“Vá comprar uma quitanda menina, dou- te o dinheiro e trazes uma bem cheia de creme”... disse-me dona Georgina, lá de cima de seu imaginário pedestal.
Era uma mulher alta com os cabelos sempre grudadinhos na cabeça e uma franginha a cair-lhe na testa larga, brusca em gestos e palavras que só vinham em forma de ordem.
Quando eu tinha meus sete anos morava próximo a uma quitanda onde eram vendidos legumes, frutas e verduras. Já na época me encantava toda aquela gama de cores, e quando me perguntavam:
- O que queres ser quando crescer? Eu prontamente respondia:
- “dona de quitanda”-
Dona Georgina, chegara de Minas Gerais, e fora morar de favor nos fundos de nossa casa num puxadinho, mas não demonstrava nenhuma humildade, sempre autoritária, e rude com todos, já nem ligávamos mais, entretanto quando ela deu-me aquela ordem fiquei parada e ri, ri muito
achando que finalmente ela resolvera sair do turrismo e que estivesse brincando comigo.
Mas, pensei eu, como ela soube que eu queria ser uma dona de quitanda? Ela nunca me perguntará nada sobre isso! E por outro lado se não fosse brincadeira, não existia quitanda cheia de creme para vender!
Estendeu-me umas moedinhas e repetiu a ordem já agora com bastante impaciência ao ver-me ali parada e rindo. Achou que era deboche e enxotou-me jogando as moedinhas no chão.
Não peguei as moedas e corri para casa contei a minha mãe o fato e ela abriu- se numa gargalhada. Só que ela estava rindo de mim!
E explicou-me que em Minas Gerais, quitanda é como chamam os doces vendidos nas confeitarias.
Homônimos, homônimos o que fazer com os homônimos!!??
Léah MorMac