotel, melhor é para o dono.
Lembrei-me de um acontecimento traumático para meu marido e eu:
Tínhamos um casal de conhecidos, que quando vinham à minha casa, ficavam o tempo todo comparando cada cômodo, cada enfeite, cada decoração da nossa casa com a deles, que ficava numa serra do Rio, nossa relação era recente, ele foi colega do Henrique na Petrobras, nos encontramos casualmente e pediram nosso endereço e apareceram um dia, sem convite, sem aviso sem nada, se consideraram íntimos desde então, mas não havia empatia. E nos convidavam sempre para que fossemos conhecer e passar dias na casa deles. Conseguimos sair pela tangente várias vezes, já não era mais um convite e sim uma imposição. Quando vocês vão conhecer minha casa, é pra ficar lá mais de um dia”... Eu adiava o mais possível, um dia já sem desculpa plausível marquei de ir, mas frisei que não para dormir,  e eles insistindo não nada disso é pra ficar no mínimo quatro dias... Bem encurtando o assunto lá fomos nós, com a roupa do corpo, e uns petiscos e um vaso de flores para gradar.
O endereço que nos deu, não aparecia a tal rua no GPS, as flores murchando, nossa fome apertando e os petiscos eram tentadores, mas resistimos, andamos feito peru bêbado em véspera de ano novo, rodando sempre no mesmo lugar, por fim e por última tentativa subimos uma ladeira sem nome, era lá mesmo!
Falamos com ela através do celular e ela veio andando ladeira abaixo até nos encontrar, entrou no carro e foi nos guiando, paramos no portão, o terreno também era uma pirambeira, lá em cima uma casa! Sou boa motorista, mas subir aquilo foi amedrontante, descer pior ainda!! A casa tinha um quarto, uma salinha, e a cozinha era um caminho do “cabe só um”! Almoçamos mais ou menos as dezesseis horas, numa pequena área plana no quintal Depois fomos para a pequena salinha e conversa vai conversa vem nos prendendo, ficamos de pé várias vezes,  nos preparando para sair, e eles inventavam alguma coisa para nos mostrar, obras que queriam fazer e pedindo opinião, fotos do neto dele, complicações com o filho,  até que caiu uma chuvarada, aguaceiro descendo ladeira a baixo, eu desesperada pensando como nos convidam para ficarmos quatro dias, onde será que iam nos colocar para dormir?  O dia escureceu a chuva de verão caindo com vontade e ficamos sentados num sofazinho duro e estreito, que ela chamou de sofá cama, foi onde passamos a noite de hóspedes. As cinco horas da manhã fiz bastante barulho, banquei a sem educação, eles acordaram, nos despedimos, sob os protestos deles, dessa vez botei o Henrique para dirigir, desceu a pirambeira estava tão furioso que achei que ele ia voar, enfrentamos a lama do dia anterior na rua de ladeira, e chorei de raiva, estava doída, injuriada, com muita raiva de mim mesma, por ter caído nessa furada, com medo de magoá-los, de parecer esnobe... Ainda se sentiram ofendidos por termos saído tão de pressa, como se estivéssemos fugindo. E realmente estávamos.
Mas dali em diante evitei de recebe-los quando eles ligavam e se auto convidando, como sempre, eu não podia recebe-los com uma desculpa qualquer. Até que desistiram de nós.
Mas, ainda que cansada por várias razões, ainda prefiro receber, só que agora estou numa fase de madame J, quero sombra e refresco geladinho, os hóspedes que me perdoem .  Fim
Léah


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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O LADO BOM DA VIDA

desenho à crayon sobre cartão: "carrinho de supermercado"

 Quem é calmo o bastante para gostar de ir ao supermercado? Eu não sou. Entretanto, é uma função que tenho de executar algumas vezes durante o mês, porque sempre falta algum item da minha lista no supermercado, e lá tenho eu que voltar outro dia para suprir minha dispensa.
É insano, vejam só, primeiro enfrentar o transito até lá, por não ser perto o suficiente de minha casa, depois achar uma vaga no estacionamento.
Ao entrar já irritada, percebo que o novo gerente mudou tudo de lugar, aí lá vou eu andar mais do que precisaria, até encontrar os alimentos fora dos lugares de costume. Onde ficava o sal, agora são as massas! E os biscoitos? Os mantimentos? Meu Deus, onde estará o sabão em pó?  Andar, andar pela nova arrumação, acho que o novo gerente é como eu que gosto de mudar os móveis de lugar, será? Ou ele é como os prefeitos, mudando o que o anterior fez, ou tem tempo sobrando, ou por falta de noção?
E aquela pessoa bem educada que deixa seu carrinho atravessados no meio do caminho, some, e nem liga se está engarrafando o transito, aí tenho que empurrar o bendito até o canto liberar o caminho e ir em frente.
Finalmente depois de muito andar e pesquisar, meu carrinho está cheio, vou para a fila do caixa, o carrinho que enchi, começo a esvaziar na corrediça, ensacar as compras e enchê-lo novamente. Quando a registradora acaba seu tilintar o carrinho cheio, meus bolsos vazios, lá vou eu para o estacionamento, esvaziar o carrinho novamente, desta vez na mala do carro.
Caminho de casa, já cansada, piora tudo se for hora do rush, vou pensando no que vem pela frente, abrir e esvaziar a mala do carro, isto é tirar tudo que mal acabei de colocar, levar para a mesa da cozinha desensacar e organizar coisas na geladeira, no freezer, na dispensa. É ou não é ilógico, encher, esvaziar, tornar a encher, esvaziar...
Gostaria de estar vivendo num século, ou num mundo onde ou nos alimentaríamos de pílulas, uma caixinha bastaria, ou tal como os robôs óleos lubrificantes em nossos parafusos seria somente uma lata de óleo.  
Mas no fundo reconheço que tudo isso que estou chamando de trabalheira, é bem melhor ter do que não ter o que comprar, assim como é na Venezuela.
A vida sempre nos mostrando o lado bom do que achamos ruim, basta olharmos para o lado, para nossos vizinhos, às vezes bem perto de nós, ou não, mas em todas as situações da vida os dois lados estão lá, basta pensar, fazer um pequeno exame de consciência, para chegarmos à razão, como dizem os franceses: ‘C'est la vie’! 

                                                                                                                                                        Fim                                                                           Léah

terça-feira, 31 de outubro de 2017




Quero paz.
Já falei em outras ocasiões que tenho três cadelas, uma calma e brincalhona, outra aparentemente calma, e a terceira a Gigi, que não gosta de estranhos, só nós conseguimos cuidar dela. Mas já houve ocasião de ver que quando se trata de alguém indesejável as três se juntam e agem como matilha.
 E justamente no período difícil de cirurgias nos olhos, um problemão na coluna, e de um princípio de ulcera no estomago, ofereci emprego a um rapaz, para tratar do pequeno quintal que tenho agora, molhar as plantas, e limpar o canil, enfim limpar a área externa da casa. Ele aceitou muito feliz e sorridente, mas a Gigi não gostou dele!
 Deveria chegar as oito horas da manhã, de segunda a sábado almoço de meio dia às treze e sair as quinze horas, exceto sábados quando a saída seria ao meio dia. Na primeira semana ele foi ótimo, na segunda nem tanto, na terceira reclamou da hora que chegou até a hora de ir embora, na quarta semana, após receber o pagamento pelo mês de trabalho, pediu para fazer um acordo comigo, queria vir dia sim outra não, e sair às doze horas todos os dias, depois que almoçasse às onze horas, ou mais cedo, alegou que levantava muito cedo e almoçar meio dia para ele, era muito sacrifício.
 Se o empregado diminui as horas de serviço o salário também diminui, essa é a matemática que aprendi. A dele era diferente menos trabalho, mais exigências e o mesmo salário!!
A moça que trabalha dentro da minha casa, chega às oito lava, limpa, arruma, faz o almoço para todos, inclusive para ele, deixa tudo brilhando e sai as dezessete horas, está sempre com um sorriso e feliz, segundo ela por ter emprego e salário.
Falei para o engraçadinho que estava se achando poderoso, “- preste atenção o emprego que te ofereci e que você aceitou é esse, as regras são essas, para sua informação quem muda as regras aqui não é você, alem do mais, a pessoa que faz o seu almoço, não vai fazer um prato especial para você, ela é minha empregada e não sua, se você se acha sacrificado, procure outro emprego, este é assim como o combinado-“. Ele disse que eu o estava mandando embora e tinha de ser indenizado, pode? Indenizado pelo que? Paguei o seu salário por um mês de trabalho, começou a falar tanta besteira, que só podia estar drogado, mandei-o embora, ele começou a ficar agressivo me insultando a minha ajudante abriu a porta da cozinha de proposito onde a Gigi  estava e também as outras duas e gritou meu nome,  quando vi as outras duas cadelas se aproximando como se fossem caçar, bati a porta atrás de mim, elas ficaram dentro latindo feito loucas, ele que também viu a cena  se assustou e correu portão a fora, meu coração estava acelerado num misto de susto, raiva e alivio, se não tivesse fechado a porta elas o teriam atacado o que nem é bom pensar, embora a intenção da ajudante tenha sido de me ajudar, o resultado seria terrível, pois as cadelas quando pegam uma presa só soltam quando matam,   mas  mesmo assim ele saiu  gritando que ia saber dos seus direitos, e ficou sentado na calçada da rua em frente ao portão, avisei ao porteiro para não deixa-lo entrar, e expliquei o acontecido. 
Essas coisas só me acontecem quando estou sozinha em casa, isto é meu marido, e filhos não estavam. Fiquei tão nervosa, com a situação que meu estomago começou a doer. Liguei para meu marido, meu filho iria querer bater no infeliz,  só falei para ele, bem depois do acontecido.
Quando o sujeito viu meu marido chegar, quis entrar junto com o carro e o porteiro o barrou, esse porteiro é um armário de tão grande e mau encarado, mas é uma pessoa doce e atenciosa com os todos mas sua figura, e aparência impõem respeito.
Henrique desceu do carro e foi até o portão, o porteiro ali se impondo, ele o “engraçadinho” começou a falar que estava arrependido, que queria continuar a trabalhar para nós, que estava muito nervoso, e bla, bla, bla... Foi dispensado com todo o nervoso e bla, bla, blas, sem chance de volta.
Agora estou com uma moça no lugar dele, até agora tudo bem, mas ando meio apavorada com esta situação. É uma falta de noção de respeito ao próximo, de direitos e deveres. Se somos educados nos consideram “bobos” e querem se aproveitar, se rígidos somos vistos como prepotentes, injustos. Estou me sentindo como a Gigi me armando contra tudo, só que não quero ser como um cão de guarda, quero paz em um mundo melhor, embora saiba que é um sonho utópico.

Fim                                                                             Léah

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Embora ainda falte uma cirurgia estou dando uma passadinha nos blogs para matar as saudade, só que não tenho nenhuma pintura para enfeitar a pagina.
Mas fica aqui meu agradecimento pelos votos de boa sorte, está tudo bem por enquanto.
Espero voltar definitivamente em breve.
Grande abraço a todos.
Léah

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Até breve

Queridos amigos, vou ficar um tempo afastada do blog por motivo de tratamento de saúde, uma cirurgia, que requer descanso e cuidado.
Quando puder voltarei, embora a saudade já esteja presente. Obrigada por todo o carinho recebido até hoje.
Grande abraço bem apertadinho em todos.
Léah


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah

sábado, 5 de agosto de 2017

O MAR E eu

óleo sobre tela 40x20  "mar da Barra da Tijuca ao amanhecer"
Como comparar toda aquela beleza que era ver o sol despontar fazendo as aguas do mar se tingirem pouco a pouco, primeiro ficavam vermelhas, iam amarelando como ondas de ouro, até o verde aparecer lentamente com rendas de espumas brancas   indo e vindo beijar a areia, ali era o refúgio, era a calma, era a beleza. Era ali que todas as manhãs de sol eu buscava a paz, e via o poder da natureza, quando na rebentação o estrondo da onda contra a pedra mostrava sua força.
O mesmo mar que encanta e surpreende com sua beleza, também amedronta e nos leva a morte.
Há um tempo atrás aprendi a nadar numa grande piscina de um clube, mudamos de casa e então só nas férias quando íamos para a região dos lagos numa lagoa de aguas salgadas e muito mansa. Ali a natação era apenas diversão e exercício para o folego. Quando finalmente entre tantas mudanças de residência, fomos para um bairro banhado pelo mar aberto, com ondas fortes, veio a insegurança, o medo.
 
 Quando tomei coragem enfrentei o mar, afinal eu sabia nadar era só uma questão de tentar, de não me acovardar.  Então criei coragem e fui, aí  me senti especial, forte e fraca, corajosa e amedrontada, todos os sentimentos vinham juntos a cada braçada, passou a ser rotina nadar, e sem perceber  tudo, todos os medos  ficaram para trás e me achei poderosa, impossível de ser vencida por ele, o mar,  afinal eu sabia nadar! Mas a vaidade é veneno! Aí veio a resposta de quem realmente mandava ali, e uma onda enorme bem na hora em que eu distraída me preparava para sair feliz e arrogante, derrubou toda a minha vaidade arrastou-me por uns metros e após a surpresa e susto, larguei o corpo afundei, e quase sem folego nadei até a praia e a partir daí aprendi a respeitar aquela força, com toda a sua beleza hipnótica e aquele jeito encantador de falsa maciez.
Esse é o mar que amo e respeito.

Léah                                                                                Fim

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Aprendendo a nadar

"O mar quebrando" óleo sobre tela 24x35 cm
Hoje estava lembrando de quando aprendi a nadar, apesar de morar perto do mar quando ia à praia ficava só na beirada me molhava e ia para o sol, me molhava de novo e lá ia eu tomar banho de sol. Não sabia nadar, e não enfrentava ondas nem pequenas. 
Levava as crianças pela manhã e ficava cuidando pela segurança deles, e temia muito que se afogassem. Nesta época morávamos numa casa com um quintal razoável e resolvemos montar uma pequena piscina, ela tinha o formato de um piano de cauda, sendo que maior uns dois metros! Mas, mesmo assim meu medo de que se afogassem quando eu não os estivesse olhando permanecia. 
Surgiu um arrependimento de fazê-la  bem maior que seu tamanho, mas sempre existe um remédio para os erros, e o remédio foi matriculá-los nas aulas de natação infantil de um clube, que ficava em meu bairro. No clube  além da piscina infantil, a de adulto era olímpica, e linda, dava muita vontade de entrar.
Ficava apreciando as crianças na aula e achava que devia ser fácil aprender a nadar, ledo engano! Comentei com as mães que ali ficavam como eu, que adoraria   entrar naquele piscinão e aprender também, e descobri que todas compartilhavam do mesmo desejo. Até que uma delas a mais extrovertida falou com o instrutor do clube, que falou com o presidente, que também era diretor, dono, e um camarada alegre e legal, assim sendo abriu inscrição para adultos, isto é para as mães ou pais que quisessem. Entrei numa turma no mesmo horário das crianças, e meus filhos achavam divertido ver a mamãe aprendendo a nadar, sendo que eles aprenderam antes de mim!!
Primeiro aprender a afundar a cabeça na água, abrir os olhos lá em baixo sem respirar pelo nariz, subir encher os pulmões de ar, e tudo de novo, e de novo, era um horror, já estava maldizendo a ideia que tive de querer tudo aquilo.
Como o número de mães aprendizes era grande, eu evitava fazer a lição, achando que o instrutor não notava, mas ele era atento como um lince, e resolveu se dedicar a me fazer aprender, ficou perto de mim afundou minha cabeça na água, uma, duas, três vezes,  eu achava que numa dessas ia morrer! No nado cachorrinho me fazia repetir até ficar ótimo, e nunca estava bom, ele devia me odiar, pensava eu, e assim foi peito, costas, mergulhos... Aí eu já estava me amando, me sentindo a tal, e recebia um olharzinho elogioso do rígido professor e a frase. "--É está indo bem, mas pode melhorar--", enquanto eu pensava vá cismar com outra, larga do meu pé...
Aprendi as modalidades exceto borboleta, tive uma inflamação de ouvido que me tirou a vontade de voltar, fiquei mesmo com a piscininha “piano de cauda” até ficar boa. Na mesma época vendemos a casa, fomos para outro bairro mais longe do mar  e mais perto do trabalho do marido, e melhores escolas para os filhos.
Mas a experiência de aprender a nadar, valeu à pena, lá fiz grandes amizades que duram até hoje, e nadei no mar, quando voltei a morar perto dele.
É a vida com situações próprias para cada ciclo, idade e tempo, esse deixou saudades foi divertida aquela época para nós.                                                                                       Léah 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

INFÂNCIA DOCE

aquarela em papel Moulin du Roy "rosas sempre rosas

A vida corria solta naquele canto do mundo, podia-se respirar,
 e nos dias de sol andava pisando em cascalhos e em secos galhos
até chegar na estrada estreita que seguia até a cancela, e depois o mar.
e lá vinha o trem com seu resfolegar de pão sim, bolacha não, assim sem parar,
contar os vagões e correr mais que o trem, pernas para voar
E quando cansava se estender na areia quente do mar
chutar ondas e não se importar de molhar a roupa
inventar canções,  poder cantar até ficar rouca.
Como era bom aquele lugar!
Um caminhão, malas de roupas, moveis, colchões,
de repente tudo ficou tão longe muito barulho
tudo esquecido, perdidas paixões
Vida comprida estreita, sem sabor naquele lugar sem ar
Chão duro, casas trancadas, grades, sem trem, longe do mar.
Praças fechadas é proibido entrar, como viver como sonhar?
Gostava tanto do outro lugar, liberdade, tudo aberto
Silencio nas noites, nada de tiros, balas só as de chupar,
Como era feio aquele lugar.
Nada fazer, já não se pode brincar, rir, gargalhar
molhar a roupa no mar, ou cantar até ficar rouca.
Apenas lembrar, chorar e como o trem resfolegar
Lá era bom, aqui não...Até cansar.
                                   Léah



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amiga boa de se encontrar...

óleo sobre tela -"Caminho verde"

Lembro bem dos momentos que passei quando fazia minha formação na Escola de Belas Artes e ontem encontrei por acaso uma grande amiga com a qual me diverti muito na época,  e que de repente sumiu do meu contato de forma misteriosa, ela muito bonita era sempre escolhida pelos colegas para ser retratada, e desejada por eles o que instigava sua vaidade. Em mais de um período tivemos como disciplina historia da arte, e o professor e essa minha amiga se apaixonaram, mas mantinham em segredo absoluto aquela paixão,  ninguém sabia! Embora nossa amizade fosse bem forte, ela nunca me confidenciou sobre quem era “seu grande amor”, era como se referia a ele, mas não dizia seu nome, e eu nunca a via junto com ninguém, pensava ser uma invenção, um desejo de ser amada de verdade não só por sua beleza física, e eu com receio de magoá-la no seu desejo de ter um amor sonhado, não perguntava detalhes.
 Ele, o professor Ari, (codinome), era muito querido pelos alunos, na sala de aula, comentava sobre sua atividade política de estudante nas ruas e na UNE, contra o regime militar que se instalou no Brasil e como se safou das mãos de ferro dos militares, eu ficava impressionada com os casos contados e dos amigos que foram presos com ele e que nunca mais viu. Minha amiga “Maria” (codinome) sempre chorava discretamente quando ouvíamos essas historias .
Percebíamos, por várias situações que o Reitor e Ari tinham uma diferença qualquer, que só agora sei qual, o Reitor teve como pai um coronel radical. Eram portanto antagônicos em seus ideais políticos.
 O professor Ari tinha quatorze anos mais que Maria, sei que não por isso eles fizeram segredo e sim por ser intolerável pela faculdade namoro entre professores e alunos, e ainda o Reitor como pedra em seus sapatos.
Foi maravilhoso fomos para a praça de comida no shopping onde nos encontramos para contar nossos babados em dívida há mais de uns trinta e muitos anos, ela está muito bonita ainda apesar dos sessenta e três anos, e ele setenta e sete, mostrou-me fotos deles e dos dois filhos já homens. Aí sim reconheci seu marido, o professor Ari! Quando ela sumiu da faculdade foi para se casarem. E ele continuou mantendo segredo por medo de mais perseguição por parte do Reitor se a estoria viesse a tona.
No fim de nosso longo encontro, após marcarmos novos e próximos em minha casa e na dela, brinquei com ela:
-Maria vou te contar um segredo, se você divulgar serei obrigada a te matar, falei muito seria, só vou te contar porque sei   que você sabe guardar.
- Sei? Não, não sei que, horror! Não quero saber,
- Cale-se Maria preciso contar, és ou não minha amiga? Eu também tenho um segredo.  É que sou espiã internacional.  Passados uns segundos de silêncio, Maria me olhando até que caiu a ficha e rimos muito.
-Maria vai guardar segredo assim lá em Brasília, mas cuidado com o Juiz Mouro, rsrsrs !!
                                                       fim.

Léah

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Denúncia


desenho crayon sobre cartão
A denúncia
Uma grande mesa com tampo de granito, que antes ficava na cozinha, agora era sua e estava bem instalada com uma confortável cadeira, onde ele se sentava todos os dias e despejava no teclado tudo que estava guardado em sua mente fértil. Uma poltrona que ganhara de seu filho num dia dos pais, e que já estava fazendo seu décimo aniversário, mas   sua cuidadosa esposa forrou-a com uma capa de um tecido grosso azul –marinho, almofadas de um azul mais claro e verde abacate, ficou parecendo nova em folha, dizia ele.
Seu olhar vagava pela janela, a paisagem que desfrutava da janela de seu escritório, era de um barranco cheio de flores silvestres, brancas, amarelas e vermelhas, mais atrás um muro alto escondia uma casa, da qual ele só via o telhado e ouvia as vozes, ora de homem, ora de crianças, ou feminina.
Aquela pequena visão despertava a curiosidade de Jaime que ficava imaginando como seriam e como viviam aquelas pessoas, tão barulhentas e na maioria os sons eram de brigas, choros e ameaças da voz masculina, eram cada dia mais frequentes, a ponto de atrapalharem sua concentração. Neste caso ele fechava a janela, colocava uma música clássica para tocar e tudo voltava ao normal.
Era segunda- feira quatro horas da tarde, Matilde, sua mulher, veio com o cafezinho que acabara de coar, e colocou na mesa para ele, sentou-se na poltrona e ficou ouvindo a música de Beethoven, enquanto ele concentrado, batucava no teclado talvez uma nova crônica ou outra história, a Ode to Joy já quase no fim, ambos saltaram de seus assentos, ao ouvirem o grito vindo da casa de trás do barranco, um grito de mulher, uma espécie de urro masculino, e logo depois um profundo silêncio. Jaime desligou o som, e ambos ficaram preocupados prestando atenção, mas nada mais se ouviu. Dia seguinte Jaime e Matilde saíram para caminhar, mas a intenção era passarem em frente à casa do barranco. Antes ele olhara o mapa do bairro localizou sua rua, e a que ficava justamente atrás do barranco, fez mentalmente o caminho que iriam percorrer e foram, era uma pequena travessa aladeirada com arvores, terrenos vazios e duas casas apenas uma bem afastada da outra. As duas completamente fechadas ninguém à vista, nem uma criança, nem um cão, ninguém.
-Deve ser a hora, comentou com Matilde, logo mais à tardinha voltamos, essa hora criança está na escola e adultos em seus trabalhos. –
- Acho bom deixarmos isso pra lá, se tivesse acontecido algo grave, escutaríamos a ambulância, ou a polícia com suas sirenes. E o que podemos fazer, não conhecemos as pessoas que moram aqui?
- Se você não quiser não vem, eu virei, quero descobrir o que houve. Deve ter sido algo grave, só nós ouvimos, por causa da distância da outra casa desta rua, que até parece desabitada.
Matilde desistiu, mas Jaime não, todas as tardes vestia seu traje de ginástica, e lá ia ele, sempre o mesmo deserto, rua vazia, um mosqueiro que a cada ia era maior por aquelas bandas, e um mau cheiro de dar nojo.
Naquela manhã Jaime saiu com sua roupa de caminhada, e umas luvas de procedimento, que sua mulher usava na limpeza da casa e as comprava em caixas, escondeu um par nos bolsos, mas sua intenção era outra que não a de caminhar, foi até a casa atrás do barranco, forçou o pequeno portão, pegou uns tijolos que estavam empilhados no quintal levou-os até a janela do que ele achava ser a cozinha da casa e espiou para dentro, o mal cheiro vinha de lá, mas não conseguiu, ver nada de suspeito, apenas moscas, forçou a porta mas ela não se mexeu. O mal cheiro era insuportável por ali. Meio frustrado com sua investigação falha, guardou as luvas, que pretendia jogar fora bem longe dali tomou uma decisão.
Foi até a um telefone público, ligou para a delegacia e deu uma falsa denúncia.
_Preciso que venham na rua tal, número tal, houve um assassinato lá, e a pessoa está trancada morta, dentro da casa, como eu sei? Eu vi, passei por lá e vi, os urubus já estão rondando a casa e as moscas. Não, não é trote. Tá meu nome é João da Silva, onde moro? Perto dali, só estava caminhando por ali, meu endereço? Rua tal, número tal. Sim vou estar lá esperando a polícia, obrigado.
Jaime foi para casa, e correu para seu escritório, abriu a janela de par a par e ficou prestando atenção aos sons, não demorou escutou a sirene da polícia, algumas vozes, algumas marteladas, uns impropérios, palavrões variados, momentos depois o corpo de bombeiros, as sirenes se foram a tarde caiu, a noite chegou e Jaime, de cara colada na TV, esperando alguma nota nada, na manhã seguinte, correu ao jornaleiro, comprou o jornal, e finalmente lá estava a  notícia: “ Homem  encontrado morto, já em estado de decomposição em casa abandonada, na rua tal, número tal, sem identificação, até o momento...
--Como homem! Quem gritou foi a mulher! Matilde, Matilde olhe só a notícia da casa do barranco...—
Jaime não soube de mais nada a respeito do crime, muitos dias e semanas depois, a conclusão para sua incógnita surgiu num noticiário da TV.
Mulher matou amante com duas facadas, abandonou o corpo, trancou a casa e fugiu com os filhos, alega que cansou de tantos mal tratos e aos filhos, o corpo do homem, já em estado avançado de deterioração, foi encontrado graças a uma denúncia anônima por causa do mal cheiro, moscas e urubus...
Matilde olhou para o marido e com um único comentário falou com olhar de aprovação a denúncia anônima tem o nome de Jaime.
Ele sorriu, e disse daí vai sair um romance, minha querida. Desligaram a TV e foram dormir abraçadinhos.
Fim                                                                                                                  Léah













sábado, 1 de julho de 2017

Sonhos

Óleo sobre tela 35 x 15 cm "muro de pedra"
Quero falar de meus sonhos, sonhados.
-  Ora direis, todos os sonhos são sonhados!
Não posso concordar, existe o sonho planejado, o calculado, o perpetrado, tudo depende do tamanho e do quanto ele é ou não lúdico.
- Direis de novo todo sonho é lúdico? Bem, mas não do mesmo tamanho, ou cor existem os coloridos, os em preto e branco, ou somente pretos, calma, calma, vou exemplificar:
Quando muito criança tive o sonho de ser quitandeira, vender abóboras, bananas..., esse era um sonho colorido, que melou, talvez como um melão, quem sabe!
Mais tarde sonhei em ser cantora, esse foi um sonho castrado, por isso canto no banheiro na cozinha, sala quarto e até no quintal, mas era um sonho colorido cheio de brilhos e paetês.
Veio depois o sonho de pintar, e esse foi trabalhado planejado mais colorido que esse não há.
Logo depois, um sonho de amor feliz que começou rosa claro, ficou preto bem escuro,  até empalidecer, descolorir pelas desilusões.
O tempo passou, curou o lanho deixado pela tristeza e outro sonho de amor,
este em tamanho grande, firme que se tornou real, sonhado, não planejado nem calculado, que veio com belas e fulgurantes cores e aqui ficou.
Existe também o sonho tenso, angustiante, que causa medo, e nos tranquilizamos só quando acordamos, este é um pesadelo.
Para falar de meus sonhos levaria muitos dias e páginas, acho melhor não falar, melhor mesmo é poder e continuar a sonhar.

Léah

sábado, 24 de junho de 2017

A vida é bela...


óleo sobre tela 38 x 19 -raios de sol-

Quando abro a janela para renovar o ar, e vejo apenas um pequeno raio de sol timidamente entrando, que ali permanece por pouco tempo, nem dá para esquentar o chão onde brilha. É como certas esperanças que temos e que rapidamente se vão.

O dia hoje amanheceu escuro, com um vento frio e persistente, inconveniente, não trouxe esperanças ou satisfações, derruba jarros, levanta as cortinas, esfria meus braços, enche de folhas o chão.

Tá vai, reconheço que ando implicando até com o vento, e da chuva, nem quero falar...
É melhor acabar com a ranzinzisse e curtir a nesga de sol que apareceu.
Mas estava muito bom pra ser verdade, lá veio uma nuvem sei lá de onde e encobriu meu raiozinho, embora fracote e tão dourado. Poxa, assim não dá para ter bom humor!

Ontem por exemplo – aliás antes de ontem, na quinta-feira – pra situar bem a questão, programei um almocinho com uma amiga antiga – que fique claro, na nossa amizade, não na idade, entenda por favor e não me chame de antiga! Antiga é múmia, eu estou mesmo é envelhecendo, isto porque ainda não morri, então esta é a melhor opção!
Voltando ao assunto, caiu um temporal daqueles, até a parte alta da estrada virou cascata. Nada de almocinho. Mas não tem nada não, pelo celular adiamos para sexta-feira. Pensam que aconteceu? O meteorologista da TV garantiu, com toda sua propriedade, que “NÃO VAI CHOVER”, e a gente tolamente acredita! E aí, lógico, caiu outro temporal, e bem na hora do almoço... Dá pra rir ou ficar bem humorada? Só se fosse masoquista.
Mas, não parou por aí, o interfone tocou e um convite desagradável nos meus ouvidos: reunião de condomínio extra urgente, discutir o aumento da taxa… gr, gr, gr!

Como sou uma boa pessoa – e às vezes uma pessoa boa, vou me divertir com o que tenho de bom, afinal hoje é sábado, o tempo está melhorando (lembra do raio de sol fracote? Voltou).
A vida, afinal, é bela!!!
                                                      Léah


sábado, 17 de junho de 2017

pontilhado e crayon (técnica mista) 'a arvore'

Meu lugar é aqui
Apesar de minha ida relâmpago a Buenos Aires, quando voltei para casa estava com um misto de alívio, frustração, e medo.
Ficamos na casa de meus primos, ela é da Republica Dominicana, ele meu primo com quem ela se casou é espanhol de Vigo, Província de Pontevedra terra de minha mãe.
Casaram –se em São domingos e tiveram um filho, foram então para a Espanha, e há uns três anos vieram para Argentina, propriamente Buenos Aires. O filho, já um lindo rapaz numa viagem à trabalho para Uruguai, sofreu um acidente de carro, quebrou   as pernas, fratura exposta, e várias escoriações inclusive no rosto.
Na época das olimpíadas aqui no Rio passaram na nossa ex- casa, e nossa amizade se aprofundou.
Quando ela nos telefonou ele ia ser operado, ela estava desesperada, como não têm parentes lá, pediram nossa presença. A duras penas venci minha fobia, e lá fomos nós marido e eu, quando desci no aeroporto estava acabada, meu primo veio nos buscar, apesar de nossa insistência em que um táxi resolveria a questão, mas não houve jeito. Dia seguinte fomos ao hospital onde o rapaz estava internado e a cirurgia o tirara do   risco de morte e de ficar com sequelas. Que alívio sentimos...
Aí minha prima se acalmou, mas assim que o viu começou a chorar em desespero, mãe é assim mesmo, a gente quer pegar o sofrimento dos filhos e transferi-los para nós.

Dia seguinte, voltamos ao hospital, minha prima mais conformada. Quando fomos para casa eles nos mostraram o bairro onde moram e insistiram muito para que deixássemos o Brasil e fossemos morar na Argentina, meu marido se entusiasmando com a ideia, mas quando voltamos o meu medo começou a crescer não quero começar de novo. E quando aqui chegamos, eu estava com temerosa de que a ideia vingasse, e aí percebi o quanto amo meu Brasil, mas  mesmo o marido chegou a conclusão de que não temos idade para aventuras, nosso destino agora é ficarmos no nosso canto bem ou mal aqui é nosso lugar. A frustração se deu pelo fato de não podermos ficar mais uns dias, e confortar mais nossos amigos, porque o Henrique tinha compromissos aqui. Mas valeu a pena prestamos nossa solidariedade e um dia voltaremos, aí vou realmente poder dizer que fui a Buenos Aires, mas à passeio, não para morar.  


Fim                                                                                                                                     Léah

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Não tem pão tem futebol

Andei pela rua o dia todo, resolvendo compromissos banco, revisão do carro, supermercado, nem no carro quis ouvir noticiários, uma música relaxante para me livrar do stress do trânsito, alivia.
Quando cheguei em casa eram mais ou menos dezoito horas, e meu marido que trabalha em casa, ouviu o jornal, acompanhou o noticiário da política deu-me a notícia de que o presidente foi absolvido numa votação de 4 a 3, que vergonha, meu Deus!
É do chefe de uma família que vem o exemplo para seus filhos, é através dele que vêm os ensinamentos de caráter, honestidade, educação. Assim sendo a meu ver, é do chefe de uma nação que deve vir o exemplo.
Que tipo de exemplo esse povo tem como parâmetro? Roube, fique à vontade, o presidente rouba, os deputados roubam, os senadores roubam, os ministros, os juízes, todos são perdoados, vamos roubar também.
É essa a mensagem, é essa a ordem?  O que esperar, o que será de nós?
Ainda outro dia escutei o seguinte comentário:
“---Acontece que se ele tiver que sair do poder, quem vai assumir, outro ladrão? E quem assumir será que vai fazer as modificações que ele estava tentando fazer? As mudanças na previdência... “
Não importa, isso não importa, o país está uma merda, o que importa é que os ladrões vão para a cadeia, é o exemplo, a crise vai nos arrasar, mas vamos lutar com hombridade, e os próximos ladrões ficarão com medo, pensarão duas vezes antes de meter a mão gorda no dinheiro do povo da nação, pois saberão que quem rouba é punido. Mas, pelo visto isto é sonho é utopia.
Ainda voltando para casa passei por uma rua cheia de botecos, bares com televisores na porta, um cantor sertanejo na TV de um bar, um jogo de futebol em outra, de outro bar, muitas cadeiras pelas calçadas, cheias de pessoas e garrafas de cervejas nas mesas, e eram apenas dezoito horas. O sinal de transito vermelho, parei abri a janela e apurei os ouvidos, a discussão era futebol, era uma rua de um bairro pobre, fiquei pensando, e o país, e a roubalheira, e o desemprego? Ninguém vê, ninguém sente, ninguém ouve? Estarei eu vivendo noutro planeta, noutra dimensão?
“Será que é assim mesmo, brasileiro é bonzinho perdoa, aguenta, enquanto houver cerveja, futebol e carnaval está tudo bem, deixa pra lá não tem jeito mesmo?”
Que fique claro que não penso assim, estou com vergonha, com lágrimas contidas, com o coração amargurado, só temo pertencer a minoria pensante.

Fim                                                                                          Léah

quinta-feira, 1 de junho de 2017

PODER

desenho à crayon -A janela e a rosa

Como posso deixa-la e partir
Como posso
Como posso esquecer tudo isso
As palmeiras, os sabiás
Como posso
Como posso
Fechar as janelas, expulsar a luz
Deixar a sombra entrar
Deixar as primaveras de flores
Como posso gostar de neve
Se sou feita de sol e mar
Como posso te deixar
Como posso
Sei que não posso.
Como poder te deixar.
É a terra de meus filhos, do meu amor
Foi a terra dos meus sonhos,
E agora esta dor
Da minha gente das praias do futebol
Aqui é a terra do sol
Não posso, sei que não posso
Mesmo sem forças para lutar
Mesmo sem poder respirar
Nesta intoxicante podridão
Sei que aqui é meu lugar,
Sei que não posso,
Não haveria perdão
E aqui eu vou ficar.

Léah

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mar de marolas

óleo sobre tela 30x30 "mar manso"

Quisera viver numa calmaria, num mar de marolas a me banhar,
Nadar tranquila sem ondas bravias a me arrastar
São desejos, são anseios, por tantas agonias passar
Quero sentar na areia, olhar o claro horizonte,
Sem medo que barcos errantes venham me atacar
Quero um mar calmo, onde eu possa mergulhar.
Não quero ressacas, quero o céu refletido nas aguas mansas
Viver horas felizes com elas criar lembranças
 Será querer muito, serão sonhos impossíveis de se ter?
Mas se sonhar é preciso, para podermos viver!
Só poso esperar que estes sonhos venham numa marola,

Antes que eu vá embora...
                                                                              Léah


sábado, 20 de maio de 2017

Conjecturas

óleo sobre tela 40x30 "vaso branco flores vermelhas"

Não sou uma pessoa que pratica uma religião, tenho muitas crenças e tantas outras descrenças, entretanto isso não me torna uma pessoa de pouca fé em Deus, nesta força Maior, onipresente e onipotente, que  me dá o livre arbítrio de escolher meus caminhos, tomar decisões, mas também a consciência de que terei o resultado e a responsabilidade dessas escolhas. Ele só não me dá o livre arbítrio de escolher o dia e a forma de  quando e como vou morrer, isso é piedosamente Divino...
Continuando no caminho da espiritualidade, fico me perguntando porque uma pessoa que tem a oportunidade de escolher caminhos que a levem ao sucesso, mesmo sem sacrifícios, opta pelo errado e parte para roubar, e quanto mais rouba mais quer roubar, por que esta ganância desmedida sem escrúpulos, sem limites? Rouba tanto que pela idade que tem, não vai ter tempo de vida para desfrutar do quinhão roubado! E além da justiça dos homens, terá a justiça Divina, no seu encalço, esta última não falha.
Alguém descrente me falou: “-Essas pessoas só caem pra cima, igual gato, não têm castigo-“
Bem, eu não acho, eu posso não ver o castigo, embora torça por vê-lo, mas penso que se não me for dado esse poder, continuo acreditando que mesmo que não veja, ele virá, isto não depende de nós mortais, é aí que entra o resultado do caminho que o infrator escolheu. Vai pagar de uma forma ou de outra.
Se eu não tivesse a certeza de que existe um preço a pagar por cada erro que cometemos, seria uma pessoa sinica, não posso pensar que Deus é indiferente e que perdoa todos esses crimes, só pelo fato de um dia eles se arrependerem, acho que tudo tem um grau de avaliação, tudo depende de quantos esse criminoso prejudicou, fez sofrer, matou... Se não tiver tempo de pagar nesta vida, volta para pagar, nasce de novo, e aí não vai poder cair pra cima, como disse meu amigo descrente. São minhas conjecturas, meu modo de pensar sobre a vida, e fé, são minhas certezas, e dúvidas e pelos acontecimentos que estamos atravessando no Brasil, não existe crime sem castigo, grande ou pequeno.
Todos os brasileiros estão sofrendo de uma forma ou de outra, pois não existem inocentes neste mundo, o negócio é lutar e acreditar, com fé de que tudo se resolvera  se Deus quiser e Ele quer.
Fim                                                                                                                               Léah


Aos amigos e amigas que acompanham meu blog
minha ausência se justifica por uma viagem de emergência
que fiz à Buenos Aires, parente doente. Agradeço de coração
a todos os votos de Feliz Dia das mães, e o perdão pela ausência.
Abraços com carinho, Léah