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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Conquista

desenho crayon
O cheirinho gostoso das tortas recém-assadas enchiam a casa, o número das tortas expostas na mesa da cozinha começavam a crescer, umas de morango, de abacaxi, de coco, era um festival de cores e sabores.
Matilde levava sua profissão de doceira a sério e para cumprir seus prazos de entrega seu dia começava antes do amanhecer ia até às seis horas da noite, quando ela mudava completamente de aparência, tomava um banho se maquiava soltava seus lindos cabelos que ficavam embutidos numa touca durante o trabalho, colocava um vestido justo que realçava as curvas de seu corpo e ia toda faceira entregar seus doces na confeitaria do Manoel.
Todo este preparo de se colocar linda nada mais era do que uma artimanha para conquistar seu Manoel, um português pintoso, com um sorriso que fazia estremecer os joelhos de Matilde, e ele maldosamente bem sabia de seu poder e fingia nada sentir por ela.
Passavam dias e meses e Matilde naquela rotina vã para conquistar o Manoel. Um dia ela resolveu fazer guerra, pediu ajuda ao Juca um mulato malandro que andava atrás dela como um cão farejador. Matilde sonhava alto queria ser dona de seu negócio e gostava daquele portuga, não seria o Juca quem iria lhe dar essa vida de amor e sucesso.
“_Juca preciso que me ajude a levar as tortas na confeitaria, você pode me fazer esse favorzinho?-“-Juca viu naquele favorzinho um pedido de casamento, e ficou todo empolgado e sorrindo para Matilde com seus poucos dentes, afinal ele se daria bem muito bem se ela se casasse com ele, mulher trabalhadeira, bonita, gostosa, entraria dinheiro no seu bolso e só teria de entregar as tortas,  pouco  trabalho. Era o sonho de consumo do Juca, casar com Matilde.
Quando Manoel viu Matilde toda sorrisos para o Juca, o sangue ferveu, e foi logo dizendo sem cerimonia.
“_ Acho que estou a te pagar muito bem,  Matilde estas muito chique tens secretário agora?_”
Arrancou a cesta de tortas das mãos do Juca e colocou as tortas no balcão com tanta raiva e ciúme que deixou uma se espatifar no chão.
“_E ainda me das prejuízo, ora pois, estou sem dinheiro hoje te pago amanhã._”
Juca já se adonando de Matilde achou que precisava defendê-la, pensando mais no dinheiro que o português estava se negando a pagar e que talvez ele até recebesse uns trocados por ter carregado aquele cesto.
“__Não nada disso Manoel, ela trabalhou hoje recebe hoje.__”
“__Ah, além de secretário é também seu caixa?__”
Matilde até estava gostando daquele bate boca por sua causa, e colocou no rosto um ar de inocente desprotegida.
“__Deixe Juca, não tem problema eu confio no Manoel, ele me paga amanhã com certeza, só não sei se vou ter dinheiro suficiente para comprar o material para os doces amanhã, você me empresta algum Juca?__”
Os olhos do Juca perderam o espaço na cara de tão  arregalados, como ele ia emprestar dinheiro? Que dinheiro se não tinha nenhum! Mas antes que ele pensasse ou abrisse sua boca com aqueles poucos dentes, Manoel percebeu que estaria perdendo terreno para o Juca, que ele não sabia que era um pé-rapado, sem dinheiro algum, meteu a mão no bolso e tirou o dinheiro, que na verdade já estava ali para Matilde  dizendo:
“__Tá bom, tá bom, vou tirar do meu, pois na caixa nada tenho, mas vê se amanhã não trazes esse secretário que me deu azar. __”
“__Trouxe o Juca para me ajudar por estar com dor no braço de tanto esticar massa de torta, e o cesto é pesado, Manoel.__”
 Matilde falou quase gemendo, o que amoleceu o olhar e o coração de Manoel, que nos dias seguintes passou ele às dezoito horas a ir buscar o cesto na casa de Matilde, até que meses depois levou  também a Matilde, só que  para o altar, enquanto o Juca foi correr atrás de outra qualquer que trabalhasse e ganhasse dinheiro para ele.
                                                                Fim
Léah

9 comentários:

  1. rss, as mulheres e suas artimanhas... e deu certo, não? Gostosa essa história, Léah, fui até o final num sopro só. Mas que iria acontecer alguma coisa, eu já sabia... Muito boa essa tua maneira de contar, seca, objetiva, mas com charme.
    Beijinho, querida amiga! Um bom fim de semana, o Rio deve estar em ebulição, só mostram Olimpíada via TV.

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  2. Ah, ótima tua pintura! Lembrei do Movimento Pop-Art e de Andy Warhol... Que sucesso.
    bjs

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    1. Só mesmo sendo amiga, não chego nem perto, ele foi um grande artista, e dono de ilustrações maravilhosas. De toda forma muito obrigada pelo gentil elogio.
      Às vezes acho que moro fora do planeta aqui neste meu cantinho, moro na Barra da Tijuca, mas na minha rua é um silêncio profundo.
      só mesmo pela TV, pois não vou para a multidão nem amarrada, acho até estranho tanta euforia! Tanto faz que seja Copa, Olimpíadas ou carnaval,fico aqui no meu 'planeta' ou saio do Rio.
      Vou torcer sentada no conforto sem empurra, empurra, gritos, fumantes, beberrões. Não é bom assim?
      beijinhos, Léah

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  3. Leáh,
    No fundo, Manoel sabia que Matilde não era para o bico de Juca,
    apenas deu um pouco de tempo, sem contudo deixar muito espaço ao rival. Um belo conto. Parabéns.
    Um ótimo final de semana.
    Abraço.
    Pedro.
    PS: Parabéns também pelo seu desenho crayon.

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    1. Olá Pedro Obrigada pelo gentil comentário.
      Bom final de semana para você também.
      Grande abraço, Léah

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  4. Your paintings are beautiful! Greetings from Montreal, Canada. :)

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  5. Thank you for greetings,
    big hug, Léah

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  6. E felizmente, deu tudo certo!...
    Mas no lugar do Juca... Poderia ter surgido um outro Manuel... e este talvez já não tivesse tanta hipótese assim...
    Adorei o texto... bem real!...
    Só hoje deu para passar por aqui, Leah, nestes dias super atarefados, antes de me ausentar para férias, por algumas semanitas... mas contando voltar lá para o início de Setembro...
    E aproveitando para agradecer sua imensa simpatia, por lá no meu canto, que a pressa destes últimos dias, não deixou corresponder, à sua atenção e carinho, como mereceria...
    Um beijinho grande! E até breve!...
    E antes que me esqueça... já estou seguindo, seu adorável blog...
    Tudo de bom!
    Ana

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  7. Ana ótimas férias que seja um tempo cheio de alegria, bom tempo, e bom descanso.
    Muito obrigada pelo gentil comentário.
    Mil beijinhos, Léah

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