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sexta-feira, 8 de julho de 2016

O Mentiroso

Óleo sobre tela Abstrato 35x17 "Anoitecer"



Era extremamente vaidoso, em todos os setores de sua vida, embora fosse insossa e comum,
Gostava de ser reverenciado, admirado, queria que os colegas de trabalho o achassem mais inteligente do que realmente era, que sua mulher o elogiasse em tudo que fazia e para  o que
não fazia tinha sempre uma justificativa elogiosa para ele mesmo, gostava de aparentar uma riqueza que não possuía e por isso se endividava. A bem da verdade Álvaro era um sujeito insuportável.
Álvaro, estava morando no prédio recém-construído, com apartamentos vendidos pela Caixa Econômica, assim como todos os seus vizinhos, mas mesmo assim contava a mentira de que o havia pago a vista.
“-Não compro nada à prazo, ficar pagando essas prestaçõezinhas  pelo resto da vida, gostei do apartamento, tenho dinheiro comprei, simples assim.”- dizia ele a cada vizinho que encontrava no elevador. Sua mulher compartilhava da balela com o nariz bem empinado, se achando rica e mais importante que todo mundo.
Todos os moradores eram recentes no prédio que ainda não tinha síndico constituído, para o que foi convocada uma reunião para a eleição. Dentre os que compareceram havia o representante da construtora que conduzia a reunião, e com a lista dos compradores e seus dados em mãos. Todos se apresentaram dizendo seus nomes e o apê que ocupavam. Um morador de aparência simples, parecendo ser humilde educado e discreto, de nome Samuel ofereceu-se para o cargo, Álvaro quase pulou da cadeira e ofereceu-se também. O representante da construtora sugeriu que antes da votação, os candidatos teriam que falar sobre suas pretensões e ideias para melhorarem as dependências externas e comuns do prédio, demarcação das vagas de garagem, playground, salão de festas, horários, valor do condomínio... Álvaro nem conseguia se sentar, ansioso pela vaga, começou  a dissertar seus “valores” pessoais, suas mentiras, e que tinha comprado seu apê à vista, esquecendo-se até do representante da construtora, bem ali sabendo de sua deslavada mentira, sem dar chance a Samuel de falar, até que alguns moradores pediram-lhe para dar a vez ao outro candidato! Começou então Samuel:
“-Bem é de meu interesse melhorar o máximo possível este prédio, pois sou dono de quatro apartamentos aqui, num moro com minha esposa, e em cada um dos três moram meus filhos, casados com seus três filhos .
Não sou um homem rico como o senhor Álvaro, talvez nem tão inteligente como ele, já sou aposentado e tenho tempo livre que gostaria de ocupar ajudando a esta nossa comunidade, antes que me esqueça sou o único morador que comprou todos os apartamentos à vista, e por conta disto gostaria de pagar a instalação dos interfones, valor que seria descontado no de meu condomínio durante um ano, e que se for eu o escolhido que tudo isso conste da ata...- “
Assim, continuou o senhor Samuel colocando todas as suas ideias  de organização para o bom andamento e funcionamento do condomínio, é claro que foi o escolhido para síndico.
Mas, para espanto de todos, antes da votação Álvaro já havia saído de fininho de modo desapercebido sem deixar rastro.
Léah
 
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6 comentários:

  1. Há quem não tenha onde cair morto e ostente uma sobranceria insuportável. O mundo está cheio deles... Mas acabam por se estatelar e ficar com a careca ao sol, tal como o Álvaro.
    Gostei da sua tela "Anoitecer".
    Léah, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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    1. Com toda certeza tem sempre alguém assim no caminho saturando a paciência.
      bjs. Léah

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  2. Que horrível esse tipo de gente! Mas é aquela velha coisa, querida Léah, quem tem, quem é alguma coisa - realmente - não precisa anunciar. Seu comportamento dirá, na discrição. Esse exibicionismo é doentio, é patológico. Irritante! E a gente presencia muito. E ninguém tem muita paciência com isso. Que carência infeliz. Tua crônica é tão real que dá raiva kkkkk. Muito bom trocarmos experiências do cotidiano, quando acontecer algo semelhante, tenho certeza que lembrarei de ti!!!
    Beijinho!

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    1. É realmente desagradável encontrar esses tipos e já encontrei tantos!
      bjs. Léah

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  3. Puro materialismo!
    Eu prefiro o "ser" ao "parecer".
    Beijinho

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    1. Também eu tenho esta preferência arraigada em mim.
      bjs, Léah

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