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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mulheres x Homens

cantinho romântico óleo sobre tela 40x20 

Amigas e amigos de meus filhos, de vez em quando vem aqui pra casa, este final de semana se reuniram aqui e o ambiente fica alegre e descontraído, até os assuntos mais sérios são finalizados com uma piada qualquer. Nos  assuntos discutidos o mais acirrado que provocou opiniões diversas entre os homens e as mulheres foi  sobre relacionamento entre os dois gêneros.
 Ao escrever este texto baseei-me nas opiniões ouvidas e no que observo e concluo que embora a juventude feminina da minha geração tenha enfrentado muito machismo e castração, ainda assim as mulheres hoje com toda a liberdade adquirida, não confundir com libertinagem, sofrem muitos preconceitos por parte da “ala” masculina.
Sei que existem pessoas de todos os tipos, com qualidades e defeitos, mas de um modo geral
as mulheres crescem, isto é amadurecem e os homens só ficam mais altos!
Quando uma moça procura um relacionamento e pensa que achou um companheiro, que vai dar valor a sua inteligência, antes do sexo, a sua educação, antes do sexo, a conhecer seus gostos e suas preferências, antes do sexo, as afinidades entre os dois, antes do sexo, a maneira como ela encara a vida como a desfruta e se comporta, antes do sexo. Descobre que ele pode até vir a querer descobrir todos esses itens, mas primeiro vem o sexo. Principalmente se ela for bonita, ao gosto de beleza dele, porque isto também varia, e é o que eles mais valorizam.
Quando um rapaz começa um relacionamento e ao ver que se ela se nega a fazer sexo no primeiro encontro é quase intolerável, mas daí em diante se os encontros se estenderem, mesmo assim, vira obsessão na mente do carinha sexo, sexo, sexo é o mais e muito importante, em primeiríssimo lugar, pra eles, é claro!
Não pensa, por exemplo, que ela quer demonstrações de carinho, delicadeza, cavalheirismo e que quando recebe tudo isto é até um estimulo para ela querer o  sexo antes de algumas etapas, quem sabe.
Quando será que eles vão compreender que mulher é sentimento, é emoção, é razão, mas também antes de tudo é romantismo? Quando vão entender esta formula do amor e crescerem como nós?
Afinal, quem faz sexo por puro instinto só mesmo os animais irracionais e é quando estão no cio, para procriarem, fora isto eles até se acarinham.
Léah



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Conselhos!




 óleo sobre tela 30x40 porta com bouganvillea

Conselho é bem aquilo que você não pede, mas recebe, é quando  pretendemos fazer algo  e lá vem um conselho, geralmente contra, ou se você tem um comportamento que acha certo e é bom para você, mas não se iluda alguém surge com ar de grande sábio e começa a enxurrada de conselhos de espantar até espantalho! Outro dia sem que nem mais me vi recebendo um conselho que não pedi e também não aceitei, dizem a boca pequena que conselhos deveriam ser sempre vendidos, e não oferecidos  Na maioria das vezes quando a pessoa pede quer ouvir justamente  o que já está decidido planejado em sua mente, mas nem sempre somos auto suficientes para decidir e nos vemos  necessitando de  um bendito conselho.
 Anunciei minha casa para vender, estou cansada de depender de pessoas para tratar deste enorme quintal cheio de arvores, plantas, e muitas, muitas folhas e um gramado.  Apesar de gostar muito tanto das arvores como das plantas e flores, não tenho força física para tanto, e para que eu quero um gramado!! O ajudante falta é teimoso, e me aborrece muito,  ainda tenho o tamanhão da casa e a empregada vai se aposentar,  além de ficar oneroso é cansativo e aprisionante, quero preciso e mereço descansar.  Os pequenos acidentes só acontecem ou quando estou sozinha ou aos domingos. Domingo passado saímos todos, filhos para namorar, marido e eu fomos almoçar e demos umas voltas de carro, voltamos cedo por causa do frio, quando chegamos a garagem a lavanderia tudo inundado, a boia da caixa d’água emperrou e desceu água pelas lâmpadas, esvaziou uma das caixas e foi literalmente nosso domingo por água abaixo, trabalhamos tanto que senti calor.
Chamamos um  corretor que avaliou e colocou placa de vende-se  pendurada no muro, e fui com ele olhar como ficou ele foi embora e antes que eu entrasse em casa apareceu uma mulher, sou muito fechada com relação à vizinhos, é só bom dia, e boa noite, nada de conversinha e só vejo os da direita, da esquerda e o de frente,  por conta disto não me lembrava de ter visto aquele rosto, da tal mulher, descobri ser uma vizinha, por que perguntei, e lá veio ela me aconselhando:” -Como você vai ter coragem de vender sua casa, neste tempo de crise, já pensou bem, no resultado disto? Aqui é tão bom sossegado, seguro  e vocês são ótimos vizinhos, é uma loucura, me desculpe estar falando assim, mas já me mudei três vezes e sei que é... -“ Interrompi a conselheira desconhecida, agradeci o conselho educadamente, pedi licença, e disse que meu bebe estava chorando e eu tinha que entrar, a esclarecer, não tenho bebe algum,  e acho que ela deve saber, pois me olhou espantada e perguntou seu neto? Não meu filhinho recém-nascido, o que fez seus olhos se arregalarem, pois já não tenho idade para voltar a ser mãe. Fechei o portão entrei e me escangalhei de rir.
Meu marido riu muito e agora fica mexendo comigo, - olhe o nosso bebe está chorando- e ri, pelo menos foi divertido.                                                                                                                              
Como uma pessoa que você não conhece, com quem nunca conversou, vem assim do nada dar conselhos? Que coisa deve ser  louca, ou não tem noção alguma de limites ou então tenho cara de retardada, agora para ela devo ser uma louca desvairada. Dá para  entender uma coisa dessas!?                    
Léah

sexta-feira, 10 de junho de 2016

óleo sobre tela 40x35cm. Um dia de verão

 A ADAPTAÇÃO:
A cidade era pequena e interiorana, as ruas eram arborizadas e viam-se todas as manhãs mulheres varrendo suas calçadas nas frentes de seus portões, como se estivessem participando de uma maratona não deixavam nem uma folhinha sequer no chão, era interessante e estranho.
Resolvi aproveitar uma tarde quente para rodar pelas ruas e conhecer o novo lugar de minha moradia, eram casas muito parecidas umas com as outras, numa cidade achatada na minha visão, pois não havia prédios de apartamentos, o comercio de rua era concentrado numa praça, ali era o ponto social da cidade, uma igreja, um cinema onde só se via anunciado filmes antigos de ‘bang-bang’, e um corredor com meia dúzia de lojas que chamavam de shopping. Acostumada em uma grande capital a vida toda e morando sempre próximo ao mar, comecei a ficar preocupada e com medo de não me adaptar e sabia que teria que ficar lá muito tempo, alguns anos ou para sempre!  Voltei rapidamente para casa e procurei tirar as borboletas negras que voavam em minha mente e me concentrei na arrumação das caixas da mudança. Foram dias difíceis e nada de me acostumar com aquela vida de monotonia diária. Minha solidão era de alucinar, meu marido saia para o trabalho, meus filhos para seus cursos, e  eu para nada.
Ninguém estava se adaptando,  as pessoas do trabalho do marido eram daquele lugar, tinham seus próprios amigos,  e tinham preconceito contra as pessoas do Rio de Janeiro sei lá porque, pois apesar da minha inadaptação nunca reclamei com ninguém de fora da minha família, mas para tentar sair daquela situação, promovi um almoço de confraternização com aquelas pessoas. Trabalhei como uma louca, e fiz um auto almoço, que foi elogiado e comido. Que bom, pensei. Aguardei durante meses o retorno de um convite até para um cafezinho, é o que manda a etiqueta, né? Mas não veio. Continuei na solidão.
Um dia resolvi voltar para nosso apartamento no Rio, enlouquecida e desesperada peguei o carro e viajei dirigindo sozinha e chorando e socando o volante, por vários quilômetros, parei numa loja daquelas de estrada, sentei-me para analisar a situação pensei nos filhos, no marido, retornei por todos não por mim. Aguardava-me a monotonia, a pasmaceira.
Em vista disso e por amor principalmente, todos os finais de semana, meu marido programava um passeio, íamos às cidades vizinhas, e todas, diga-se de passagem, tinham quase que a mesma estrutura, uma praça, uma igreja, um pequeno comércio. Era de enlouquecer!  Mas o esforço dele para que eu não ficasse deprimida ou louca me fez amá-lo mais ainda.
 Comecei a pintar vários quadros pra fazer uma exposição individual  na minha cidade, aluguei um espaço e tive umas semanas de completa felicidade. E pelo menos uma vez por mês voltava ao Rio de Janeiro com os filhos e marido e nos reabastecíamos de tudo que não tínhamos por lá, rever os amigos, rir, falar, cinema, teatro, praia, como dizíamos íamos para tomar as mamadeiras.
Ficamos por lá durante dois anos até ele ser requisitado para outra cidade mais longe em outro estado que detestei mais ainda, e mais difícil de virmos ao Rio em nossas fugidas. E lá se foram mais dois anos, sem mar, longe dos amigos e do meu ambiente, do meu ninho, longe dos filhos por estarem na faculdade mais próxima da ex-cidade.
Nesse interim apareceu uma pessoa querendo comprar nosso apartamento no Rio, como não tínhamos esperanças de voltar, e estava dando despesas e muito abandonado se deteriorando, optamos por vender.
“-Oh vida, Oh azar!! Como dizia a hiena pessimista do desenho de Hanna Barbera lippy hardy,” pois, no mês seguinte à venda do apê, a Petrobras mandou-nos de volta para o Rio de Janeiro, só que estávamos sem apê! Tivemos que morar de aluguel até comprarmos outro, mas a felicidade de voltar compensou o aluguel, a procura diária de moradia própria, a transferência de faculdade dos filhos, pela segunda vez.
Estas nossas idas para outras cidades já eram para corrigir os erros dos funcionários apadrinhados que entravam pela janela, afilhados dos políticos. Pelo tempo que lá ficávamos dá para sentir o tamanho da burrice dos apadrinhados e de quem os colocava lá. Meu marido é economista e ficava muito furioso com o tamanho das besteiras que faziam e  tendo que ver, corrigir, e ouvi-los  se dizendo economistas, ele até desconfiava que haviam comprado os diplomas , se é que o tinham realmente! Coisas da Petrobras, desde sempre, um dia a situação ia estourar, e foi o que aconteceu. Como “dizem os assaltantes ‘‘ perdeu, A casa caiu”.
Léah


quarta-feira, 1 de junho de 2016

O Ciúme

                                        O fogo -acrílico sobre tela de madeira 30x 25



A mãe trabalhava na máquina de costura, às vezes até altas horas da noite, para ajudar na criação das quatro filhas, quando a quarta filha completou um ano, contratou uma moça para ajudá-la como babá, sua função consistia em  fazer a comidinha da criança, vigiar seus passos ainda trôpegos e os perigos aos quais uma criança se expõe por conta de sua inocência.  A babá  era uma moça carinhosa, mas muito estabanada, quebrava  louças, tropeçava em tudo,  se distraia até com uma mosca.
Numa tardinha de final de semana, o pai resolveu organizar um churrasquinho para a família, mas como não tinham churrasqueira improvisou no quintal num antigo fogão de ferro pousado no chão, uma grelha em cima brasas fumegantes e estava pronta a churrasqueira, o pai foi para a cozinha, partir a carne enquanto a mãe fazia outros quitutes para incrementar o churrasco. A recomendação feita à babá era sempre a mesma, - cuide  da neném- ...
De repente umas gritarias da babá e das crianças e da neném chorando quase sem fôlego, correm todos no maior susto.
-Ai dona Antônia, não sei como a neném  caiu no fogareiro, só me distraí um minuto!  tremia e chorava e gritava a babá...
Dona Antônia, a mãe, gritava meu Deus! Chorando em desespero, o pai com a criança já no colo e querendo consolá-la passou a mão alisando a queimadura e em lágrimas repetia - isso  não é nada, não é nada,-  o que só piorou o ferimento, a dor e os gritos desesperados da neném. O vizinho escutou a gritaria e correu para ajudar com seu taxi e levaram a criança para o hospital. 
O braço da criança queimado desde o punho até o antebraço, pelo calor do ferro do fogão e das brasas, mesmo caindo de bruços sobre o fogareiro sua camisolinha só ficou chamuscada, e a mãe guardou-a em uma caixa durante muitos anos e sempre que a via chorava, até  a filha acidentada já adulta, jogá-la fora para acabar com aquela dor inútil de sua mãe.
Hospital com atendimento precário, sem tecnologia, típico da época, pensando bem até hoje,  longas noites insones de dores, gemidos, lágrimas, dos pais e da criança. A babá despedida, e nunca mais quiseram outra. O tempo passou, mas a feia marca já cicatrizada no bracinho da neném ficou para sempre...
A mãe tendo que continuar com suas costuras, ocupava  as filhas mais velhas para se revezarem  tomando conta da neném. Quando esta função dada virou  obrigação para elas isso transformou-se em ciúmes e raiva.
“-Tudo é a neném, que já anda, já fala, e é uma chata que a gente tem que cuidar, ao invés de nos deixar livres para o que a gente gosta de fazer, temos que olhar a dondoquinha-“ diziam as três-.
Estes ciúmes cresceram junto com elas, e ao invés de serem amigas mesmo depois de adultas, viveram sempre rejeitando a irmã.
O ciúme é cego e vai açoitando o amor até matá-lo, ou quem sabe é um misto de desamor e rancor. Para eu aceitar isso no comportamento de crianças é fácil, mas em  pessoas adultas, que já têm discernimento e compreensão das dificuldades  da vida, não tem lógica,  é difícil, vejo o CIÚME como uma doença, é inexplicável e patológico. Principalmente na situação desta família, na opção que esta mãe teve de tomar.
Achava que um dia esse ciúme a competição e a rejeição em todos os momentos da minha vida com elas, pois a neném queimada fui eu, passaria e me amariam, mas nunca me perdoaram, pelo simples fato de ter nascido?  Ou me aceitaram como uma delas, a mais velha agiu assim  até morrer, infelizmente! E as outras duas vão pelo mesmo caminho!
Disso tudo me restou uma grande frustração por não ter uma IRMÃ,  aquela que seria unha e carne, amiga de fé, que dividiria problemas , tristezas e  alegrias. O braço queimado, nunca me causou problema algum, nem mesmo complexos, é só uma cicatriz,  o pior é saber que elas não conseguiram queimar o ciúme inútil  e deixá-lo cicatrizar para liberar seus corações.
É, são coisas dos seres humanos.
Léah