Minhas Pinturas

Seguidores

Minha lista de blogs

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Por falar em hóspedes...

tela 40 x 32cm acrílico " água e lama "
Há algum tempo atrás, quando tinha casa de praia, eu não hospedava ninguém, pois quando ia para lá, era para descansar e ouvir o silêncio, assim quando me perguntavam quando é que você vai me convidar para sua casa de praia, eu simplesmente dizia: ‘Posso emprestá-la durante tais dias, no mês tal, depois eu vou para lá com meu marido para curtir uma lua de mel, e não quero espectador.’
Sempre deu certo, mas na minha casa mesmo, nesta na qual vivo, e nas outras onde vivi, aparecem hospedes que convido, e me davam muito prazer gostava de receber. Disse gostava, por estar me sentindo cansada e envelhecida neste prazer, meus prazeres agora se direcionam a outro tipo, quero a  calmaria do nada fazer, sem compromissos sociais.
Detesto ser hóspede, sinto-me deslocada e louca para voltar pra minha casa, prefiro um hotel é bem impessoal, e tenho a certeza de que não estou incomodando, pelo contrário, quanto mais se fica num hotel, melhor é para o dono.
Lembrei-me de um acontecimento traumático para meu marido e eu:
Tínhamos um casal de conhecidos, que quando vinham à minha casa, ficavam o tempo todo comparando cada cômodo, cada enfeite, cada decoração da nossa casa com a deles, que ficava numa serra do Rio, nossa relação era recente, ele foi colega do Henrique na Petrobras, nos encontramos casualmente e pediram nosso endereço e apareceram um dia, sem convite, sem aviso sem nada, se consideraram íntimos desde então, mas não havia empatia. E nos convidavam sempre para que fossemos conhecer e passar dias na casa deles. Conseguimos sair pela tangente várias vezes, já não era mais um convite e sim uma imposição. Quando vocês vão conhecer minha casa, é pra ficar lá mais de um dia”... Eu adiava o mais possível, um dia já sem desculpa plausível marquei de ir, mas frisei que não para dormir,  e eles insistindo não nada disso é pra ficar no mínimo quatro dias... Bem encurtando o assunto lá fomos nós, com a roupa do corpo, e uns petiscos e um vaso de flores para gradar.
O endereço que nos deu, não aparecia a tal rua no GPS, as flores murchando, nossa fome apertando e os petiscos eram tentadores, mas resistimos, andamos feito peru bêbado em véspera de ano novo, rodando sempre no mesmo lugar, por fim e por última tentativa subimos uma ladeira sem nome, era lá mesmo!
Falamos com ela através do celular e ela veio andando ladeira abaixo até nos encontrar, entrou no carro e foi nos guiando, paramos no portão, o terreno também era uma pirambeira, lá em cima uma casa! Sou boa motorista, mas subir aquilo foi amedrontante, descer pior ainda!! A casa tinha um quarto, uma salinha, e a cozinha era um caminho do “cabe só um”! Almoçamos mais ou menos as dezesseis horas, numa pequena área plana no quintal Depois fomos para a pequena salinha e conversa vai conversa vem nos prendendo, ficamos de pé várias vezes,  nos preparando para sair, e eles inventavam alguma coisa para nos mostrar, obras que queriam fazer e pedindo opinião, fotos do neto dele, complicações com o filho,  até que caiu uma chuvarada, aguaceiro descendo ladeira a baixo, eu desesperada pensando como nos convidam para ficarmos quatro dias, onde será que iam nos colocar para dormir?  O dia escureceu a chuva de verão caindo com vontade e ficamos sentados num sofazinho duro e estreito, que ela chamou de sofá cama, foi onde passamos a noite de hóspedes. As cinco horas da manhã fiz bastante barulho, banquei a sem educação, eles acordaram, nos despedimos, sob os protestos deles, dessa vez botei o Henrique para dirigir, desceu a pirambeira estava tão furioso que achei que ele ia voar, enfrentamos a lama do dia anterior na rua de ladeira, e chorei de raiva, estava doída, injuriada, com muita raiva de mim mesma, por ter caído nessa furada, com medo de magoá-los, de parecer esnobe... Ainda se sentiram ofendidos por termos saído tão de pressa, como se estivéssemos fugindo. E realmente estávamos.
Mas dali em diante evitei de recebe-los quando eles ligavam e se auto convidando, como sempre, eu não podia recebe-los com uma desculpa qualquer. Até que desistiram de nós.
Mas, ainda que cansada por várias razões, ainda prefiro receber, só que agora estou numa fase de madame J, quero sombra e refresco geladinho, os hóspedes que me perdoem .  Fim
Léah


x

9 comentários:

  1. rsrsrsrs, Léah...não conheço quem goste de hóspedes! E não me hospedo na casa de ninguém, é hotel! Já nos hospedamos, mas nunca mais esse constrangimento, na verdade, o hóspede sempre dá um pouco de trabalho e sai falando, isso que é o pior. fizemos das tripas o coração, para atendê-los bem e assim mesmo... Amiga, eu estava com saudades dessa tua franqueza! Dessas histórias gostosas de ler. Que bom que voltaste. Adorei o sofá que te deram nessa tua empreitada! É bom para a coluna. rsss
    Beijo, querida amiga!

    ResponderExcluir
  2. Pues sí, parece que esas personas eran un poco molestas y además no se daban cuenta de las negativas insistentes.
    Mal lugar el que os ofrecieron para dormir, claro que no tendrían otro, :))).
    La pintura que nos muestras es preciosa.
    Un abrazo Léah, y buen fin de semana.

    ResponderExcluir
  3. Es la primera vez que entro en tu espacio, pero me has hecho pasar un rato muy entretenido leyendo la historia que nos cuentas.
    Yo también tengo una casita lejos de la ciudad, no está en lo alto y sí cerca de la carretera, a menos de un Km. del pueblo.
    Me encanta la tranquilidad y, aunque también es de mi agrado invitar a gente amiga a comer, luego me gusta quedarme sola con mis nietos y disfrutar de esa tranquilidad que da el campo viendo amanecer.
    ¡Mala experiencia has tenido con esos amigos!
    A mi entender han sido poco delicados, como buena anfitriona, yo antes les cedería mi dormitorio y sería yo la que durmiese en ese sofá cama.
    Ha sido un placer leerte.
    Cariños.
    kasioles

    ResponderExcluir
  4. Boa noite amiga! Vim agradecer a visita e por seguir meu blog. Amei! muito obrigada. Suas pinturas são encantadoras! parabéns! Abraços, seja muito feliz.

    ResponderExcluir
  5. Querifa Leah, li a tua crónica e fiquei contente por estar comotu. Hoje não quero receber em casa, pois cansei. Saio com amigos para comer fora, pois assim todos participam do convivio e não tenho eu de ficar a correr de um lado paraco oitro. Já tive um convite assim, mas no meu caso tive que agradecer, pois as pessoas eram amabilissimas e estavam a retribuir a simpatia que os meus pais tiveram com eles. A casinha, também num lugar tipo o que descreves só tinha um quarto e banheiro e uma salinha minuscula com cozinha junto. Ofereceram-nos o quarto deles, mas não aceitamos e tivemos de dormir os dois num sofazinho velho e estreito e, como era Inverno, passamos um frio terrivel. Enfim...
    Agora, amiga, dou-me ao pequeno luxo de comer fora com os amigos e, quando tenho cá os meus netos, vamos buscar comida ou então vamos ao restaurante; ou aproveito os netos, ou vou para a cozinhs, não é.? Beijinhos, Leah e ums dias serenos com muita saúde é o que te desejo.
    Emilia

    ResponderExcluir
  6. Como eu percebo este seu desabafo...
    Também "percebi" a tela, que é magnífica.
    Continuação de boa semana, amiga Léah.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  7. Olá, Léah.
    Gostei muito desta sua crônica sobre ser hóspede e ser hospedado. Tivemos experiência semelhante à sua, Taís e eu, quando recebemos em nosso apartamento um casal que ficava comparando os quadros que temos sala de visitas com as pinturas que têm na casa deles. Situação bem desagradável, e você sabe bem disso. Acho que você e seu marido vão aproveitar muito mais a praia sem ter uma ou mais pessoas tirando a liberdade e a paz do casal. Parabéns, minha amiga.
    Um abraço.
    Pedro

    ResponderExcluir
  8. Que situação bem aborrecida.
    Eu também não gosto de ser hospede, prefiro sempre ir para um hotel.
    Maravilhosa tela.
    Beijinhos
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  9. Rsrsrsrsrs! Entendo perfeitamente!
    Tenho uma pequenita casa de praia... e tenho sempre duas pessoas ansiosas por irem para lá, se autoconvidando, mãe e filha... nos mesmos termos... sem quererem saber, se são ou não inconvenientes... e pouco se importando, com os dias de sossego, que gostamos de apreciar por lá...
    Adorei a tela... um grafismo belíssimo, que contudo, não nos passa o aborrecido da situação... mas que ilustra muito bem a mesma...
    Um beijinho grande!
    Ana

    ResponderExcluir