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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

                                        abstrato em acrílico Painel



O Crime
                                          Léah MorMac

Sentado na varanda conseguia vislumbrar uma grande área, via as casas da vizinhança e se satisfazia com aquela invasão. Era já um vício aquelas “espiadas“  diárias. Mas a casa que ele via melhor era a do Gomes.
Tratava de ficar meio escondido entre os vasos de plantas, e, só saia dali quando era chamado por Beta, com uma raiva mal contida, que deixava transparecer na voz esganiçada...
- João vem almoçar...”João fofoca” vem me ajudar com a vassoura... João sai daí, faça alguma coisa...
Era assim todos os dias, todas as horas.
Beta, resmungava, praguejava e ameaçava amarrá-lo naquela cadeira.
- Assim não precisará ter o trabalho de se levantar e sentar...
Naquele dia, João chegou na cozinha, sem cor  e trêmulo mal conseguindo tocar no braço de Beta.
- Deus  do céu o que foi homem, o que está sentindo? Fala, fala...
Com muita dificuldade ele balbuciou:
-Eu vi Bebebeta, eu vi um crime, na casa do Gomes!
- O que, homem? Cê sonhou naquela cadeira.
-Não sonhei nada,  começou a explicar:
-Ele passou no quintal todo sujo de sangue, e olhando de um lado para outro, para ver se alguém o via, passou meio curvado carregando uma espécie de embrulho, de onde,  de repente caiu algo, soltando-se do papel, e quando ele se apressou em pegar, eu vi, era uma cabeça de mulher. Eu vi, eu vi! Ai! Ai! Ai Beta, só podia ser a da Georgina e pingava  sangue! Ai! O que vamos fazer, chamar a policia?
E correu para o quarto, e ela seguiu-o com medo de ficar sozinha na cozinha .
Beta não tinha mais  espaço para arregalar os olhos, começou a andar nervosamente e falando:
- Meu Deus eles se davam bem, só se foi ciúmes, que ele tinha bastante do Elias, será? Não, não, deve ter sido por causa do Seu Carlos que vivia esticando o olho para a bunda da Georgina,  que gostava bem de passar rebolando por ele.
 Mesmo assim, matar, cortar-lhe a cabeça como Maria Antonieta é demais... Meu Deus,  João, e agora? Ele viu você espiando?
- Não sei, eis o problema!
Ele  espiando pela greta da janela tentava enxergar a casa do Gomes.
Em sua casa, Gomes contemplava sobre a mesa uma cabeça com olhos estatelados, cabelos empapados, que sujara toda a mesa. Dava gargalhadas  a se contorcer.
Então, surge na frente dele Georgina que falou:
- Gomes, pare de rir e me diga você acha que deu certo, acha que esta cabeça de 
papier maché e suja de massa de tomates vai enganar aquele velho fofoqueiro, e fazê-lo parar de espiar para cá?
 E Gomes tentando conter o riso:
- Tenho certeza, agora vou esperar  pois provavelmente ele vai chamar a polícia. E eu vou dar uma de artesão.
FIM
                                                                         
 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cada coisa!



Fui até a uma vidraçaria em busca uma prateleira de vidro para o meu cantinho onde tenho meu laptop e algumas outras coisinhas.
A vidraçaria era grande e um enorme balcão com somente um atendente, que estava em frente a uma senhora que aparentava uns 80 anos equilibrando-se em um sapato com salto cinco, saia muito justa, blusa decotada mostrando o que já deveria esconder. Nos lábios um batom vermelho, cabelos da mesma cor talvez para combinar com a estampa da saia.
Chamou-me assim que entrei na loja para que eu desse uma opinião sobre uma foto de um quarto, o dela, onde se via uma parede cheia de espelhos e outra vermelha!  Pelo visto a pessoa era fã incondicional desta cor. Quanto a mim, que ela nunca tinha visto mais gorda ou mais magra, queria opinião sobre onde colocar mais um espelho e se deveria pintar mais uma parede desta cor!
 Por sorte minha, meu celular tocou e aproveitei para sair deste dilema dizendo para a tal senhora: “Desculpe-me, mas surgiu um problema, vou ter que sair rapidinho e resolver, pois é urgente, fico devendo minha opinião sinto muito e tchau”.
Saí o mais rápido que meus pés em sapatos de saltos baixos me permitiram... Fui buscar outra vidraçaria e antes de entrar olhei bem para ver se não havia mais uma louca me espreitando, para pedir-me uma opinião tão esdrúxula!
Cada coisa que me acontece!!
Léah
 Painel em acrílico  -acervo-

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Meu Carnaval



                                                     flores aquarela


Começou dois dias antes do carnaval uma hóspede que nem foi convidada  bateu a minha porta, foi entrando como se fosse dona de meu corpinho, de minha cabeça, meus  ouvidos, minha voz e garganta e foi além do verão do Rio de Janeiro deixando minha temperatura bem alta! Ela é quase invencível, levou-me para a cama e prendeu-me nela dia e noite, deixando-me toda doída.

Só depois de dez dias livrei-me dela. Era uma bela manhã de verão, acordei pulei da cama, e sem espirros, vitamina C e antitérmicos, abri a janela, respirei o sol, inundei-me de alegria e abri a porta também, para expulsar de vez aquela gripe, essa hóspede indesejável que tantos dias me escravizou, mas ela sempre volta assim de surpresa, uma vez por ano, invadindo meu ser,  mas por agora estava livre, assim sendo, meu adeus para ela ou melhor leve para longe o seu: Atichiiiiiiiiiiiiiiiii....

Léah.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

                                        Pastel
SINCERIDADE??



Estava pensando o que é sinceridade, como ser sempre sincero? Será falar tudo que pensa e sente? Acho que não. Conheço pessoas que se dizem francas e sinceras: “falo tudo que penso”, mas às vezes isso é ofensivo dependendo de para quem você está falando o que pensa e em que situação ou momento.
Se uma pessoa a que todos classifiquem como muito feia, e ela lhe pergunta, na esperança de um elogio ou conforto, “você me acha feia?” O que responder? Com sinceridade e deixar a pobre além de feia complexada e mais infeliz, ou mentir piedosamente, deixando de ser sincera? Como se classificaria então esta mentira piedosa? Como falsidade ou como sinceridade piedosa?
  Que droga, sinceramente estou confusa e em dúvidas!
Será que existe a tal sinceridade? Acho que não, ela varia na razão direta da sua educação e na proporção de sua maldade ou piedade. Que neste caso aí a cima a resposta vai somar a impossibilidade de falar a verdade mais a incerteza de ser ou não ser sincero, isto está parecendo fórmula matemática, se bem que a vida é matemática pura.
Concluindo com sinceridade às vezes é bom e conveniente ser sincero e a gente se sente bem, e às vezes é justo o contrário, e é sempre uma saia justa. A conclusão é que esta tal sinceridade, não é tão sincera ela está mais para bem falsa, rsrsrsrs... 
Léah