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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Até breve

Queridos amigos, vou ficar um tempo afastada do blog por motivo de tratamento de saúde, uma cirurgia, que requer descanso e cuidado.
Quando puder voltarei, embora a saudade já esteja presente. Obrigada por todo o carinho recebido até hoje.
Grande abraço bem apertadinho em todos.
Léah


terça-feira, 15 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah

sábado, 5 de agosto de 2017

O MAR E eu

óleo sobre tela 40x20  "mar da Barra da Tijuca ao amanhecer"
Como comparar toda aquela beleza que era ver o sol despontar fazendo as aguas do mar se tingirem pouco a pouco, primeiro ficavam vermelhas, iam amarelando como ondas de ouro, até o verde aparecer lentamente com rendas de espumas brancas   indo e vindo beijar a areia, ali era o refúgio, era a calma, era a beleza. Era ali que todas as manhãs de sol eu buscava a paz, e via o poder da natureza, quando na rebentação o estrondo da onda contra a pedra mostrava sua força.
O mesmo mar que encanta e surpreende com sua beleza, também amedronta e nos leva a morte.
Há um tempo atrás aprendi a nadar numa grande piscina de um clube, mudamos de casa e então só nas férias quando íamos para a região dos lagos numa lagoa de aguas salgadas e muito mansa. Ali a natação era apenas diversão e exercício para o folego. Quando finalmente entre tantas mudanças de residência, fomos para um bairro banhado pelo mar aberto, com ondas fortes, veio a insegurança, o medo.
 
 Quando tomei coragem enfrentei o mar, afinal eu sabia nadar era só uma questão de tentar, de não me acovardar.  Então criei coragem e fui, aí  me senti especial, forte e fraca, corajosa e amedrontada, todos os sentimentos vinham juntos a cada braçada, passou a ser rotina nadar, e sem perceber  tudo, todos os medos  ficaram para trás e me achei poderosa, impossível de ser vencida por ele, o mar,  afinal eu sabia nadar! Mas a vaidade é veneno! Aí veio a resposta de quem realmente mandava ali, e uma onda enorme bem na hora em que eu distraída me preparava para sair feliz e arrogante, derrubou toda a minha vaidade arrastou-me por uns metros e após a surpresa e susto, larguei o corpo afundei, e quase sem folego nadei até a praia e a partir daí aprendi a respeitar aquela força, com toda a sua beleza hipnótica e aquele jeito encantador de falsa maciez.
Esse é o mar que amo e respeito.

Léah                                                                                Fim