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quinta-feira, 29 de março de 2018

Óleo sobre tela 42cm x 31cm 'Abóboras'
Epidemia?
Eu mesma costumo cortar meus cabelos, há muito tempo que desisti de salão, pois cada vez que ia e pedia para cortarem de um jeito eles cortavam de outro. Passei eu mesma a cortá-los, bastava uns espelhos um atrás outro na frente em ângulo, enfim cortava. Mas bateu uma preguiça, e alguns empecilhos. Enquanto isso, meu cabelo que não estava nem aí, para quem o corta, continuou crescendo e me deixando louca, ele faz cachos onde o quero liso, e é liso onde quero cachos, além do mais, gosto de cabelos curtos, mas não curtíssimos, porem esses cortes masculinos eu detesto! 
Arrisquei, criei coragem marquei um salão, e cheguei dizendo para o "cara" que se dizia cabeleireiro,
--Apare as pontas não invente corte, nem faça pé atrás, como fazem nos homens.
Lavei o cabelo em casa, pois não sei que raio de shampoo eles usam, e cheguei lá com o cabelo ainda húmido, mas ele insistiu dizendo que só ia molhar e passar um creme!
--Você vai molhar, mas passar creme não.
--Tá bem.
--Mas, passou assim mesmo, diante disso, eu já estava furiosa, afinal o cabelo é meu, eu o  amo e o trato com todo cuidado, com cremes cheirosos, o que não foi o caso...
Já desconfiada sentei na cadeira, e fui falando, você se lembra que eu não quero corte a ‘la homem’  só apare um  pouquinho, tire as pontas, se você fizer ‘pé curtinho’ nós vamos brigar.
Começou a cortar como se fosse fazer justamente o que eu não queria, dos lados as orelhas começaram a aparecer completamente, e começou a ir para trás, metendo a tesoura com toda a vontade! Como o cabelo estava molhado, fiquei em dúvida, mas ainda reclamei você está cortando muito!
-Espere um pouco, eu falei para você aparar.
--Não senhora, está natural.
--O que quer dizer natural? Dê-me um espelho quero ver atrás. Meu pai! Não deu outra, lá estava o pesinho do cabelo rentinho ao pescoço, e ainda ia cortar mais! Para pode parar, você fez justamente o que eu pedi para você não fazer. Deixe assim como está, eu conserto o que der, como você pode ser cabeleireiro? Ele só ficava repetindo. –Eu não errei, o cabelo está natural, não fiz pé a la homem.
--Acho que você fala outro idioma, não entende o que eu falo? Eu disse: APARAR AS PONTAS, NÃO INVENTAR CORTE ALGUM.
--Mas é o que eu fiz, eu não errei, está natural.
--Natural, meu filho, seria você fazer um curso de cabeleireiro feminino, natural é respeitar a vontade do cliente, não o que você quer fazer, ou acha que sabe fazer.

Sabem aquelas abóboras redondinhas? Assim ficou minha cabeça, fiquei com cara de abóbora.
Cheguei em casa, fui aos meus espelhos dei lá um jeito e fui cortando até diminuir a aparência de abóbora, ficou um pouquinho melhor e curtíssimo como eu não queria. Só vou olhar meu cabelo atrás quando ele crescer.

Estou muito furiosa com a burrice das pessoas que se dizem profissionais sem a menor capacidade,
Sei que cabelos crescem, mas e quando a questão atinge a saúde, a integridade da pessoa, as atitudes continuam as mesmas, irresponsabilidade, falta de respeito, de educação, deboche, acreditam na impunidade. Sinto-me agredida de várias maneiras, principalmente quando a agressão vem dissimulada, me irrita a ponto de me tirar o sono.
Tudo isso é resultado da situação em que vivemos neste país, a falta de moral, corruptos na presidência, no superior tribunal, roubalheira de todos os lados. Eles roubam e nós pagamos o prejuízo. A violência chegando em nossa porta. Medo de sair à noite, nem um policial na rua, tenho medo de policial que às vezes é bandido disfarçado, tenho medo do bandido, já não temos para onde fugir, é isso no pais inteiro.
Tudo de ruim crescendo como epidemia.
Estou com medo, muito medo...
Léah                                         Fim

segunda-feira, 19 de março de 2018

Descaso

 30 x 38 óleo sobre tela

Vejam só a situação na qual estamos hoje em dia! Minha amiga foi numa clínica para fazer uma ressonância magnética. Lá chegando o chão estava molhado, sabe-se lá o porquê, o fato é que ela escorregou e quebrou o pé de uma tal maneira que teve de sofrer cirurgia e implantar uma  placa de metal. Isto foi a pior coisa que poderia ter acontecido, entretanto ainda queriam se eximir da responsabilidade, ficaram mandando ela ir para o hospital de seu convênio para ser atendida de emergência, pagar um serviço de ambulância e tchau, só faltou botarem ela na calçada da rua !
Está claro que ela não é nenhuma boba, ela tem 78 anos de idade, o julgamento de que as pessoas de idade são imbecís, se esquecendo que é justamente o contrário, pelo tanto que já passaram, é a dita experiência de vida. Esse julgamento vem de imediato, principalmente partindo dos jovens, que se acham sábios e cheios de importância. Mas ela colocou todos os jovens “sabidinhos” da clínica em seus devidos lugares. Tiveram que pagar a ambulância, a internação no hospital e a cirurgia. E ela ainda saiu de lá dizendo que ia denuncia-los por falta de asseio e cuidados, por deixarem o chão molhado causando acidentes.
O descaso que fazem da vida do ser humano, ainda consegue me deixar abismada, apesar disto já vir acontecendo há muito tempo. Onde será que isso vai dar!?

Fim                                                                                    Léah

quinta-feira, 8 de março de 2018

SORRIR

óleo sobre tela com 35cm x 1,20cm  "O rio e as pedras"


Creio que a melhor coisa é rir, melhor ainda é gargalhar, desopila o fígado, e apesar das ruguinhas em torno dos olhos, levo em consideração que elas surgirão com o tempo, e assim é melhor que venham por eu ter rido muito, ou gargalhado criando as tais rugas, aí é só aproveitar e rir delas também.
O dia estava correndo meio insosso sem sol nem chuva, e nada de novo no front, o que poderia existir eu já sabia, apenas já estava lá e não era novidade. Resolvi acabar de ler o livro que havia começado há dois dias, e mal sentei, o interfone toca e lá vou eu atravesso a sala, a copa, a cozinha, e chego na área de serviço onde ele está instalado, atendo e nem um alô ou olá, ou como dizem os portugueses está lá? Silêncio total, suponho ser engano do porteiro, e volto para onde estava, sento-me na minha poltrona preferida e pego meu leitor de livros para dar continuidade ao romance, meio chato, que estava lendo, mas quero lê-lo até o fim, falta pouco, e não vou encará-lo como tortura e sim como um passa tempo para aquele dia morno.
O interfone torna a tocar, pouso tudo, levanto-me, atravesso a sala, a copa, a cozinha, e quando chego na área e estico o braço para pegá-lo ele silencia! Caracoles, ligo para o porteiro, ninguém atende, insisto, nada! Morreu, escafedeu-se? Volto ao meu pouso, hei de vencer!
 Faço toda travessia chego à minha poltrona amada, minha chata leitura, sento-me, respiro fundo, e o interfone toca, deixo-o tocar, e ele não para toca até quase explodir minha paciência de Jó. Desta vez vou bem devagar, assim como se estivesse com reumatismo, me vingando do interfone, ou do porteiro, chego até ele e demoro a pegá-lo, aí do outro lado escuto uma voz quase me insultando: -- Poxa, Dona Margarida, não escutas o interfone tocar? – Aqui, não tem nenhuma margarina, nem no jarro de flores—
--Uai! tem certeza? – Talvez!
Desligo o interfone, se tenho certeza? Que pergunta é esta? e começo a voltar por aquela via que não tinha pedras no caminho, mas interfone. E antes de chegar na poltrona, o interfone torna a tocar, volto e tiro-o do gancho, e bem alegrinha vou para minha poltroninha, supondo estar livre daquele indigesto trim, trim... Ai, tocam a campainha da porta, outro blim-blom, e fico pensando deve ser este livro o culpado de tudo, vingança, porque chamei-o de chato! Lá vou eu até a porta, é o porteiro novo.
_D. Margarida, o seu interfone está enguiçado?
--O meu, ou o da Dona Margarida? Ele pensa uns segundos e diz:  –O da Dona Margarida.
-- Só vais saber se fores perguntar a Dona Margarida. Olhou-me espantado por uns segundos e perguntou
_A senhora não é Dona Margarida? --Sinceramente, estou em dúvida, vou olhar-me no espelho, para saber, espere só uns minutos. O homem me olhando como se isto fosse normal. Encostei a porta, um segundo depois, abri de novo e respondi: Não eu não sou a Dona Margarida. (Me segurando para não gargalhar).
--E onde ela está? –Segurei meu queixo, para não desatar a rir, e como se estivesse pensando, respondi sabes que não sei, mas acho bom procura-la, lá na casa dela, que também não sei onde é, e fechei a porta. Fui até a área e coloquei o interfone no gancho, e foi só o tempo do porteiro chegar no posto dele e eu parar de rir, e ele tocou de novo. Atendi e do outro lado: -- Aqui é o porteiro é a Dona Margarida. Respondi: --É, ele em seguida me perguntou:  --Seu interfone está mudo? –Quase sem poder responder por estar tendo um ataque de rizo, disse NÃO, e desliguei e sentei no chão rindo de chorar...

 Este porteiro estava no cargo há duas semanas, segundo o síndico me falou, mas não permaneceu, não por minha causa, eu estava até rindo bastante com tanta tolice! Mas fez confusões mais sérias, e por mais que o ensinassem ele não aprendia e foi despedido. Perguntei ele sabia ler? Pois ele tinha a lista dos moradores com seus nomes o número de cada casa respectiva. Sim, foi a resposta, então devia ser outro tipo de problema.
Léah                                                                                                         Fim



sexta-feira, 2 de março de 2018

O que é ser feliz

abstrato acrílico tela 80x50 cm

Ontem encontrei uma ex-colega de faculdade, primeiro nos olhamos e uma dúvida pairou em nossos olhares, também tanto tempo já se passou, já temos rugas, cabelos brancos escondidos por tintas em salões de beleza, ela bem magra se equilibrava com sucesso sobre saltos altos, eu, apesar de não ser gorda não me atrevo mais, sapatos assim são bem desconfortáveis, e com toda certeza minha coluna se revoltaria nos primeiros passos.
Claro está que acabamos perguntando juntas você é minha colega? E rimos juntas também.
Abraços, beijinhos costumeiros, e fomos para uma lanchonete matar as saudades dos velhos tempos de ingenuidades, vans filosofias. Achávamos ter controle total de nosso futuro, sonhos de dominar o mundo com nossa arte, irmos para Paris!
Aqui estamos neste nosso Brasil, nunca fomos a Paris. Ela casou e enviuvou muito cedo, com uma pessoa que a deixou bem financeiramente e não usa mais sua arte. Nossas vidas correram por vias bem diferentes, ela se considera infeliz diz que sua vida é vazia, acho estranho esperar que todos os dias sejam plenos e cheios de realizações. Há uma diferença entre ser feliz ou infeliz, felicidade na maioria das vezes depende nós, enquanto infelicidades acontecem com todos os viventes. É difícil entrar nesses meandros e julgar, as vezes o que pensamos ou sentimos como felicidade, para outros é nada.
Nosso encontro por exemplo deu- me momentos de felicidade, lembranças fugazes onde recordarmos os dias em que sonhávamos muito com o futuro, entretanto a vida escolheu, traçou e nos empurrou para onde estamos, nem sempre conseguimos ir por onde queremos, ou erramos nas escolhas ou acertamos, é o chamado destino de cada um.
Ah! Ser feliz, é o que todos queremos, ninguém projeta ou sonha com a desgraça ou dissabores, dizem que a felicidade está onde a colocamos, ou que nunca a pomos onde estamos, o negócio então é procura-la, se necessário for com lentes de aumento!!...
Eu tenho uma, até agora só usei para ler aquelas bulas de remédio com aquelas micro letrinhas, se alguém quiser empresto... Por enquanto estou feliz.
Léah                                                                                        FIM

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Justiça

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/joanet/5797069081

Cada pensamento bom ou ruim desejado, cada palavra, cada injuria, cada prece nos serão devolvidos pelo Universo com a mesma força e intensidade. Se fazemos ou desejamos o bem ou o mal, é isso que receberemos na mesma proporção.
Fala-se da Justiça como o símbolo da imparcialidade. A justiça terrena dá-nos o que se plantou, a Justiça divina, nos julga por nossos atos cármicos. É crime e castigo, erro e punição, causa e efeito.

A Justiça representa o equilíbrio, a justa medida em todas as relações e trocas de atos e energias, é determinar até onde pode ir a liberdade e onde deve haver limites, até onde podemos ceder ou conter os ações, atitudes e vontades dos outros em relação a nós e vice-versa, é quando a minha liberdade acaba e a do outro começa.

“Segundo o filósofo Platão, justiça é dar a cada um aquilo que lhe é próprio...”

Nos sentimos injustiçados, injuriados, roubados e desrespeitados.
As nossas paredes estão ruindo e temos medo do que estamos perdendo, de viver o desconhecido, da fome, dos absurdos, e tudo isso nos leva a crer que nada voltará a ser como era antes, e descobrimos tardiamente que mesmo existindo bases sólidas não havia mais como sustentar a estrutura apodrecida!
As máscaras caíram, agora o que nos resta? Os culpados estão soltos, como cobras se enroscam e se aninham em suas recheadas poltronas.
Como nos libertarmos de nossos medos e desilusões? Onde buscarmos a esperança e como voltarmos a confiar na Justiça terrena?
Esta que agora nos falta, e mesmo que falhe, com toda certeza a Justiça Divina não falhará.
Léah                                                               Fim

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Loucuras!!

             O Louco -Arcano do Tarot - Art Nouveau

Existe em nós a loucura de estarmos todos neste mundo, juntos com quem nos agrada e não.
Não somos capazes de amar quem nos causam medo, dor, prejuízos e ansiedades.
Seremos nós inadaptáveis? Claro que não.
Para renunciarmos a todos os valores que nos foram impostos ou condicionados, seriamos pelo menos taxados como irresponsáveis, ou loucos.
Mas quando é que realmente, renunciamos ao nosso status quo, e partimos em busca de nossa felicidade, encaramos o mundo com despreocupação, buscando mais vivacidade, sem preconceitos, sem regras, em busca da inocência perdida, penetrar no reino do desconhecido, pensar apenas em aventurar-nos levianamente?
Para isto, seria preciso a renúncia, e irmos para a vida sem expectativas estabelecidas, com ingenuidade, e insensatez, prontos até para quebrarmos a cara! Dispostos a nos envolvermos em algo novo, apesar da falta de experiência na questão, com imaturidade ou com o conhecimento mais profundo da vida.
Eis o quê representa O LOUCO no Tarot.  
Léah                                                                                 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A Audição

óleo sobre tela, "o vaso e a rosa"
Susana tinha um vestido de festa, que ela ingenuamente achava lindo, era vermelho com listinhas brancas bem fininhas, as nervuras entremeadas com rendinhas na frente, davam um enchimento a figura magra da menina de dez anos.
Marli sua amiga e vizinha, era rica e aprendia, por vontade de sua mãe a tocar acordeom, ela mesma detestava, não fazia parte de seu sonho ou vocação, e invejava Susana por ser pobre e portanto não podia nem que quisesse aprender a tocar nenhum instrumento, mas o fato é que ela a Susana bem sonhava em aprender a tocar piano, mas era só um sonho que ela fantasiava e batia os dedos na mesa imaginando ser um piano e ela tocando para uma plateia que a aplaudia de pé.
Um dia Marli veio com um convite para Susana, era fechado com um lacinho de fita cor de rosa, escrito em letras douradas os nomes de todas as crianças que iriam se apresentar na audição na escola de música, e ela poderia ir, afinal tinha um vestido de festa que usara no natal e ano novo, feito por sua mãe, que o lavava e pendurava num cabide no guarda-roupas, com a advertência de que ele era só para festas.
Chegou o grande dia ansiado por Susana e detestado por Marli, o vestido vermelho de listinhas brancas saiu do guarda-roupas, o cabide vazio, lá ficou balançando no armário à espera do único vestido.
Susana feliz e ansiosa, sua mãe prendeu seus cabelos em duas tranças com laços de fita de cetim, e em sua ingenuidade Susana se achou chique.
Marli, suas irmãs a mãe e Susana, entraram no carro e rumaram para a escola de música.  Marli estava com um vestido vaporoso de tule que a fazia parecer uma fada, era o que Susana achava e não cansava de admirar aquela belezura de vestido, seus sapatos pareciam de boneca eram cor de rosa como o vestido, Susana tentava esconder inutilmente seus pés com sandálias já arranhadas feitas de couro de barriga de boi, segundo ouvira sua mãe dizer, Marli e suas irmãs usavam pulseira de plaquinha com seus nomes gravados, brincos de bolinha de ouro, anel com pedrinhas que brilhavam!
Chegaram à escola de música, adultos procurando seus lugares na plateia. As musicistas foram por outro corredor com seus instrumentos.
 No palco quando a cortina abriu Susana achou que assim deveria ser a entrada do céu. O teto alto com estrelas pintadas, que brilhavam com o reflexo do lustre enorme, no fundo um cenário com pássaros e flores. Um piano no canto e todas as crianças vestidas como fadas umas de azul, outras de rosa os meninos pareciam príncipes, mais à frente uma cadeira solitária, para o musicista se apresentar na sua vez, e mais atrás todos sentados esperando.
Susana encantada com toda aquela beleza, se o céu fosse assim não se importaria de morrer naquela hora, pensando melhor, não poderia ir para o céu com aquele vestido vermelho, teria que estar como uma fada, ou princesa, talvez não conseguisse que a deixassem entrar com aquelas sandálias feias, seria melhor descalça.
Toda a sua alegria e ansiedade foram se dissipando, o entusiasmo se transformou em conjecturas e fantasias de como seria ela sentada naquele piano, e todos aqueles aplausos que ouvia a cada criança que se apresentava, eram para ela e mentalmente ela se curvava e agradecia, e tocava de novo atendendo aos pedidos de bis, sonhos somente sonhos...
Eram muitas crianças se apresentando, Susana foi ficando cansada e cochilou, até que a irmã da Marli a cutucou -acorda chegou a vez da Marli tocar. Pobre Marli, que detestava acordeom ou qualquer outro instrumento, ela errou no compasso, nas notas, e de tanto errar a professora puxou o aplauso da plateia para ela dar por encerrado todos os seus erros.  
A Audição foi nas palavras da mãe da Marli um fracasso, e um tempo depois os sonhos de ter uma musicista em casa foi terminado, com a Marli revelando que erraria em todas as audições.
O vestido de festa de Susana, voltou para o guarda-roupas depois de lavado e passado, mas durou pouco porque ela estava crescendo e ele encolhendo por ser de chita. Nunca teve sapatos de boneca nem um vestido de fada ou de princesa, mas quem se vestiu como tal, também nunca chegou a ser fada nem tão pouco princesa.
Mas a vida é assim o homem põe e Deus dispõe, ou como diriam os franceses “c’est la vie”

Léah                                                                                                                                                                Fim

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

óleo sobre tela -"Mar Manso"

Esperei a tristeza, sabia que ela viria.
Esperei a saudade e ela não se fez esperar,
Acho que são irmãs gêmeas, se tivessem aparência
seriam aterradoras, com garras pegajosas,
Agora estou esperando a alegria, como um vento fresco
Como aquele que desejamos numa tarde quente de verão.
Léah


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A incompetência somada com a ganancia e a falta de amor

Natasha ( fotografia)

Ontem foi aniversário de meu marido, o dia deveria ter sido alegre, mas estávamos atormentados sofrendo com a doença de nossa cadela Natasha, a noite foi triste pois minha querida companheira, fiel, amiga Natasha morreu, estou arrasada, com o coração aos pedaços, com vontade de bater e socar toda a raça de veterinários, o anestesista, que adiou a cirurgia por duas vezes, o cardiologista bem indiferente na mesma linha de frieza.
Surgiu na coxa do lado externo dela (Natasha), uma bola, que segundo o primeiro veterinário disse ser causada por alguma vacina mal dada, e que não era nada para nos preocuparmos, bastava anestesiar o local, fazer uma incisão esvaziar e dar uns pontinhos, mas ele não fazia! Tínhamos que procurar outro. Fiquei pensando não aprendeu a lição, colou nas provas, e o pior só quem dava vacina nela era ele, não sabia nem fazer isso direito! Este foi descartado. Descobri que numa faculdade de veterinária no bairro seguinte ao meu, os professores faziam os procedimentos assistidos pelos alunos. Levei-a lá, mas não tinha hora marcada era por ordem de chegada, fomos eu e minha filha. Um monte de gente com seus cães, gatos e pássaros, no portão do lado de fora, na rua. Como marcar a hora de chegada assim? Muito tempo depois, abriram o portão e ficamos olhando o estouro da boiada, todo mundo correndo para serem os primeiros. Se fosse um serviço gratuito, a gente sabe que é assim, mas não era!  Quando consegui entrar a sala de espera cheia, eu controlando a Natasha que era muito “dada” e queria confraternizar com todos, gente e bichos, mas nem todas as pessoas queriam esse afeto, e eu puxava e grudava-a a minha perna, sem sucesso algum. Esperamos quase duas horas e acabamos desistindo. Minha filha descobriu uma outra veterinária, que indicaram como ser ótima em competência, cujo consultório é na entrada da Favela da Rocinha, que sabemos ser violenta, mas tinha por lá uma UPP instalada e não se ouvia falar de violência já há algum tempo, ela e o irmão foram, na fé sem medo.
A médica pediu exames de sangue, e coração, fez biópsia e não deu nada grave, mas antes que pudessem voltar com os exames começou uma luta de traficantes na dita favela, durante dias seguidos, não voltaram  mais, e tivemos que procurar outro profissional para resolver a situação, neste interim a bola estourou em sangue. Começamos uma nova busca de medica para ela, achamos uma veterinária que disseram ser mais especializada e o novo exame de coração foi pedido e ultras, e coleta de sangue, e a cachorra já entupida de remédios antibióticos, ante inflamatórios, unguentos, mas a bolota que havia esvaziado recomeçou a encher e crescer, e ela com uma tosse como se estivesse engasgada, deram dieta para emagrecer,  remédio para o coração e o anestesista adiando, a veterinária seguindo a procissão, e o cardiologista  mais remédio mais 15 dias antes de operar, eu já estava tão malcriada, e nervosa com todos já não dormia direito, preocupada, e irritada com a cara de pau dos veterinários que estão procedendo como os médicos de humanos, exames de todos os tipos e não resolvem a doença, INCOMPETENTES e GANANCIOSOS do inferno.  Ela recomeçou a sangrar, levamos na veterinária, e ela teve a cara de pau de dizer que descobriu que quando a mosca entra e dá bicheira é bom, pois elas comem toda aquela matéria e aí é só tirar as pele vazia, porque meu Deus eu tenho essa educação que não me deixa falar, bater, chutar !!!??? Falei com a minha filha vamos dar por nossa conta um ante hemorrágico para cães, mas ficamos com um pouco de medo, e demos uma dose fraca, e ligamos pela centésima  vez para a veterinária que mandou duplicar a dose, mas já era tarde ela estava com anemia, e a tosse que a abafava, nada receitou, ainda adiou a cirurgia já antes adiada para sexta feira 26 de Janeiro, ontem ela ficou sentada das sete horas da manhã até morrer as 20 horas se deitasse não conseguia respirar, a língua ficava roxa, e ela sentava, até que não aguentou mais deitou e morreu  cheia de sangue no chão
Ela morreu  abafada sem ar tossindo, sangrando, e seu olhar me pedia socorro, e eu nada pude fazer.
Minha filha está arrasada, ela correu atrás de solução e socorro mais que eu, meu filho, meu marido todos com o coração partido, sem conter as lágrimas.
A corrupção chegou até aí, pedem exames, muitas consultas, sem se importar com a dor alheia, ficam em cima de um pedestal, como se fossem deuses, donos da vida e dos sentimentos. Nunca convivi com tanto desamor e frieza, Para mim são excrementos não são gente.
Léah


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

óleo sobre tela : 'A esquina'

Pensamento

Se eu fosse só, encheria minha vida de sonhos impossíveis, de beijos inesquecíveis, de amores desejados. E viveria uma vida cercada de personagens todos perfeitos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Novo Ano x Silêncio

Acrílico: 35 x 16- Lírios da Paz
O movimento enchia a casa de risos, conversas variadas, vozes femininas e masculinas. A cozinha era o ponto alto, cheiros dos assados, das tortas, do açúcar queimado das caldas, indo para a copa o cheirinho perfumado dos pêssegos abacaxis e mangas, com suas cores aumentando a beleza do ambiente.
Eram perfumes, sons e cores de festa, de alegria pelo ano que se despedia e outro que estava com o pé na porta para ir embora.
Estávamos ali numa festa de adultos, e no entanto parecíamos crianças alegres numa brincadeira num parque.
 Fomos para a praia, meia noite, abraços e beijos, votos de feliz ano novo, os fogos de artificio estourando iluminando o mar e colorindo o céu. A alegria pairava no ar, embora fosse momentânea, fazia parte, era como se todos dessem um voto de esperança para que a alegria  perdurasse pelo ano todo.
Voltamos para casa, agora a mesa já posta esperando os comensais.
Foi uma linda festa, tudo passou, o dia foi amanhecendo os convidados indo e aquele silencio saudando o novo ano, o silêncio é tão divino como a alegria, e também tão necessário quanto, é o descanso para a alma é  a paz. Lembro-me das palavras de minha mãe, que quando após muitos sons de alegria ou não, o silêncio se fizesse era Jesus por ali passando. Não sei nem saberei nunca se isto é lenda ou um sentimento, ou quem sabe uma verdade, só sei que é bom, muito bom ouvir o silêncio, e também louvá-lo, e que a alegria esteja sempre em nossos corações.

 Léah                                                                                                                                                FIM