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domingo, 11 de novembro de 2018

A MOÇA DA CASA DA FRENTE

óleo sobre tela 36 x 18 cm  'Janela fechada'

Todo final de semana lá pelas sete horas da noite ela abria a janela do quarto, onde um grande espelho colado em um guarda roupas, que mostrava seus movimentos, tudo poderia ser visto por quem estivesse na rua ou nas calçadas e portões em frente. Aquele gesto era metódico e proposital, Luciana gostava de ser vista principalmente pelos rapazes vizinhos que sonhavam com a moça de olhos verdes. Ela se colocava diante do espelho, do grande espelho, como se fosse um palco, abria a porta do guarda-roupas, escolhia o vestido entrava no banheiro e de lá saia, se virava, rodava se admirava diante do espelho e os rapazes na calçada se acotovelando para verem e babarem de admiração! Mas ela prolongava aquela misancene, puxava outro vestido, entrava no banheiro e de lá voltava ao espelho.
- O caminho do espelho ao banheiro deve estar gasto mas vale a pena admirá-la é tão linda e vaidosa, uma bonequinha- diziam os rapazes.
Luciana sentava-se numa banqueta diante do espelho penteava os longos cabelos loiros, se maquiava, enquanto os rapazes nas pontas dos pés se esticavam lá na calçada tentando vê-la em seu jogo de cena.
Quando Luciana finalmente saia, nariz empinado, atravessava a rua passava bem perto para que os pobres admiradores sentissem o perfume barato, que ela dizia para as amigas, ser francês. Com um olhar de desprezo passava poderosa, se sentindo uma rainha.
Os rapazes a seguiam até a entrada do clube do bairro onde ela ia dançar, com os que tinham dinheiro para serem sócios do clube.
Um dia Luciana se apaixonou por um moço bonito com farda da marinha, todo pomposo. A janela se fechou por longos meses, Luciana e o pomposo ficaram noivos, por mais longos meses, como a janela não se abria, os pobres rapazes desistiram.
Um belo dia a janela estava de novo aberta, Luciana em frente ao espelho, esperava ansiosa pelos pobres rapazes, mas haviam desistido assim como o noivo pomposo que com ela não se casou.
Por anos a fio Luciana tentou encontrar o olhar de seus pobres rapazes admiradores, como nunca mais os achou, a janela para sempre se fechou.
. fim.                                                                                                           Léah

17 comentários:

  1. Léah, um conto com ótimo ritmo, me levou do começo ao fim num 'pic' só. Pobre moça, pobre sonhadores! Mas claro, não poderia ter um desfecho feliz! Vazia, a moça. Amiga, você está muito boa na criação. Parabéns!
    E olha, a pintura está linda demais, fico a olhar os detalhes do marco da janela! Até os 'maus cuidados' com a madeira, envelhecida pelo tempo, você retratou. Grande Leah!
    Beijo, querida, uma boa semana, se der...

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  2. Olá amiga Obrigada por tantos elogios, nem mereço tantos, você e Pedro formam um casal muito gentil.
    Beijinhos, Léah
    Nota: postei este conto às 3:30 da madrugada, o blogue diz que foi as 20:40 ?!! Por que será? Diante disto me sinto no Japão :-))

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    1. É só a configuração da hora dentro do teu blog. Vá em configurações / horário. Só se mudou...
      beijinho!

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  3. Um conto muito interessante que me lembrou uma história verdadeira. Meu marido conta que quando tinha 15 anos havia uma moça assim na rua dele. Ele e mais rapazes alguns mais velhos iam todas as noites postar-se no passeio em frente à casa da moça, que despia a roupa do dia, para vestia a camisa de dormir, num quarto de luz acesa e janela aberta. Um dia um dos rapazes zangou-se com outro e foi denunciar à polícia que eles estavam a espreitar a jovem. A polícia foi lá e levou-os todos para a esquadra, e mandou chamar os pais para lhes dar conta do que os filhos andavam a fazer. Moral da história. Os rapazes, foram castigados, e a jovem ficou sem admiradores.
    Abraço e uma boa semana

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    1. Olá Elvira, o caso aí foi invertido, pobre rapazes :))))
      beijinhos. Léah

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  4. Adorei o conto, me lembrou coisas antigas; janelas, rapazes, amores frustrados...
    Que bonito!
    Nem preciso dizer que seu comentário lá no meu blog de fotografias me agradou muito; precisamos botar a boca no trombone mesmo, como dizia a minha avó!
    Obrigada!

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    1. Eu achava que você morava em Portugal, e fiquei admirada ao saber que moras aqui.
      Um dia você disse estar em Petrópolis, mas como existem lugares com nomes idênticos aqui e lá...:-(
      Outro dia vi uma noticia de que as ferragens da ponte Rio-Niterói, estão que é pura ferrugem, até o concreto vai caindo pouco a pouco, fiquei horrorizada!
      Beijinhos, Léah

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  5. Uma história muito bem contada. As rasteiras que a vida nos prega… Afinal o espelho da moça era o que a fazia feliz…
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  6. Olá Graça. amei seu comentário.
    beijinhos, Léah

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  7. Querida Léah gostei de conhecer a "Luciana dos olhos verdes".
    Parabéns, minha amiga, por este belo conto.
    Quero ler mais!
    Quanto à janela... a Tais já disse tudo.
    Beijo carinhoso.

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    1. Olá Teresa enquanto que eu gostei de seu comentário :). Beijinhos

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  8. Se este conto foi inventado, como dizes Léah, além de uma excelente pintora, também escreves muito bem e crias histórias e esta está muito engraçada. Além da veridica que a Elvira conta, deve haver muitas mais, pois antigamente havia poucos meios de comunicação e a janela era um meio interessante. Lembro que, na aldeia onde nasci, os rapazes lançavam pedrinhas à janela para que a moça bonita viesse à janela sem que os pais percebessem; naquele tempo sair à noite ou conversar com rapazes a essa hora era um grande problema. Parabéns amiga e desejo-te um bom fim de semana, já com a tua dor mais atenuada. Muitos beijinhos
    Emilia

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    1. Olá querida Emilia: quando o que escrevo é um fato verídico, me coloco como personagem, ou é porque aconteceu comigo mesma. Esse foi realmente inventado, às vezes sai de uma frase qualquer que ouço em algum lugar e sai uma historinha :).
      Amei ler seu comentário, e Obrigada por suas doces palavras, beijinhos e boa semana.
      Léah

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  9. Brilhante narrativa.
    Quando se pensa ser superior aos outros, por vezes se acaba assim, só.
    Adorei a tela.
    Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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    1. Olá Maria, se observarmos a vaidade é um problema sério, vê-se exemplos todos os dias.
      Bom á a moderação.
      Beijinhos, Léah

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  10. Curioso, esta história, me fez lembrar uma vizinha de um prédio em frente, nos meus tempos de juventude, num outro lugar, onde eu morava na época... ela passava imenso tempo na varanda do seu apartamento... e retocando a maquilhagem, e o cabelo, de quando em vez... e sempre vestida, como se fosse a um evento bem chique...
    Depois eu mudei-me... nunca soube, se ela achou, quem ela parecia esperar, da sua varanda, praticamente todos os dias... e quase a toda a hora...
    Adorei o seu conto, Léah... e a tela... ficou linda e muito harmoniosa...
    Deixo um beijinho, votos de um feliz domingo, e estimando, a continuação de uma boa recuperação do seu marido, Léah!
    Ana

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  11. Olá Ana, isto daria uma historia e tanto, além de despertar a curiosidade do final, qual seria, ou quem seria o esperado?
    Enfim a gente presencia coisas estranhas, e as vezes andando na rua no meio das pessoas escuta-se sem querer, frases muito interessantes!!
    Obrigada pelas doces palavras, você é muito gentil.
    beijinhos Léah

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