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terça-feira, 15 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah

15 comentários:

  1. Léah
    Na verdade, tudo bem mas aceitar um convite desse teor é mesmo impositivo, sei bem disso, porque sempre aceitei de tudo, e sempre cumpri. Sempre a minha "pedalada" cansava qualquer um. Foi sempre o remédio.
    Beijos

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  2. Uma ótima crônica sua, Léah, contando o seu retorno de Petrópolis, saudosa da casa, e do que ela tem de bom, e depois a inusitada reunião de condomínio sem brigas, e também com a boa recepção ao casal, em outro dia a visita em sua casa pelo síndico e pela esposa, propondo a você que lecionasse pintura e artesanato a moradores (aposentados), em área do prédio. E agradou-se a sua decisão de recusar o convite, de defesa de sua liberdade, do tempo livre para o casal. Parabéns.
    Grande abraço, Léah.
    Pedro

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  3. Deus do céus, um convite dos mais doidos se você aceitasse! rss, fiquei rindo aqui! Com vizinhos é 'sarna pra se coçar', nitroglicerina pura! E ainda mais: foi-se sua liberdade. E 'vizinhos alunos', iriam invadir sua casa a toda hora para pedir alguma dica para arrumar os 'estragos'. Passei por essa, não com vizinhos, mas meu telefone não parava, e marido se irritando, só me via no telefone...
    Coisa boa passar uns dias na Serra!!! Faremos isso, também.
    Adorei, adorei!
    Beijinhos!

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  4. Muchas gracias por compartir estos momentos y tu linda pintura.Maravillosa.
    Un abrazo.
    ลาลีกา

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  5. Bela história verdadeira. Faz muito bem pensar assim, afinal somos donos de nossa própria vida, não é?
    A pintura está belíssima.
    Um beijinho

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  6. Mais uma vez valorizo o seu trabalho, a sua tela é lindíssima um verdadeiro encanto! Na minha opinião quanto à sua opção, acredito que foi a melhor! Beijinho e feliz domingo!

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  7. Hola Leah: Muy buena reseña de los vecinos, pero en cierto momento mejor guardar la privacidad, al comienzo todo parece super....pero a veces se ponen muy insistentes. y es tarde para volver atras, mejor vivir sin compromisos y ser libre. Me encanta las bellas flores que has pintado. Un abrazo!!!

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  8. Que bonita pintura! Me encanta, mi amiga.

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  9. Ao ler a tua cronica, Leah, tive receio que aceitasse, mas não! Fez o certo, pois chega uma hora na nossa vida em que queremos liberdade para fazermos o que mais nos agradar nos tempos livres. Quando cheguei do Brasil, dei aulas particulares de Inglês a filhos de amigos meus, de graça, só pelo prazer de trabalhar com esta língua. Há muito que não faço isso, embora sinta falta; quero o meu tempo livre para acompanhar o meu marido e ir ao Brasil sempre que quiser.
    Agora precisamos do tempo que nos resta para dedicarmos aos nossos e a nós mesmas. Decisão acertadissima, Leah. Adorei a cronica e a pintura. É sempre um gosto vir cá. Beijinhos
    Emilia

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  10. A liberdade é sempre importante. Mas quando nos desvinculámos de todas as obrigações profissionais, é imprescindível. Por isso, há que usar mais tempo para nós próprios.
    Acho que a sua decisão foi acertada, mas os simpáticos vizinhos devem ter ficado tristes...
    Como sempre, a sua tela é belíssima.
    Bom fim de semana, amiga Léah.
    Beijo.

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  11. Lea, li atenciosamente a tua história, ou melhor: de vocês; e achei sui generis - possivelmente enquanto viajavam, eles arquitetavam o bote. Eu tinha muita dificuldade em dizer não, até que um dia premido pelas circunstâncias, e engasgado, disse um maravilhoso não a um amigo e compadre, à solicitação para fiar um enrosco num banco comercial. Sem saber dizer não, eu disse a ele: Olhe meu estimado amigo, eu não sei dizer não, mas dessa vez eu te direi simplesmente não para não ter que explicar o que não se pode explicar e com tantos nãos que eu disse hás de me entender. Ele respondeu que não haveria problema, mas ficou zangado comigo. Preferível assim do que eu ficar zangado comigo mesmo em perder sono. Uma pergunta que não cala: este pobre marquês gostaria se saber o preço de uma obra sua - óleo ou acrílico sobre tela de umas quinze polegadas - uns trinta, quarenta centímetros por uns vinte e cinco, trinta centímetros? Seja flores, marinas, paisagem, natureza morta.... Grande abraço. Laerte.

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    Respostas
    1. Caro Laerte
      Apesar de sensibilizada com o que considero um grande elogio a minha arte, e já pedindo que aceite minha resposta com compreensão e não se torne meu inimigo, tenho que responder com um não a seu desejo de comprar um de meus quadros. Por duas razões a primeira é que dei o meu grito de independência de qualquer tipo de compromisso com relação a trabalho. Há muito tempo marido e eu planejamos este momento de relax, e chegou o momento. A segunda razão não foi planejada foi algo que vinha adiando e chegou no limite, estou me afastando temporariamente do blog, para sofrer uma cirurgia nos olhos.
      Desejo e peço que me desculpe não atender a tão delicado pedido.
      Obrigada
      Grande abraço, Léah

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  12. Estou numa fase, de dizer, só obrigada k.
    Temos que pensar em nossas prioridades.
    Bela imagem.
    Boa semana.

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  13. Minha amiga eu também daria essa resposta, não tendo "compromissos" poderá fazer o que lhe der mais prazer.
    Maravilhosa tela.
    Beijinhos
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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  14. E fez muito bem, Léah! Há que ter a última palavra... e normalmente tanta proximidade com vizinhança... cedo ou tarde, acaba sempre por terminar em algum aborrecimento ou constrangimento... tudo boa gente... enquanto os encontramos de passagem, na base do bom dia/boa tarde/como vai... depois... começam reclamando de algo... querem apoio para uma qualquer causa... arranjam desentendimentos com outros vizinhos... e lançam-nos para o meio de alguma confusão... e por aí a coisa segue... invariavelmente... mais tarde ou mais cedo...
    E de facto... sem compromissos assim, pode sempre aproveitar sem condicionalismos, os seus dias, da forma que bem entender...
    Beijinhos
    Ana

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