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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A chegada da primavera

tela 30x25 à óleo 'muitas flores'



A primavera ainda não havia  chegado e  os Manacás já estavam  carregados de flores lilases e brancas distribuindo seu perfume junto com a Murta que se enche de buquês cheirosos, da vontade de dormir na varanda !
O Flamboyant que deve ser de outra terra, onde agora deve estar em pleno  inverno,  esta desfolhado distribuindo suas vagens marrons, só floresce quando aqui é  verão.
E os bougainvilleas esses não deixam  espaço para folhas são só flores e mais flores de tantas cores, conhecidos também  pelo nome de Primavera, gosto de todas as, mas essas são minhas preferidas, pela exuberância de suas cores.
É bom morar num país tropical onde as flores estão sempre presentes, mas na primavera elas se superam. É enfim a melhor estação do ano para mim e ela chegou! (:
Léah
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A CASA

óleo sobre tela 30cmx 20cm - Rosas rosas

Foi construída com suas mãos dia após dia, quartos amplos, copa cozinha preparada para grandes refeições, salão com três ambientes. Caminhando para a parte de traz uma área com churrasqueira e uma grande mesa feita de madeira rústica reciclada e assim também os bancos, mais para traz ainda uns arbustos e uma piscina.
Ele levou bem uns três anos para acaba-la e estava pronto para a oferta à sua amada.
Giovane era apaixonado por sua amiga Riva que não sabia desta paixão, que ele mantinha tão escondida com sua timidez.
Quando nasceu a primeira rosa no jardim plantada por ele convidou-a para o grande presente e claro o pedido de casamento, só que através de um subterfúgio.
_Riva preciso comprar uma casa e me indicaram uma, mas como não entendo muito nem tenho o seu bom gosto, gostaria que fosses comigo para dar sua opinião, o que você acha?_
Embora ela tenha ficado meio espantada e após algumas perguntas, resolveu aceitar, e lá foram no dia marcado para o tal endereço.
_Nossa Giovane que casa linda, por fora está parecendo uma mansão, que dirá por dentro!_
Claro que a cada cômodo que ela ia vendo os elogios iam aumentando e a confiança de Giovane também. Ele só não mostrou uma parte do quintal onde havia um portão alto de madeira do qual nada se via através. Lá naquele espaço estavam todos os seus amigos e amigas aguardando o momento certo para entrarem na casa e parabenizarem os dois, já que a combinação feita com Giovane fora esta e o sinal era contarem dez minutos, após ele se afastar  do tal portão. Todos em silêncio sepulcral ouviram ele dizer em voz alta vamos até o jardim, tem uma linda rosa lá.
_É? Eu não vi!_ disse Riva
_Mas eu vi quando entramos_
sentaram-se num banco de jardim em frente à rosa, e Giovane fez o pedido.
_Riva esta casa e meu coração, esta rosa e todas que venham a nascer  será tudo seu se aceitares se casar comigo, eu a construí especialmente para nós, com todo amor que sinto por você desde o dia em que a vi pela primeira vez._
_Como assim para nós? Nunca nem sequer uma só vez você falou ou demonstrou este sentimento por mim, você está brincando comigo?_
Antes que Giovane pudesse falar alguma coisa, apareceram os amigos em bando, cantando parabéns pra vocês, Riva pálida e constrangida com a situação, ficou alguns minutos sem saber o que fazer, mas sabia o que sentia, apenas uma amizade por Giovane, e um grande amor por Paulo que naquela semana antes de viajar a trabalho, a  havia pedido em namoro.
Controlou sua aflição e nervosismo pediu silêncio e falou.
_Giovane, se você não tivesse feito segredo deste seu sentimento, nada disto teria acontecido, seu empenho durante tanto tempo fazendo esta casa, que é muito linda, mas uma casa não vai mudar o que sinto por você, que é só uma grande amizade, por isso não posso aceitar seu pedido._
Ouviu-se um  coro de oh, que pena! Enquanto com os olhos marejados de lágrimas Giovane tentava controla-las para que não rolassem por seu rosto.
Riva pediu licença a todos e foi embora, enquanto Giovane ficou ali triste sendo consolado por seus amigos.
Alguns anos depois:
Muitas rosas nasceram naquele jardim, mas a casa foi vendida, Giovane mudou de cidade, e Riva casou-se com Paulo.
Fim
Léah

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O BARCO x O BMW

45cm x 32cm óleo sobre tela

Era sempre assim o silêncio só era quebrado na hora da saída das crianças da escola do final da rua dentro do condomínio, mas era agradável ouvir aqueles gritinhos da meninada correndo na rua aladeirada  para ver quem chegava primeiro no portão . Meia hora depois outra vez o silêncio reinava solto. Naquele dia foi diferente  quando tudo parecia rotina  um homem começou a gritar chamando desesperadamente  o vizinho três casas distante da dele no lado contrario da rua .
“-Fulano, fulano ...-“  Chamava com tanta insistência que eu achei deve estar precisando de ajuda,  será que está passando mal, ou alguém da família? Como eu estava no andar de cima, olhei pela janela e o vi,  ele já não estava em sua porta havia andado quase até a porta do ‘fulano’ que ele tanto chamava, porém sem atravessar a rua .
A minha vizinha de frente também apreensiva chegou na varanda  talvez pensando como eu, espichou-se  e arriscou um “ Oi, tá tudo bem?” Mas ele não respondeu além de ter se afastado mais dali de perto do alcance dela.
Surgiu mas alguém n’outro portão, o porteiro  largou seu posto e veio andando também para acudir, mas o gritão se afastava andando mais para perto da casa do “fulano”, evitando  a proximidade dos outros.
O fulano deve ter se dignado  a aparecer na janela, ai   o que se ouviu foi um disparate gritou o gritão para que o fulano ouvisse e também todos os preocupados vizinhos: - ““-- Olhe só o que eu comprei um barco , você tem um BMW,  esse barco é meu BMW...”, quando puder vem aqui vê-lo de perto”_. E saiu todo esticado como se tivesse crescido em tamanho e importância. 
Não sei qual a resposta do ‘fulano “ que eu não ouvi, nem vi, estava num ângulo que meu olhar abismado não alcançava. Sai da janela  cheia de vergonha pelo gritão e ao mesmo tempo com tanta  pena, como uma pessoa se sente assim tão sem importância, se desvalorizando  tanto  a ponto de ter a necessidade de possuir um bem material que equivalha ao do outro para se sentir com algum valor como ser humano.
O barco permaneceu ali na rua em frente à sua porta muitos dias, e podia se ver  lá  estava seu dono todo aprumado vaidoso, por ali alisando o barco ou se postando diante dele e fazia questão de esticar e pousar a mão no “barco BMW”, quando alguém passava, só  para demonstrar  sua importante propriedade. Agora ele era um homem de valor poderoso e rico. Era essa a imagem que ele passava.
 Depois de algum tempo ouvia-se e via-se  alguém furando martelando, consertando o tal barco, e mais um tempo depois ele  foi rebocado. E o dono do barco parecia ter murchado  como uma boia vazia,  o barco estava mais para  fusca  do que para BMW...
São as tristezas  de alguns humanos , só acham que têm valor quem ostenta, quem tem muito dinheiro, em menor medida, mas em comportamento semelhante   vejam só, são nossos políticos   por conta desta vaidade, da ganância de querer ter o que não podem , quererem ostentar roubam, nem que para isso destruam vidas e sonhos, e até destruam um país .
 Isso virou moda, mas moda muda e passa.
Fim,
Léah


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A cadeira de balanço da vovó

cadeira de balanço da vovó- desenho crayon sobre cartão.
15cm x 30cm




 Quando a conheci estava forrada com um tecido florido, e uma almofada contornada com rendas, seu lugar era ali junto a janela muitos  anos naquela  sala, sempre bem cuidada como se fosse um trono. Quando ela chegou era nova verniz reluzente serviu para embalar filhos, netos e até bisnetos, anos de utilidade e já era considerada indispensável e até uma relíquia familiar.
Entrei naquela sala antiga, quase vazia  com o assoalho rangente e lá estava ela a cadeira esquecida num canto sem o tecido florido e almofada rendada, nua envergonhada, sem utilidade parecia encolhida.
Toquei em seu braço e balancei-a de leve, uma tristeza me invadiu, arrastei-a para junto da janela, e sai em busca do forro e da almofada, pelos armários dos quartos, encontrei-as e coloquei pronto ela parecia sorrir, agora alegre florida primaveril, balancei-me  e cantei uma canção de ninar só para ela renascer e reviver o tempo em que era útil e trono de ninar tantas vidas durante  muitos anos.
A casa foi vendida alguns meses depois e a compradora grávida já com aquele barrigão ganhou a cadeira de presente e ela adorou e mesmo sem saber do passado da cadeira da vovó,  comentou que será o lugar onde vai embalar sua filha para adormecê-la...
Fim da história ou recomeço, quem sabe ?
Léah

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Vaidade e Escolha

Caminho cor de rosa 30x38 acrílico sobre tela
                                                                                      (Todos os personagens são fictícios)
Naquela reunião de amigas a vaidade corria solta e cada uma se enaltecia de alguma coisa, mas uma delas extrapolava em seus supostos valores. Era uma conversa desafiadora à paciência de quem a conhecia desde sua juventude e seus caminhos percorridos até ali
A vaidade servia para esconder o que todo ser humano sofre ao longo da vida, fracassos, erros, frustrações, desilusões, e só falavam dos sucessos nem sempre verdadeiros, ela das riquezas obtidas, das viagens, da mansão onde morava, das joias e roupas de grife...
Mas não valia a pena interferir, eu sabia que era um véu posto sobre a verdade amarga, e sabia também que seria desumano acabar com a farsa  contada como verdade para quem não a conhecia, e que nada mais era do que uma forma de se sentir superior às  outras. A vaidade era quase possível de se pegar. A vaidade que  imobiliza a ação de encarar a verdade e lutar para sair daquele labirinto de mentiras.
 Fiquei pensando como uma pessoa pode se transformar tanto, Margarida era uma jovem linda, doce embora desiludida com o amor por causa de seus infelizes pais.   e agora uma mulher embora ainda bonita  soberba, vazia , esnobe e infeliz. De certa forma acho que sei como tudo aconteceu.
Quando fui morar no mesmo prédio que Margarida, nos tornamos amigas, Eu já casada e com mais 8 anos de idade que ela, fez de mim sua confidente. Margarida sofria muitas privações, e tinha a ideia arraigada de que com um casamento rico seria feliz. Eu  tentava convencê-la que precisamos de muito  amor para se viver plenamente  num casamento enquanto que dinheiro  é necessário só para se sobreviver, mas ela sempre descartava meus argumentos dizendo que eu nunca tinha passado pelo que ela passava com um pai omisso, mulherengo e miserável.
Um belo dia outra vizinha anunciou a chegada de  seu filho Rômulo, após longa viagem, como  engenheiro de máquinas da marinha mercante, e que estaria de férias era  noivo de Anita já com casamento marcado, para o ano seguinte.. Nas voltas que o mundo dá Margarida se apaixonou por Romulo que não era rico  e ele também se apaixonou por  ela, entretanto Anita, a noiva,  junto com a mãe dele,  que apesar de ser amiga de Margarida, não se conformaram  com a situação e engendraram planos , caluniaram Margarida dizendo que ela só queria se livrar da vida miserável, e lutaram  para que  aquele casamento já marcado se concretizasse e foi o que aconteceu, Margarida sofreu, ficou doente, emagreceu, e ficou mais amarga. Depois de algum tempo conseguiu se reerguer e voltou a sua ideia de que ia  encontrar um marido rico e nada de amor. Encontrou Samuel dono de várias lojas comerciais, bem mais velho que ela,  mas só se casou com ela na condição de que fosse com separação de bens, Margarida aceitou a proposta e aí começou sua transformação  na  pessoa vaidosa e presunçosa que vi  ao longo dos anos e ali naquela reunião, ela sentia um grande prazer em contar suas vantagens , tudo que ela tem ninguém tem, todos os seus bens materiais são superiores aos das amigas, sua vida é mais feliz do que a de qualquer outra pessoa na face da terra, anda como uma árvore de natal cheia de joias,  e até gosta de humilhar  as pessoas humildes. Tenho  certeza de que é infeliz , seu marido trata- a como um belo objeto adquirido  e enfeitado que expõe como um troféu.
Já me confidenciou que nunca esqueceu Rômulo, mas tem o prazer de saber que ele foi muito infeliz, pagou por sua covardia de não lutar por ela. Hoje está divorciado, está gordo, velho e trabalha por conta própria, mas não é rico e a  mãe dele arrependida do que lhe  fez, afastando seu filho de seu amor , e forçando-o a cumprir a promessa de casamento com Anita, apesar dele dizer não ama-la mais, contribuiu para a  infelicidade de três pessoas, Foi então procurar Margarida querendo resgatar sua amizade e seu perdão, que ela finge aceitar, pois agora, é tarde, segundo Margarida,  a mãe dele sofre mais do que ela  sofreu na época, e julga que são amigas  e que a perdoou e  vai morrer pensando, diz ela.
-“ Agora estou feliz com minha vida, meu marido, Tenho tudo que sempre quis, não sou apaixonada por ele mas gosto dele.  amo  minha riqueza, meu conforto. Enquanto Anita ficou sozinha, vivendo de uma pensão miserável, e até as filhas que tiveram são mais amigas do pai do que dela. Não aprendi a perdoar, nem ligo se me condenam, ela me caluniou, me humilhou, me deixou doente de desgosto, e também a covardia de Rômulo, e quando a vida dele se desmoronou veio me pedir perdão, mas nem que eu estivesse solteira, lhe daria nova chance, ele matou o amor. _”
 Foi o último desabafo de Margarida a mim.

Por isso não falo nada, quem sou eu para dizer que ela está errada, em cultivar tanta amargura, afinal nunca consegui demovê-la de suas ideias, como conselheira sou péssima, como ouvinte sou ótima, só queria que ela fosse feliz assim como eu que acredito no amor, e jamais o trocaria por dinheiro, mas cada um tem seu destino e escolhas para fazer, é o livre arbítrio que Deus nos deu.
Fim
Léah