Violetas
Tudo era novo e desconhecido, a mudança para a cidade do interior trazia uma sensação nunca antes vivida, muita calmaria, sem gente nas ruas, trânsito pouco, comercio diferente sem shoppings, ficava nervosa, sem rumo.
Resolvi andar por perto para conhecer o lugar, mas com medo de me perder, as casas muito iguais, com tijolinhos nas fachadas, varandas e muros iguais, tudo muito simétrico, e como sou fã da assimetria, isso me causava um certo incomodo.
Até mesmo a inspiração para pintar estava em baixa, faltava alguma coisa ou muita coisa, talvez um pouco mais de barulho, gente, cores.
Não vou dizer que não gosto do bucólico, da calmaria, gosto, mas não para todos os dias, nem para todas as noites em que as dez horas a cidade dorme, os sapos e os grilos cantam, esse tipo de barulho para mim é enlouquecedor. Pensando quase que em voz alta me perguntava será que vou me acostumar?
Cheguei a conclusão de que sou bicho de cidade e não bicho do mato...
Continuei meu passeio e numa esquina um quiosque de venda de flores, violetas azuis, rosadas, brancas, púrpuras, cores muitas cores, levei pra casa este cestinho, armei o cavalete tela e pintei-o.
Anos depois encontro o quadro guardado como recordação de um lugar que não era meu, não era para meu espírito inquieto, acostumado a agitação da grande cidade, do burburinho, das muitas cores, das muitas gentes, dos muitos sons, das noites tardias.
Tudo na vida tem um propósito, descobri um pouco de mim naquele lugar, minha inquietação, minhas necessidades com relação ao ambiente onde preciso viver para fluir melhor, a amar mais o meu status quo.
Léah