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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vampira de energia alheia

"A Mascara" acrílico sobre tela de eucatex  35x 35

O telefone tocou cinco vezes Helena, fechou o chuveiro, enrolou-se na toalha e correu para atender.
-Alo...-
Do outro lado ouviu a voz de Leila, já quase gritando.
-Helenaaaa-
Helena chateada desligou o telefone sem dar chance de ouvi-la e voltou para o banheiro para se vestir. Assim que fechou a porta o telefone tornou a tocar.
Ela não se abalou, deixou-o vibrando sobre a mesa,  no vibra call.
Escolheu com cuidado sua roupa, uma blusa com estampa alegre em cores vivas, que realçava sua pele queimada pelos banhos de sol, e uma calça de alfaiataria preta, os sapatos de saltos finos e bem altos lhe conferiam elegância, maquiou-se, escolheu um perfume suave, conferiu mais uma vez a aparência no espelho, pegou sua pequena bolsa, guardou o celular e foi encontrar seu namorado ia conhecer seus pais e precisava estar bem.
Enquanto se vestia o telefone tocou três vezes, ela sabia que era Leila que queria se vingar do encontro inesperado e desastroso para ela  com Lucas. Queria  de alguma forma acabar com aquele namoro dele com Helena. No celular, no WhatsApp tentava de todas as formas falar com Helena, estava cega de raiva e inveja, queria de alguma forma dominar a situação.
Helena e Leila se conheciam desde o tempo da faculdade, não se podia chamar de amizade e sim de tolerância educada. Leila gostava de dominar e comandar tudo que pudesse da vida de Helena,  era como uma vampira sugando a energia e as vantagens materiais que Helena generosamente lhe oferecia, invejava sua beleza física e de alma, até sua união familiar com seus pais ela invejava.
Leila não era feia e poderia ser mais bonita se deixasse de ser tão rancorosa com certeza sua aparência refletiria seus bons sentimentos, seus romances sempre fracassavam, por sua própria culpa era do tipo que colava sufocando  o parceiro que logicamente iam embora.
 Quando as duas  saiam e surgia algum pretendente para Helena, o humor de Leila piorava, sua inveja era quase palpável, e exibia seu rancor no próprio rosto.
Era sexta feira e Leila chegou à casa de Dona Clara e Seu José, pais de Helena haviam marcado um fim de semana na casa de praia da família e ela foi convidada por Helena,  iam no mesmo carro. Helena passou no mercado para comprar algumas provisões e  Dona Clara arrumando as roupas nas mochilas.
-Dona Clara onde está Helena-?  Leila chegou perguntando de maneira autoritária
- Deve estar chegando, pois ligou pra mim  quando saiu do trabalho e disse que ia se atrasar.
- Meu Deus é uma eterna irresponsável, sempre se atrasando.
- Como assim, eterna irresponsável? Trabalha, não depende de ninguém,  está sempre nos assistindo quando precisamos, é ótima filha, ótima funcionária até elogiada, cumpre todos os seus compromissos, é ótima amiga porque esta raiva toda contra a minha filha?-
Há muito Dona Clara estava engasgada com as atitudes de Leila, e aquela frase foi a gota d’água.
-Nossa! Foi um simples comentário, e é porque toda vez que a gente marca uma saída ela se atrasa-
-Bem, geralmente ela se atrasa  porque ela sai da casa dela, que é longe da sua,  pega engarrafamento para te pegar no carro dela, visto que você não tem condução própria e ela como boa amiga te leva e te trás e você ainda vem falar mal da minha filha comigo? Tenha paciência,  mas isso eu não aturo, porque não é a primeira nem a segunda vez, mas é a última ! 
-Pela primeira vez Leila ficou calada, foi para o jardim e chorou.
Dona Clara, mulher experiente notava a péssima amiga da filha, mas sem querer interferir o que era muito difícil para ela como mãe, e quando falava alguma coisa mesmo sutilmente Helena dizia:  -Mãe deixa pra lá, eu sei como ela é, um dia resolvo, ela é muito frustrada...
Durante aquele final de semana, Leila evitou conversar com Dona Clara, mas se queixou com Helena contando a história do jeito dela.
- Leila escutei a história do jeito que você me contou, não vou cobrar nada de minha mãe ela deve ter tido as razões dela, pois toda história tem duas ou mais versões, e eu sempre vou ficar do lado dela, não do seu. Aquele assunto morreu ali, mas Helena resolveu que ia se afastar de Leila, as interferências dela em sua vida estavam extrapolando os limites suportáveis.
Quando Helena estava em São Paulo no casamento de uma prima, conheceu Lucas começaram um namoro que foi se firmando. Leila não sabia desse namoro,  durante uns meses Helena conseguiu driblá-la evitando de se encontrar com ela alegando excesso de trabalho,  até que um dia Lucas e Helena estavam num shopping e dão de cara com Leila, que veio cobrando:
- Olá, Helena anda fugindo de mim? Há quantos dias  não nos vemos, não atende meus telefonemas, nem qualquer tipo de comunicação, o que está acontecendo, o que tens contra mim? –
Lucas já estava ciente do comportamento invasivo de Leila, mas mesmo assim ficou calado, e esperou a reação de Helena.
-Oi Leila, boa tarde para você também, não tenho nada contra você só que ando muito atribulada com muito trabalho e nada de importante para conversarmos, então não tenho podido te dar prioridade. -
-Ah, é isso que estou vendo estas aqui trabalhando  agora? –
-O que de urgente você quer falar comigo? Aproveita que estou aqui-
- Lucas interveio,
-Como é mesmo seu nome?
-Leila, e o seu, quem é você, já que a educada da Helena não nos apresentou.
-Ah, meu nome é Lucas, mas  você ia para o lado contrário ao nosso, continue seu caminho, pois estamos com certa pressa porque  o amor nos chama. Outra hora você destila mais veneno, agora não dá, adeus...
Segurou a cintura de Helena, deu tchau para Leila, que ficou sem ação, não esperava escutar isso, nem tão pouco Helena, que adorou, sentiu-se apoiada pelo homem que amava.
O casal foi embora juntinhos, sem olhar para traz.
 Depois deste encontro com o casal é que Leila ficou mais desesperada  louca para se vingar, as pessoas estavam tirando sua máscara e ela precisava como se fosse uma vampira sugar a energia de Helena, antes tão passiva.  Tentou de maneira incansável atrapalhar aquele namoro, mas nunca conseguiu, até  no Facebook ela  fez intrigas contra Helena que simplesmente a ignorou até que se cansasse.
Hoje, já dois anos se passaram, elas não se falam mais, e nem foi convidada para o casamento de Lucas e Helena, que aconteceu, enquanto Leila se gastava fazendo intrigas. Os dois estão muito felizes sem vampiras de energia sugando-os.
Happy End.                                    
Léah

18 comentários:

  1. Olá Léah
    Que conto fantástico! E quantas verdades nas entrelinhas heim?
    Amigas vampiras só querem sugar o que temos de melhor. A inveja é um sentimento ruim e perigoso pois acaba afastando as pessoas e na maioria dos relacionamentos é o responsável pelo fim. Numa relação de amizade não há espaço para inveja. Parabéns pelo conto espetacular
    E a tela é magnífica minha amiga. Adorei
    Beijos e sorrisos

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    1. Tive algumas pessoas assim, passando pelo meu caminho, são as pedras...
      Obrigada pela visita e comentário, amei tudo.
      beijinhos, Léah

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  2. Oi Leah, lindo conto e linda máscara veneziana. Sou louco por máscaras sem nunca as ter usado, mas acho um barato o anonimato fantasioso como a fantasia de Leila que não conhecia o poder do amor, para usar máscaras e não poder mais arranca-las por já estarem coladas ao rosto, como dizia Fernando Pessoa. Parabéns! Voltarei mais vezes. Abraço cordial. Laerte (Silo).

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    1. Olá Laerte, Que bom que você me achou, assim pude achar seu blog do qual gostei muito. Será um prazer vê-lo por aqui mais vezes, obrigada pela gentileza do comentário.
      grande abraço, Léah
      .

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  3. Léah querida, abomino a inveja, ela traz consigo todos os tipos de sentimentos que detestamos; é destrutivo, impossível aguentarmos alguém assim. E você narrou muito bem, essas pessoas ficam rondando até dar o bote. Criativo seu conto, muito real. Eu fujo, amiga! Antigamente eu rebatia, queria mostrar à pessoa o absurdo, mas desisti, é... a gente aprende, a vida ensina.
    Beijinho, amiga.

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    1. Olá Taís querida aguentar gente invejosa é uma luta constante para mim, e as vezes a pessoa que nos inveja está até em melhor situação que o invejado, é um sentimento que não dá para entender, só que quando parte de pessoas da família é pior ainda.
      Transforma-se em terror :<
      beijinhos

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  4. Un lavoro strepitoso, bellissima questa maschera , molto intrigante ! Abbraccio.

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    1. Obrigada amiga Jane, bom ver você por aqui.
      boa semana,
      beijinhos,
      Léah

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  5. Há muita vampirinha invejosa, Léah, mas esta era tremenda!
    Gostei muito do conto que li com a maior curiosidade, pois está muito bem narrado e escrito.
    Dias felizes, estimada amiga.
    Beijos.
    ~~~

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    1. È verdade amiga.
      Obrigada pela presença e comentário tão gentil por aqui.
      Boa semana,
      beijinhos
      Léah

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  6. ¡Hola, Léah!!!

    Nos dejas un interesante relato que bien pudiera ser realidad, pues en la vida desafortunadamente, hay muchas personas así fantasiosas y envidiosas como Leila que harán lo imposible, se armarán de astucia para conseguir su objetivo.

    A Dios gracias no consiguió su propósito, y Helena como persona sensata consiguió el amor merecido.
    Me encanta la máscara que es una de tus obras de tu divino Arte. Te felicito.
    Un abrazo, mi inmensa gratitud y estima.

    Se muy feliz.

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    1. Gracias Marina por suas palavras. na vida sempre encontramos pessoas como essa da historia. O jeito é nos livrarmos delas o mais depressa possível.
      Beijinhos, boa semana.
      Léah

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  7. Querida Léah
    Infelizmente há muitas "Leilas"que só pensam em fazer mal e sugam todas as energias de quem lhes dá confiança.
    O seu conto tem muito de verdadeiro e está muito bem contado.
    Gostei muito.

    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Olá Mariazita querida, eu já topei com algumas pelo caminho e me livrei delas rapidinho, quem quer isso para a vida?!
      Obrigada pelo comentário estive no seu blog vi o vídeo de niver e achei o máximo, mas nem deu para comentar, caiu por aqui uma chuvarada e a luz apagou e a internet só no dia seguinte , agora vou voltar lá.
      beijinhos, Léah

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  8. Bom dia!
    Adorei a máscara.
    Uma amiga diz-me muitas vezes que "cá se fazem, cá se pagam"! Tomara que isso fosse verdade! Tenho dúvidas. Há muitas Leilas por aí à solta que fazem tão bem seu papel e não são desmascaradas!
    Beijinho, adorei o rexto!

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  9. Ola querida Graça, acho que nem sempre sempre a gente vê as mascaras dessas Leilas caírem...O importante é a gente se livrar dessas perseguintes,isso é um alívio para nós, para elas é um castigo.:) .

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  10. Olá Leáh.
    Gostei do seu conto, “Vampira de energia alheia”. Uma bela história, como você sabe contar , cheia de vivacidade e uma boa trama. Esta é contada no tempo bem atual, com o que se tem de moderno na comunicação. Parabéns pelo conto e pela “Máscara”, pintura que tem a sua assinatura. Uma bela tela.
    Abraço. Pedro.

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  11. Minha amiga, costumo dizer que pessoas como a Leila são tóxicas e que devemos evitar nos cruzarmos com elas :)
    Uma máscara linda essa que pintou, não tendo nada a ver com a máscara da vampira :)
    Um beijinho

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