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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amiga boa de se encontrar...

óleo sobre tela -"Caminho verde"

Lembro bem dos momentos que passei quando fazia minha formação na Escola de Belas Artes e ontem encontrei por acaso uma grande amiga com a qual me diverti muito na época,  e que de repente sumiu do meu contato de forma misteriosa, ela muito bonita era sempre escolhida pelos colegas para ser retratada, e desejada por eles o que instigava sua vaidade. Em mais de um período tivemos como disciplina historia da arte, e o professor e essa minha amiga se apaixonaram, mas mantinham em segredo absoluto aquela paixão,  ninguém sabia! Embora nossa amizade fosse bem forte, ela nunca me confidenciou sobre quem era “seu grande amor”, era como se referia a ele, mas não dizia seu nome, e eu nunca a via junto com ninguém, pensava ser uma invenção, um desejo de ser amada de verdade não só por sua beleza física, e eu com receio de magoá-la no seu desejo de ter um amor sonhado, não perguntava detalhes.
 Ele, o professor Ari, (codinome), era muito querido pelos alunos, na sala de aula, comentava sobre sua atividade política de estudante nas ruas e na UNE, contra o regime militar que se instalou no Brasil e como se safou das mãos de ferro dos militares, eu ficava impressionada com os casos contados e dos amigos que foram presos com ele e que nunca mais viu. Minha amiga “Maria” (codinome) sempre chorava discretamente quando ouvíamos essas historias .
Percebíamos, por várias situações que o Reitor e Ari tinham uma diferença qualquer, que só agora sei qual, o Reitor teve como pai um coronel radical. Eram portanto antagônicos em seus ideais políticos.
 O professor Ari tinha quatorze anos mais que Maria, sei que não por isso eles fizeram segredo e sim por ser intolerável pela faculdade namoro entre professores e alunos, e ainda o Reitor como pedra em seus sapatos.
Foi maravilhoso fomos para a praça de comida no shopping onde nos encontramos para contar nossos babados em dívida há mais de uns trinta e muitos anos, ela está muito bonita ainda apesar dos sessenta e três anos, e ele setenta e sete, mostrou-me fotos deles e dos dois filhos já homens. Aí sim reconheci seu marido, o professor Ari! Quando ela sumiu da faculdade foi para se casarem. E ele continuou mantendo segredo por medo de mais perseguição por parte do Reitor se a estoria viesse a tona.
No fim de nosso longo encontro, após marcarmos novos e próximos em minha casa e na dela, brinquei com ela:
-Maria vou te contar um segredo, se você divulgar serei obrigada a te matar, falei muito seria, só vou te contar porque sei   que você sabe guardar.
- Sei? Não, não sei que, horror! Não quero saber,
- Cale-se Maria preciso contar, és ou não minha amiga? Eu também tenho um segredo.  É que sou espiã internacional.  Passados uns segundos de silêncio, Maria me olhando até que caiu a ficha e rimos muito.
-Maria vai guardar segredo assim lá em Brasília, mas cuidado com o Juiz Mouro, rsrsrs !!
                                                       fim.

Léah

19 comentários:

  1. rsssssssss, muito boa, Léah!! Fiquei presa do começo ao fim com essa crônica. que história interessante, como conseguiram guardar? E nas aulas, ninguém notava um olhar diferente? Nossa, como se cuidaram! Mas essas histórias que fazem parte da vida da gente são fantásticas. Mas é verdade, se descobrissem... o homem 'marcharia'!
    Linda essa tua paisagem, suave...
    Parabéns, você está dando uma ótima cronista, amiga!
    beijinho.

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    1. Embora esteja meio atrasada em meus agradecimentos, muito obrigada pelo comentário
      beijinhos, Léah

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  2. Que linda essa história Léah
    É bem difícil manter um amor em segredo quando tudo que se quer é gritar ao mundo a felicidade
    A discrição no caso dos dois foi o pilar que sustentou o amor. Uma crônica lindamente detalhada que me prendeu a atenção do início ao fim. Amei a delicadeza e a suavidade desta sua belíssima pintura. Parabéns por mais este trabalho deslumbrante
    Beijos e um ótimo final de semana

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  3. Adoro a maneira com escreve estas deliciosas histórias, Léah. Saio daqui sempre encantada.
    Um abraço e bom fim de semana

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  4. Hola Leah: Muy interesante esta historia de un amor secreto, realmente cuando uno esta enamorado quiere decirlo a los 4 vientos, pero en este caso quedo todo en reserva..... Con respecto a la pintura es maravillosa la suavidad y el colorido tratado. Mis felicitaciones. Un abrazo!!!

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  5. Estará.Historia envolvente. Parabéns por bem escrever e prender seus leitores ate o fim. Amei. Bjs querida

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  6. Uma escrita maravilhosa, adorei e como sempre fiquei pregada do início ao fim.
    Bjs

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  7. Hola Leah, una pintura con mucha profundidad, me gusta.
    Un abrazo.

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  8. Gostei da sua pintura, óleo sobre tela -"Caminho verde", que diz bem do talento da artista. Gostei igualmente de sua crônica sobre a sua amiga, da Escola de Belas Artes, que namorava o professor, também reitor, com que acabou casando, depois de um desaparecimento misterioso. Mas tudo acabou bem para as amigas e para os ex-namorados, que acabaram casando. Parabéns.
    Um abraço, Léah.
    Pedro

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  9. Caro amigo Pedro grata por suas gentis palavras com relação a minha arte de pintar, só tenho uma ressalva minha amiga não namorava o reitor e sim o professor com quem se casou, e está feliz. De repente minha cronica não foi bem escrita o que deve ter causado esta confusão.
    Abração, Léah

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  10. O amor é maravilhoso!
    A escrita é belíssima.
    Parabéns!
    beijinhos

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  11. A sua tela é muito linda! É sempre bom rever as boas amigas! Bjs e feliz semana.

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  12. Uma pintura maravilhosa... que tão bem combina com doces memórias e um encontro de amigas de outros tempos... que já na altura... desenvolviam suas aptidões vocacionadas para as Artes...
    Adorei esse encontro... que proporcionou boas memórias, um retomar de uma velha amizade... e uma história de amor tão bonita!
    Mais um post, formidável, por aqui, Léah!
    Beijinhos! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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