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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O BARCO x O BMW

45cm x 32cm óleo sobre tela

Era sempre assim o silêncio só era quebrado na hora da saída das crianças da escola do final da rua dentro do condomínio, mas era agradável ouvir aqueles gritinhos da meninada correndo na rua aladeirada  para ver quem chegava primeiro no portão . Meia hora depois outra vez o silêncio reinava solto. Naquele dia foi diferente  quando tudo parecia rotina  um homem começou a gritar chamando desesperadamente  o vizinho três casas distante da dele no lado contrario da rua .
“-Fulano, fulano ...-“  Chamava com tanta insistência que eu achei deve estar precisando de ajuda,  será que está passando mal, ou alguém da família? Como eu estava no andar de cima, olhei pela janela e o vi,  ele já não estava em sua porta havia andado quase até a porta do ‘fulano’ que ele tanto chamava, porém sem atravessar a rua .
A minha vizinha de frente também apreensiva chegou na varanda  talvez pensando como eu, espichou-se  e arriscou um “ Oi, tá tudo bem?” Mas ele não respondeu além de ter se afastado mais dali de perto do alcance dela.
Surgiu mas alguém n’outro portão, o porteiro  largou seu posto e veio andando também para acudir, mas o gritão se afastava andando mais para perto da casa do “fulano”, evitando  a proximidade dos outros.
O fulano deve ter se dignado  a aparecer na janela, ai   o que se ouviu foi um disparate gritou o gritão para que o fulano ouvisse e também todos os preocupados vizinhos: - ““-- Olhe só o que eu comprei um barco , você tem um BMW,  esse barco é meu BMW...”, quando puder vem aqui vê-lo de perto”_. E saiu todo esticado como se tivesse crescido em tamanho e importância. 
Não sei qual a resposta do ‘fulano “ que eu não ouvi, nem vi, estava num ângulo que meu olhar abismado não alcançava. Sai da janela  cheia de vergonha pelo gritão e ao mesmo tempo com tanta  pena, como uma pessoa se sente assim tão sem importância, se desvalorizando  tanto  a ponto de ter a necessidade de possuir um bem material que equivalha ao do outro para se sentir com algum valor como ser humano.
O barco permaneceu ali na rua em frente à sua porta muitos dias, e podia se ver  lá  estava seu dono todo aprumado vaidoso, por ali alisando o barco ou se postando diante dele e fazia questão de esticar e pousar a mão no “barco BMW”, quando alguém passava, só  para demonstrar  sua importante propriedade. Agora ele era um homem de valor poderoso e rico. Era essa a imagem que ele passava.
 Depois de algum tempo ouvia-se e via-se  alguém furando martelando, consertando o tal barco, e mais um tempo depois ele  foi rebocado. E o dono do barco parecia ter murchado  como uma boia vazia,  o barco estava mais para  fusca  do que para BMW...
São as tristezas  de alguns humanos , só acham que têm valor quem ostenta, quem tem muito dinheiro, em menor medida, mas em comportamento semelhante   vejam só, são nossos políticos   por conta desta vaidade, da ganância de querer ter o que não podem , quererem ostentar roubam, nem que para isso destruam vidas e sonhos, e até destruam um país .
 Isso virou moda, mas moda muda e passa.
Fim,
Léah


21 comentários:

  1. Linda tela, amei ver amiga Léah!
    Texto que mostra bem o que está acontecendo com as distorções de valores, infelizmente é assim!
    Abraços apertados!

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    1. Querida amiga Ivone
      Grata pelo comentário, amei ver-te
      por aqui.
      bjins.Léah

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  2. Hay muchas personas que solo le dan valor a lo material olvidándose de lo importante. Parece que se creen que se van a llevar los bienes y el dinero con ellos a la tumba.
    Nunca comprenderé la ambición y presunción.
    Léah, preciosa la marina que nos dejas hoy, parece que el mar está vivo.
    Precioso, me encanta esta pintura.
    Besos y buen fin de semana.

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    1. Olá linda poeta: Você tem razão se esquecem do bom da vida, do amor, de viver com simplicidade, de curtir a vida enquanto a têm e com o que têm...
      bjins.
      Léah

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  3. Querida Léah, gente assim há em todo o lado e a mim também causam pena. Mas o pior mesmo é quando ostentam, prejudicando e roubando, aí não tenho pena, tenho um profundo desprezo.
    A sua tela parece uma foto de tão realista que está, parabéns!

    Um beijinho e bom final de semana

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    1. Olá Fê: Acho que esse tipo de pessoa acaba poluindo os ambientes de alguma forma, ou nos deixam injuriados, penalizados e com vontade de sacudi-los para que acordem para a realidade ou com vontade ou irados com vontade de mandá-los para a Sibéria.
      Grata pelo comentário e bom final de semana para você também.
      bjin. Léah

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  4. A ostentação é uma praga social, mas são principalmente os novos-ricos e os de "dinheiro fácil" que mais a praticam.
    Excelente tela, de tal pormenor que até parece foto...
    Léah, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  5. Olá Jaime bom vê-lo por aqui e obrigada pelo elogio à marinha, que é para mim o tema mais difícil e demorado, mas o mar sempre me inspira, talvez um dia me proponha a aprender a fotografar, mas por enquanto em questão de fotos sou nota zero :)...
    beijinhos, Léah

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  6. Diverti-me bastante com o seu texto esmerado e animado com uma ironia elegante.
    Concordo com o aspeto confrangedor, porém, neste caso, há o lado patético...
    Já as grandes aves de rapina, inspiram desprezo, mas são poderosas e horrorosas.

    A sua tela está um espanto de perfeição.
    Belíssima!
    Beijinhos, Léah.
    ~~~~~~~~~

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    1. Olá Majo; Obrigada pelo comentário tão gentil à minha arte. Quanto as aves de rapina fizeram um enorme ninho aqui no Brasil que quase acabou com esse meu País.
      beijinhos, Léah

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  7. Oi, querida amiga!! Primeiro, antes que eu esqueça... que tela linda, que realismo Léah! Adorável.
    Bem, quando ao exibidão, ('farolento' - gíria gaúcha), é triste conviver com essa gente, também tenho experiência nesse quesito. Mas não dou a mínima. Geralmente são pessoas superficiais, egoístas, trazem junto muitos problemas de ordem emocional que nos afastam. E aprendi a deixá-las de lado...Eles não aguentam que o outro apareça com algo mais bonito, mais caro. Cruzes. Veja o que está acontecendo com nossos políticos milionários... valeu a pena? Quanta desmoralização e vergonha.
    Um beijão, querida! Um bom 'findi'.

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    1. Querida amiga obrigada pelo elogio a minha marinha. Quanto aos vizinhos sou muito arredia com relação a eles, infelizmente vizinhos a gente não escolhe é sempre uma questão de sorte ou falta dela.Para mim caiu a segunda.:{
      beijinhos, Léah

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  8. Muito engraçado o seu texto, amiga, mas casos desses há muitos, infelizmente, embora esse cause mais estranheza pelo facto do homem gritar tanto. Sabe, perto da cidade onde moro havia um homem que tinha um tractor moderno, reluzente de novo para trabalhar os campos agricolas: um seu vizinho, para não ficar atrás, substitui o velho tractor que tinha por um igual ao do outro homem; todo satisfeito lá trouxe a máquina para casa, mas a alegria acabou depressa; tinha-se esquecido de medir o portão e para grande desgosto, não conseguiu metê-lo dentro de casa. Parece ficção, mas é a pura realidade; deu-lhe trabalho ter trocado o seu tractorzinho pelo novo só para se equiparar ao vizinho, além do mais foi motivo de chacota na vizinhança. Como vê o ser humano é igual em todo o lado e hoje em dia o que importa é o parecer e não o ser. Felizmente que ainda há quem dê valor ao que é essencial e aprecie os pequenos gestos, os afetos, as boas recordações, como foi o caso da " cadeirinha de balanço da vovó" . Um objeto simples, mas de um valor incalculável; nenhum BMW conseguiria provocar sentimentos e saudades tão grandes e tão gostosas. Quem me dera ter uma cadeirinha de balanço da minha avó. Infelizmente não tenho. Obrigada, Leha pelos dois belos textos e parabéns pela tela, está linda! Beijinhos
    Emilia

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  9. Achei muito engraçada a historia do tratorzinho, é a humanidade tem desses seres sem noção, é um misto de inveja com mania de grandeza.Emília querida eu é que agradeço sua visita, suas palavras, sua delicadeza.Fico feliz em ter encontrado mais uma amiga.
    Fique bem, beijinhos,
    Léah

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  10. Bonita pintura!
    O mundo é composto de gente assim, também...infelizmente!
    bjs

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  11. Graça infelizmente mesmo, concordo plenamente.
    beijinhos, Léah

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  12. Lindíssima tela, quase que se sente o cheirinho a maresia.
    Infelizmente minha amiga existem muitas pessoas assim.
    Beijinhos
    Maria

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  13. Quanta energia jogada fora, nessa luta para sentir-se importante! Quanta coisa há no mundo, na nossa cidade, no nosso bairro para nos envolver: cinema, livros, artes plásticas, os mais variados esportes! Sem falar nos amigos reunidos para uma rodada de vinho, ou de cerveja ou de cafezinho…
    Uma bela crônica, amiga Leáh, que diz bem da inutilidade dos esforços, que são feitos por pessoas vazias, para parecerem superiores.
    Abraços.
    Pedro.

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  14. Olá Pedro quando constato a existência cada vez maior de pessoas assim dá uma desesperança de que a humanidade evolua...
    Abraços, obrigada pelo comentário.
    Léah

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  15. É... vivemos numa época em que todo o mundo aposta no ter... pouco se preocupando em ser... algo de bom, pelo menos...
    É triste... mas os valores... que não são mensuráveis numa qualquer unidade monetária, hoje em dia... parecem que pouco valor têm...
    Mais uma vez, apreciando de queixo caído uma das suas pinturas, Léah!
    São de um realismo tal... que à primeira vista bem poderiam passar por fotografia!...
    Extraordinário trabalho!!!
    Beijinhos
    Ana

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