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quinta-feira, 27 de abril de 2017

O FILHO HOMEM

desenho crayon e aquarela

Seu Ambrósio e Dona Odete fizeram seis filhas, seu Ambrósio, dono de uma fazenda de gado era rico, bem posto na vida, como diziam lá pelas Minas Gerais, mas teve um sonho desfeito o de ter um filho homem, que se chamasse Ambrósio Ribeirão filho. Ele achava que a culpa desse desgosto era só da mulher, pois ela ficava bem feliz com aquelas meninas, se divertia com todas aquelas Marias, fazendo roupinhas cor de rosa, cor que ele já detestava. E nem ligava para o desgosto dele que se sentia um bendito fruto, no meio daquelas Marias
Todas Marias, as mais velhas Maria Joana e Maria Lúcia eram gêmeas, a terceira Maria Paula, a quarta Maria Antonina, a quinta Maria Amélia, e por último Maria Clara.
Um dia, já com suas Marias moças a ponto de se casarem, seu Ambrósio, teve a brilhante ideia de desafiar o destino, reuniu a família e proclamou: “ - A primeira filha que se casar e a primeira, somente a primeira que me der um neto homem ganhará uma fazenda de presente, mas ele terá de se chamar Ambrósio Ribeirão Neto.
Foi uma algazarra entre a mulherada, um tal de “Eu vou ter esse filho, nada disso quem vai sou eu”, e assim foi até os ânimos se acalmarem e Maria Clara a que tinha a mente mais clara, perguntou: -Pai e se ninguém tiver esse neto, se todas tivermos filhas? –
                     -Não ganham nada, ai esperem eu morrer de desgosto, ora bolas. –
Casou-se Maria Joana que logo tratou de engravidar, a expectativa das outras era grande, a torcida para que não vencesse o desafio era maior ainda. Até que nasceu uma menina, todos festejaram menos Ambrósio e Maria Joana, que ambiciosa, jurou engravidar de novo logo após o resguardo, mas não conseguiu, nunca mais.
E assim foram todas as outras três Maria Lucia, Maria Paula, e Maria Antonina, casando engravidando de meninas e mais meninas, e Ambrósio cada vez mais desesperançado. Eram laços de fitas, saias e babados por todo lado, nada de botas, nada de futebol, ou carrinhos, eram só bonecas. Mas ainda restava Maria Clara que nem falava em namorar ou casar, só gostava de rezar, fugia das diversões, para ir a igreja. 
Um dia, não um belo dia, e sim um dia de espanto e mais um desgosto para Ambrósio e dona Odete, ao descobrirem que Maria Clara que nem tinha namorado, que alguém soubesse, estava gravida!  Aperta daqui, pressiona dali, descobriu-se que o pai era o padre Alexandrino da Silva, homem novo, bonito e recente na paroquia, que se apaixonou por Clarinha, como a chamavam, e que largou a batina e casou com ela. Foram nove meses de torcida para que ela também tivesse uma menina, pois não seria justo, afinal ela fora pecadora, seduzira o padre, mas entre as irmãs segredavam que Alexandrino era realmente lindo!
Finalmente nasceu a criança de Maria Clara e Alexandrino, para regozijo das irmãs, uma linda e rosada menina, que cresceu detestando cor de rosa, laços de fitas e bonecas, gostava mesmo de jogar futebol, jogar pião, andar à cavalo, preferia as brincadeiras com o avô, tornou-se sua neta preferida, para ciúme das outras.
E para surpresa de todos, Clarinha para satisfazer um dos sonhos do pai, batizou sua filha com o nome de Ambrosina Neta Ribeirão da Silva, e o orgulhoso avô nem se lembrava mais da vontade de ter um neto.
Fim                                                                       Léah         

sábado, 22 de abril de 2017

Aniversário do BRASIL

colagem em cartolina

Era para estarmos festejando soltando fogos de artifício, bolos nas praças para o povo, desfiles de estudantes, musicais de orquestras nos parques em todos os estados e cidades desse nosso imenso território brasileiro.
Não temos fogos de artificio, mas temos tiroteios, balas perdidas e vítimas achadas. Bolo só se for a ausência em compromissos, porque nem pão dormido está sobrando. Desfile de estudantes tem, em passeatas pedindo escolas e instrução. Orquestras em musicais, já não temos mais, faltam músicos, instrumentos, às vezes, até os parques...
Cidades e estados falidos, assaltos a qualquer hora, em qualquer lugar, em bancos, lojas, pessoas, nos impostos... Mas temos novidades, doenças quase erradicadas há décadas, surgindo novamente, e já se sabe como se diz para o quase falta tudo! Inclusive hospitais e medicamentos, também não temos.
Nossas esperanças mortas, mortinhas... nossos pés afundados na lama dos políticos e empresários corruptos, que são tantos que dá para se perder a conta.
Este é o Brasil atual, nosso aniversariante, aquele que deveríamos festejar, que não deixo de amar, mas que não tenho como defender.
Não sei qual o antídoto para esse veneno que se chama corrupção.
Acho que o que está fazendo aniversário é a falta de esperança para o BRASIL que achávamos ser o País do futuro, mas que futuro!!!!!!!!!!
Fim                                                                       Léah    

terça-feira, 18 de abril de 2017

O ESCRITÓRIO



óleo sobre tela "40 x 30´= Flores vermelhas

Era mês de abril de 2008 e, apesar de ainda ser verão, o dia estava fresco e escuro.  Paulo sentou-se em frente ao cavalete, pois precisava fechar com chave de ouro os ajustes finais daquele projeto do condomínio, mas sua atenção estava voltada para o passado.  Atravessou seu modesto escritório, abriu a porta que o separava do luxuoso escritório de sua ex-mulher. Era amplo e bem decorado, nisso ela era boa! Uma grande mesa com um belo arranjo de flores sempre vermelhas, e agora murchas, uma mesa digitalizadora, que ela usara apenas duas vezes para seus desenhos gráficos, uma estante de livros, uma linda cadeira vermelha, onde ela gostava de se sentar, como se fosse uma mulher de negócios. Na janela, uma persiana vertical cor de café, combinando com uma poltrona de couro abaixo dela, na parede uma Smart TV, e, sobre uma pequena mesa auxiliar, uma parafernália de materiais que ele ignorava para qual função serviam, tudo isso sobre um grosso tapete de lã de carneiro, que ela venerava!
 Ele lutara durante quatro anos por aquele casamento na tentativa de serem felizes, inutilmente. Carla só pensava em coisas luxuosas, para ela, e extrapolava no orçamento familiar, que era mantido por ele, pois ela conseguira pouquíssimos trabalhos nesses malfadados anos, mas montara um escritório sofisticado, achando que isso a levaria ao sucesso.  Ele voltou para sua sala, mas sua revolta só aumentava, olhou pela janela e a natureza estava como ele, com nuvens escuras e ameaçadoras, precisava esquecer o passado e ir em frente, sair daquela casa.
2º Capitulo
Quando tudo começou era junho do ano de 2007. Os ventos batiam fortes nas janelas, e uma chuva fria anunciava a chegada do inverno, que para ele se estenderia durante muitos meses e até anos, como uma lembrança amarga e gélida.
Naquela manhã saiu de casa dizendo para Carla que seria um dia marcante, pois tinha quase certeza da aprovação de seu projeto, havia vencido a concorrência para a construção de um grande condomínio, o que lhe traria um bom dinheiro e também muito trabalho. Mas ela não comentou nada, ficou olhando para as unhas, sem lhe dar a mínima atenção. Haviam tido uma grande discussão na noite anterior, pois ela queria mudar o piso do escritório que alegava não combinar com o resto da decoração. Paulo se negou a bancar aquela inútil obra, e ela garantiu que a faria de qualquer jeito.
Paulo ficou até mais tarde em reunião, e quando voltou para casa não encontrou sua mulher, sempre a mesma coisa, a mesma chantagem, fugia para a casa da mãe e só voltava se ele fosse lá buscá-la e concordasse com seus desejos. Cansado resolveu mudar o paradigma, tomou banho, comeu alguma coisa e foi dormir.
Dois dias depois, sem que Carla desse notícia, Paulo resolveu voltar para casa mais cedo e dar um ultimato, telefonar para ela e dizer que não ia voltar atrás em sua decisão, não ia fazer-lhe a vontade, gastar mais dinheiro num escritório que nem sequer era usado, preferia gastar numa viagem para os dois, quando acabasse aquele projeto, e talvez além de se divertirem, se acertassem. Passou numa floricultura comprou flores, e resolveu telefonar só quando chegasse em casa.
3 º Capítulo
Estacionou o carro na rua, olhou para cima, a janela do escritório de Carla estava iluminada, puxou pela memória para lembrar se ele havia entrado lá naquela manhã antes de sair de casa e esquecido a luz acesa, e não, não esteve. Lembrou que saiu meio atrasado e não entrou lá. Notou que o carro dela não estava nem na garagem ou fora dela. Será assalto? Olhou em volta a rua como sempre vazia, apenas um carro parado quase em frente ao seu portão. E o dele. Foi até o guarda tudo do jardim e pegou um cano de ferro, abriu a porta da sala com cuidado, subiu as escadas o mais silenciosamente possível e entrou no escritório, vazio, completamente vazio, escutou a voz dela dizendo vai rápido, e uma corrida pela escada, Paulo correu também e ainda ouviu a porta da frente bater e foi atrás e viu um sujeito entrando no carro e saindo como louco, voltou correndo para dentro e ainda conseguiu ver Carla tentando se vestir, estava seminua, no quarto deles.
Onze meses se haviam passado, ele e sua equipe se jogaram no trabalho para vencer o tempo, e ele para esquecer como tudo terminou.  Agora que o divórcio fora homologado, ele precisava se libertar de toda aquela dor e naquela mesma noite, Paulo tomou uma decisão, trabalhou até pela manhã e finalmente encerrou o trabalho.
Agora deixaria a casa a venda numa imobiliária, tiraria um mês de férias, ia fazer a viagem que sempre sonhara, ir à Itália, e lá certamente veria muitos carneiros com suas peles em seus corpos. 
FIM                                                                                                                                                                                            Léah


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cupido Trapalhão

óleo sobre tela 35 x 45 cm "Paisagem outonal"
(este é a primeira tela pintada na nova casa, novo atelie)

Margo não tinha vida amorosa e, muito tímida nesta questão, apesar de ter um lindo rosto e um corpo escultural, nunca encontrara o tal do cupido em seu caminho, nem ao menos escondidinho ou camuflado, nada!! Mas tinha muitas amigas, a principal era sem dúvida Marilu que sempre a aconselhava.
 “¬ Quando você encontrar um cara por quem você se sinta atraída ao invés de esperar que ele resolva falar com você, invista nele, tome a iniciativa, os homens de hoje gostam de mulheres atiradas.” ¬
Um dia encontrou Gabriel numa feira de produtos de beleza, e ambos estavam apreciando um mesmo creme antirrugas, embora nem ele ou ela estivessem precisando. Margo achou Gabriel uma graça e pensou nos conselhos da amiga, e começou a conversar com ele, descobriu muitas afinidades entre os dois, só achou-o muito vaidoso, e pensou que talvez fosse por ele ser dono de um quiosque de maquiagem num shopping da cidade. Em determinado momento da conversa Gabriel perguntou se ela tinha muitas amigas e amigos,
 “¬Sim, tenho mais de vinte¬ “
“¬Mas, são só moças, ou tem rapazes também?”
Ela contou mentalmente, os namorados e irmãos das amigas e respondeu, que eram mais rapazes do que moças.  Ele não teceu mais nenhum comentário, só um sorriso. Trocaram números de telefones e ficaram de se encontrar qualquer dia, qualquer hora.
Margo saiu desiludida achando que sua investida foi uma furada e não deu certo como sempre, voltou sozinha.
Marilu insistiu para que ela ligasse e dissesse que iam num barzinho, e se ele quisesse era só aparecer. Marilu comentou com seu irmão, seu namorado e amigos, que Margo havia convidado um amigo e todos ficaram torcendo para que ele fosse um futuro namorado para Margo, todos menos Júlio irmão de Marilu.
 Gabriel aceitou prontamente o convite e no dia marcado lá estava ele, para espanto de todos.  Com uma calça tão justa que não se podia imaginar como entrou no seu corpo, uma blusa com decote em V, cílios postiços e um brinco pendente em uma das orelhas.
Marilu e Margo meio desconcertadas com a surpresa, assim como todos os que aguardavam um heterossexual a princípio ficaram meio sem ação, Margo pediu licença e foi ao banheiro se debulhar em lágrimas, Marilu foi atrás dela pra consolá-la, os rapazes passado o primeiro momento do choque,  deixaram o barco correr, e a noite transcorreu normalmente, menos para Margo, a pobre da Margo se recompôs voltou para a mesa, mas ficou triste meio encolhida, calada, e com raiva de seu cupido, que achava ser de madeira e já havia sido devorado por cupins.
Júlio irmão de Marilu, gostava de Margo ficara enciumado quando soube que ela havia encontrado alguém, mas ali vendo  a tristeza de Margo e sua ingenuidade por não ter notado a sexualidade de Gabriel logo de cara, sentou-se a seu lado e começou a contar piadas para alegrá-la ele sempre a fazia rir e sempre se insinuava para ela, mas Margo sabia que ele era mais novo que ela,  por isso não achava que daria certo, embora sentisse atração por ele,  procurava vê-lo como um amigo, entretanto naquela noite tudo mudou, Júlio conseguiu arrancá-la, da tristeza, levou-a até em casa e começaram um romance que dura há três  anos, tudo graças a um cupido distraído e trapalhão e a um gay que continuou sendo amigo de todos.                                                                                                            Léah
FIM

  

sábado, 1 de abril de 2017

Viver com Liberdade

óleo sobre tela 30x35 - Muitas flores
Agora a pequena mesa com confortáveis cadeiras ficavam numa parte do jardim, atrás da casa e que me é exclusivo, onde colocamos uma umbrela, e ali como sempre fiz, fui buscar o sol da manhã sentar-me e tomar meu leite com café, biscoitos, iguarias e uma salada de frutas não pode faltar. Claro que nunca estou sozinha nesta empreitada, marido e as três mocinhas nada elegantes, Gigi, Pagú e Natasha, mais do que se deleitarem com nossas companhias elas esperam pelos biscoitos que compartilhamos, quando o ‘banquete’ impróprio para cães é encerrado vem o descanso, se estendem ao sol, rolam e esfregam as costas na calçada com barulhos guturais de prazer. Implicam com as gatinhas no telhado de suas ‘gaiolas’ que dormem ao sol, indiferentes a tudo.
Pelas manhãs o sol agora de outono é a vedete, pois de repente, o tempo vira e chove, e torna a virar, e ele retorna claro como se tivesse tomado um banho de chuva.
São pequenos momentos que para muitos seriam a monotonia, ou até passariam desapercebidos, mas não para nós. Não importa se o lugar é menor, o amor está ali representado enchendo o espaço de simplicidade, ternura e paz, isso é muito importante em nossas vidas.
Lembro de quando estava na outra casa, com grandes espaços, e que tudo pedia sempre muitos braços e mãos, para mantê-los em ordem, que nem sempre conseguia esses ajudantes que se dizem profissionais, mas a realidade era bem outra, isso foi me cansando e gastando minhas energias de uma tal maneira, que os bons momentos ficavam apagados. O melhor horário para mim era a noite após as nove da noite, quando eu sentava na frente de meu cavalete ou do laptop. Meu marido vivia estressado, eu já andava chutando até o vento de tão irritada, pois sabia que os aborrecimentos recomeçariam iguais no dia seguinte.
Adorava o verde de lá, as arvores as flores, o silêncio de lá, mas aqui tenho o verde, flores, silêncio, as arvores não são minhas, mas estão por aqui, não preciso cuidar do gramado, do jardim, do quintal, isso quem faz é o jardineiro do condomínio, tenho vasos de flores, não preciso ter um empregado para me contestar e “sacanear” com pirraças e sabotagens, que vivia procurando uma chance de maltratar os animais e matar as flores. Eu tinta que ficar sempre atenta não preciso de uma empregada morando dentro da minha casa, e acabando com minha privacidade e paciência. A palavra de ordem agora é NÃO PRECISO, levo as cachorras para passear num espaço que não é meu é público, tomam banho no pet, somente uma faxineira é do que preciso. Posso aproveitar meus momentos que agora são muitos e prazerosos.  Alguns amigos acham estranho eu me sentir feliz com menos, isso só depende do grau de superficialidade de cada um, é o que digo para eles.
Estou me sentindo LIVRE e não existe felicidade sem liberdade de ação e paz.

FIM                                                                                                                           Léah