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terça-feira, 18 de abril de 2017

O ESCRITÓRIO

óleo sobre tela 38 x 24´= Flores vermelhas

Era mês de abril de 2008 e, apesar de ainda ser verão, o dia estava fresco e escuro.  Paulo sentou-se em frente ao cavalete, pois precisava fechar com chave de ouro os ajustes finais daquele projeto do condomínio, mas sua atenção estava voltada para o passado.  Atravessou seu modesto escritório, abriu a porta que o separava do luxuoso escritório de sua ex-mulher. Era amplo e bem decorado, nisso ela era boa! Uma grande mesa com um belo arranjo de flores sempre vermelhas, e agora murchas, uma mesa digitalizadora, que ela usara apenas duas vezes para seus desenhos gráficos, uma estante de livros, uma linda cadeira vermelha, onde ela gostava de se sentar, como se fosse uma mulher de negócios. Na janela, uma persiana vertical cor de café, combinando com uma poltrona de couro abaixo dela, na parede uma Smart TV, e, sobre uma pequena mesa auxiliar, uma parafernália de materiais que ele ignorava para qual função serviam, tudo isso sobre um grosso tapete de lã de carneiro, que ela venerava!
 Ele lutara durante quatro anos por aquele casamento na tentativa de serem felizes, inutilmente. Carla só pensava em coisas luxuosas, para ela, e extrapolava no orçamento familiar, que era mantido por ele, pois ela conseguira pouquíssimos trabalhos nesses malfadados anos, mas montara um escritório sofisticado, achando que isso a levaria ao sucesso.  Ele voltou para sua sala, mas sua revolta só aumentava, olhou pela janela e a natureza estava como ele, com nuvens escuras e ameaçadoras, precisava esquecer o passado e ir em frente, sair daquela casa.
2º Capitulo
Quando tudo começou era junho do ano de 2007. Os ventos batiam fortes nas janelas, e uma chuva fria anunciava a chegada do inverno, que para ele se estenderia durante muitos meses e até anos, como uma lembrança amarga e gélida.
Naquela manhã saiu de casa dizendo para Carla que seria um dia marcante, pois tinha quase certeza da aprovação de seu projeto, havia vencido a concorrência para a construção de um grande condomínio, o que lhe traria um bom dinheiro e também muito trabalho. Mas ela não comentou nada, ficou olhando para as unhas, sem lhe dar a mínima atenção. Haviam tido uma grande discussão na noite anterior, pois ela queria mudar o piso do escritório que alegava não combinar com o resto da decoração. Paulo se negou a bancar aquela inútil obra, e ela garantiu que a faria de qualquer jeito.
Paulo ficou até mais tarde em reunião, e quando voltou para casa não encontrou sua mulher, sempre a mesma coisa, a mesma chantagem, fugia para a casa da mãe e só voltava se ele fosse lá buscá-la e concordasse com seus desejos. Cansado resolveu mudar o paradigma, tomou banho, comeu alguma coisa e foi dormir.
Dois dias depois, sem que Carla desse notícia, Paulo resolveu voltar para casa mais cedo e dar um ultimato, telefonar para ela e dizer que não ia voltar atrás em sua decisão, não ia fazer-lhe a vontade, gastar mais dinheiro num escritório que nem sequer era usado, preferia gastar numa viagem para os dois, quando acabasse aquele projeto, e talvez além de se divertirem, se acertassem. Passou numa floricultura comprou flores, e resolveu telefonar só quando chegasse em casa.
3 º Capítulo
Estacionou o carro na rua, olhou para cima, a janela do escritório de Carla estava iluminada, puxou pela memória para lembrar se ele havia entrado lá naquela manhã antes de sair de casa e esquecido a luz acesa, e não, não esteve. Lembrou que saiu meio atrasado e não entrou lá. Notou que o carro dela não estava nem na garagem ou fora dela. Será assalto? Olhou em volta a rua como sempre vazia, apenas um carro parado quase em frente ao seu portão. E o dele. Foi até o guarda tudo do jardim e pegou um cano de ferro, abriu a porta da sala com cuidado, subiu as escadas o mais silenciosamente possível e entrou no escritório, vazio, completamente vazio, escutou a voz dela dizendo vai rápido, e uma corrida pela escada, Paulo correu também e ainda ouviu a porta da frente bater e foi atrás e viu um sujeito entrando no carro e saindo como louco, voltou correndo para dentro e ainda conseguiu ver Carla tentando se vestir, estava seminua, no quarto deles.
Onze meses se haviam passado, ele e sua equipe se jogaram no trabalho para vencer o tempo, e ele para esquecer como tudo terminou.  Agora que o divórcio fora homologado, ele precisava se libertar de toda aquela dor e naquela mesma noite, Paulo tomou uma decisão, trabalhou até pela manhã e finalmente encerrou o trabalho.
Agora deixaria a casa a venda numa imobiliária, tiraria um mês de férias, ia fazer a viagem que sempre sonhara, ir à Itália, e lá certamente veria muitos carneiros com suas peles em seus corpos. 
FIM                                                                                                                                                                                            Léah


10 comentários:

  1. Una historia muy entretenida de este matrimonio que al final terminó mal. Una mujer parece ser caprichosa que solo quería salirse con la suya, así que el divorcio fue la mejor solución para el hombre, que al final pudo hacer su viaje.
    Me ha parecido una historia muy bien relatada, aunque la traducción al español siempre desvirtua un poco el contesto.
    Precioso ese jarrón con flores Léah, me encanta.
    Un beso.

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  2. El dolor es el motor de muchos cambios.
    Y Paulo acabó entendiéndolo.
    Bellas flores y buen relato.

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  3. A linda pintura com as flores vermelhas, amei ver!
    Estória bem escrita, muitos casais terminam assim, triste valorizar bens materiais e que pena, que pena que terminou assim, triste fim...

    Abraços linda amiga!

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  4. Mas que mulher sem-vergonha, cretina, fútil e mau-caráter. Já começou mau decorando seu escritório com luxo e do coitado ficou lá... Mas são os casos negativos da vida, é lógico que não poderia terminar bem. Terminou como se prevê, quando duas pessoas são completamente diferentes, em tudo. Conto bem narrado, diria como Nelson Rodrigues, a vida como ela é.
    Quanto à pintura, você já descobriu que adoro vasos e jarras de flores! Mas só na pintura. Na real, gosto que as flores fiquem nos jardins.
    Beijão, amiga!

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  5. Amiga Léah fiquei deslumbrada com a delicadeza e beleza da sua tela, da sua jarra de flores.
    Quando os valores são diferentes dificilmente um casamento resiste, neste caso agravado ainda por uma infidelidade.
    Um excelente narrativa, parabéns!

    Um beijinho
    O Toque do coração

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  6. Como sempre, a pintura, uma verdadeira maravilha... e que veio ilustrar muito bem o conto... um amor muito belo... e aparentemente perfeito como as flores... mas afinal tão frágil e efémero quanto elas... tendo no final cada um, seguido caminhos bem diferentes...
    Um belíssimo post, primando pela coerência no seu todo, como sempre!
    Beijinhos! Não cheguei a tempo de lhe desejar uma Feliz Páscoa... mas esperando que assim tenha sido, efectivamente, na companhia dos seus... e muito bem passada na casa nova...
    Tudo de bom!
    Ana

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  7. Olá Léah.
    "Começando pelo início da sua postagem, parabenizo pelas belas "Fores vermelhas", sua bela pintura (óleo óleo sobre tela). Também gostei desse seu belo relato sobre um casamento que acabou em divórcio, o que em grande parte desses casos de dessintonia é o melhor caminho, ainda mais quando esse caminho for a Itália. Parabéns.
    Um abraço.
    Pedro

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  8. A traição penso que é dos atos mais baixos que um ser humano pode cometer...
    Há criaturas imaturas que, de facto, nunca estão preparadas para viverem uma vida conjugal.
    Léah, parabéns pela qualidade da narrativa e pela belíssima tela.
    Beijos, querida Amiga.
    ~~~~~~~~~~~~~~

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