Onda (óleo sobre tela 0,50 X 1,00) por Léah MorMac
As ondas batiam na murada, num espetáculo dantesco, estalavam bravas surrando as pedras, revirando a areia, quebrando as conchas. E num misto de medo e deslumbramento observando toda aquela força ficamos ali parados na platéia daquele teatro que a natureza nos oferecia.
A ressaca sempre me encantou, em pensamento eu estava lá dentro daquelas ondas, e tendo que conter a grande atração e a tentação de lançar-me ao mar. Não sei se é loucura afinal todos somos um pouco ou muito loucos, sabra Dios!
No dia seguinte ainda estava agitado e ouvia seu barulho, música para meus ouvidos.
Saí da poeira sufocante daquela obra em casa e fui andar na avenida à beira mar, aquele verde – azul agitado nervoso vivo tirou de mim todo o stress acalmou-me.
Levei umas respingadas molhou-me a roupa e os cabelos, como se estivesse me dando um “bom dia amiga”, voltei para casa feliz!
Meu marido muito espantado, ao ver-me de roupa e cabelos molhados perguntou:
- Entraste no mar ?-
- Não, foi apenas um beijinho da onda, na calçada.
- Ainda bem que não foi um abraço.
A ressaca do mar passou, mas a ressaca de poeira aqui em casa ainda não, por isso esse quadro com esta onda é antigo de outro ano de outra ressaca pois estou sem espaço para pintar telas novas. Mas vai valer a pena o sacrifício presente, pois minha casa está ficando bem melhor, falta agora a pintura, e limpeza, e sei que em breve, poderei sentar-me no meu novo ateliê e pintar quadros, fazer artesanato, ou escrever, sem poeira, barulho de serra, marteladas.
Por agora só me resta esperar.
Léah