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sexta-feira, 10 de junho de 2016

óleo sobre tela 40x35cm. Um dia de verão

 A ADAPTAÇÃO:
A cidade era pequena e interiorana, as ruas eram arborizadas e viam-se todas as manhãs mulheres varrendo suas calçadas nas frentes de seus portões, como se estivessem participando de uma maratona não deixavam nem uma folhinha sequer no chão, era interessante e estranho.
Resolvi aproveitar uma tarde quente para rodar pelas ruas e conhecer o novo lugar de minha moradia, eram casas muito parecidas umas com as outras, numa cidade achatada na minha visão, pois não havia prédios de apartamentos, o comercio de rua era concentrado numa praça, ali era o ponto social da cidade, uma igreja, um cinema onde só se via anunciado filmes antigos de ‘bang-bang’, e um corredor com meia dúzia de lojas que chamavam de shopping. Acostumada em uma grande capital a vida toda e morando sempre próximo ao mar, comecei a ficar preocupada e com medo de não me adaptar e sabia que teria que ficar lá muito tempo, alguns anos ou para sempre!  Voltei rapidamente para casa e procurei tirar as borboletas negras que voavam em minha mente e me concentrei na arrumação das caixas da mudança. Foram dias difíceis e nada de me acostumar com aquela vida de monotonia diária. Minha solidão era de alucinar, meu marido saia para o trabalho, meus filhos para seus cursos, e  eu para nada.
Ninguém estava se adaptando,  as pessoas do trabalho do marido eram daquele lugar, tinham seus próprios amigos,  e tinham preconceito contra as pessoas do Rio de Janeiro sei lá porque, pois apesar da minha inadaptação nunca reclamei com ninguém de fora da minha família, mas para tentar sair daquela situação, promovi um almoço de confraternização com aquelas pessoas. Trabalhei como uma louca, e fiz um auto almoço, que foi elogiado e comido. Que bom, pensei. Aguardei durante meses o retorno de um convite até para um cafezinho, é o que manda a etiqueta, né? Mas não veio. Continuei na solidão.
Um dia resolvi voltar para nosso apartamento no Rio, enlouquecida e desesperada peguei o carro e viajei dirigindo sozinha e chorando e socando o volante, por vários quilômetros, parei numa loja daquelas de estrada, sentei-me para analisar a situação pensei nos filhos, no marido, retornei por todos não por mim. Aguardava-me a monotonia, a pasmaceira.
Em vista disso e por amor principalmente, todos os finais de semana, meu marido programava um passeio, íamos às cidades vizinhas, e todas, diga-se de passagem, tinham quase que a mesma estrutura, uma praça, uma igreja, um pequeno comércio. Era de enlouquecer!  Mas o esforço dele para que eu não ficasse deprimida ou louca me fez amá-lo mais ainda.
 Comecei a pintar vários quadros pra fazer uma exposição individual  na minha cidade, aluguei um espaço e tive umas semanas de completa felicidade. E pelo menos uma vez por mês voltava ao Rio de Janeiro com os filhos e marido e nos reabastecíamos de tudo que não tínhamos por lá, rever os amigos, rir, falar, cinema, teatro, praia, como dizíamos íamos para tomar as mamadeiras.
Ficamos por lá durante dois anos até ele ser requisitado para outra cidade mais longe em outro estado que detestei mais ainda, e mais difícil de virmos ao Rio em nossas fugidas. E lá se foram mais dois anos, sem mar, longe dos amigos e do meu ambiente, do meu ninho, longe dos filhos por estarem na faculdade mais próxima da ex-cidade.
Nesse interim apareceu uma pessoa querendo comprar nosso apartamento no Rio, como não tínhamos esperanças de voltar, e estava dando despesas e muito abandonado se deteriorando, optamos por vender.
“-Oh vida, Oh azar!! Como dizia a hiena pessimista do desenho de Hanna Barbera lippy hardy,” pois, no mês seguinte à venda do apê, a Petrobras mandou-nos de volta para o Rio de Janeiro, só que estávamos sem apê! Tivemos que morar de aluguel até comprarmos outro, mas a felicidade de voltar compensou o aluguel, a procura diária de moradia própria, a transferência de faculdade dos filhos, pela segunda vez.
Estas nossas idas para outras cidades já eram para corrigir os erros dos funcionários apadrinhados que entravam pela janela, afilhados dos políticos. Pelo tempo que lá ficávamos dá para sentir o tamanho da burrice dos apadrinhados e de quem os colocava lá. Meu marido é economista e ficava muito furioso com o tamanho das besteiras que faziam e  tendo que ver, corrigir, e ouvi-los  se dizendo economistas, ele até desconfiava que haviam comprado os diplomas , se é que o tinham realmente! Coisas da Petrobras, desde sempre, um dia a situação ia estourar, e foi o que aconteceu. Como “dizem os assaltantes ‘‘ perdeu, A casa caiu”.
Léah


22 comentários:

  1. Comprendo las dificultades de adaptación. Siempre cuesta salir del entorno donde uno ha hecho la vida durante un tiempo, y tenerse que ir a otro lugar, pero bueno al final las cosas se terminan arreglando, y mientras haya salud todo se supera.
    Precioso óleo el que nos dejas, aunque me parecía haberlo visto en otra ocasión.
    Siempre unos colores preciosos en tus cuadros llenos de luz.
    Un beso y feliz fin de semana.

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  2. Querida Elda, foi um tempo de minha vida que ficou gravado, pois causou preocupações, atrasos no estudo de meus filhos com tantas transferências, além de causar outros tipos de prejuízos.
    Gracias pela visita e comentário.
    beijinhos, Léah

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  3. Querida Elda: quanto ao quadro é impossível para um pintor fazer dois quadros iguais, e acabei de pintá-lo e fotografado, antes mesmo de estar seco.
    É novinho :)

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  4. Preciosa pintura.
    La luz que refleja al fon deo camino es toda una esperanza.
    UN ABRAZO.

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    1. Obrigada pela visita e elogioso comentário.
      beijinhos, Léah

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  5. Querida amiga Léah, lindo seu trabalho de pintura, nossa, tens talento, não só em pituras como na escrita, pois me conduzistes em seu relato e me fez pensar, pois quem vive assim, mudando, como funcionário concursado da Petrobrás, é o meu filho, ele e a família estão morando faz três anos em Manaus!
    Já fui lá três vezes para rever meus netos, assim é, estão se adaptando, ainda bem, não se sabe por quanto tempo?!
    Abraços linda amiga!

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    1. Querida Ivone eu acredito que quando estamos começando a vida com filhos menores ou quando se tem uma atividade fora de casa a gente se adapta, mas meus filhos já na faculdade e tudo que eu fazia aqui no Rio tive que encerrar, lá eu me senti regra-três e doméstica demais:):)!Torso para que seu filho e família se adaptem ainda são novos suponho.
      Obrigada pelo comentário e elogios,
      bom domingo,
      beijinhos,Léah
      (aqui está um frriiooo e o mar de ressaca...carioca não gosta de frio,
      rrrrrrr...)Eu ODEIO.

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  6. Virgi Maria... não sabia se ria ou chorava com esse teu relato meio doido! Olha, mana, eu piraria, ficaria de atar em camisa de força. Realmente era de ficar entre a cruz e a espada. Gosto de morar perto do 'foco', do movimento, mas em rua calma. Imaginei até o teu almoço!!! kkk
    Bem que esse perigo não corres mais, se não me engano teu marido está aposentado, não? Essas são as histórias que gostamos de escrever e de ler! Aprendemos com os erros dos outros... kk
    Beijinho, adorei tuas estripulias.

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  7. Irmãzinha o frio aqui está para carioca se sentir no polo, o mar de ressaca,(lindo!)mas o vento a umidade são gélidos, estou aqui tentando teclar de luvas, pois as mão ficam duras.É realmente e ainda bem, que o Henrique
    está aposentado, agora somos fiscais da natureza, olhando para a paisagem o dia inteiro, kkkkk...
    Não é tanto assim, mas está ótimo.
    Adorei o comentário.
    Beijinhos,
    Léah

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  8. Aqui está medonho, nunca chegamos a isso! E só pra te alertar, carioca aqui pega pneumonia!! Soube disso quando fui fazer alguns exames há 3 dias kkk
    Vocês querem ver neve mas não contam com essa... Cuidado, sim! Me imaginei naquela cidade mais fria do mundo, do meu post!!! Credo. Nem de graça a visitinha...
    bj

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    1. Obrigada por me alertar,mas eu já vi neve na Espanha e não quero ver de novo, nem sentir, no inverno gostaria de estar no Ceará :)...
      beijos

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  9. Olá, Léah.
    A vida "de lá para cá" que mexe com estruturas da gente e da família... é complicado. Mas já passou, já vai no tempo e, agora serve de tema para crónicas excelentes ;) - vejamos o lado bom da coisa, depois do sofrimento passado e ultrapassado.
    Revi-me, não exactamente nas andanças, mas na mudança para uma terra à qual a gente não pertence - há casos em que corre bem, outros nem tanto - em que, por um acaso das forças, sabe-se lá quais, que as pessoas não nos recebem tão bem, como suas, e o afastamento se impõe - passei por isso na minha vinda para Portugal, em que há 30 anos atrás, e no lugar onde me inseri, a adaptação não foi fácil. Mas... águas passadas =)
    Cada um de nós tem sua história, tantas histórias, tantas vidas, umas mais fáceis, outras nem por isso...
    um bj gde e boa semana

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  10. Olá Carmem As estruturas, como você disse bem, ficam mexidas durante longo tempo, principalmente quando abalam as dos filhos, mas hoje é passado, não vivo dele mas me pertence e é a base do meu futuro e presente com todas as más e boas experiências.
    Realmente os costumes dos outros países com esta rejeição incompreensível, pois somos todos só pessoas e nada mais, abalam nosso emocional e é difícil vencer.
    Fico feliz em saber que você venceu essa luta e está bem.
    Obrigada pelo comentário que amei, e visita ao meu cantinho de interação virtual, mas muito real.
    Beijinhos, Léah

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  11. Querida amiga, estes grandes contratempos, ou acabam uma relação ou fortalecem-na, deu para perceber que no seu caso o amor prevaleceu.
    Sou natural de Lisboa onde vivi até aos 23 anos , depois mudei completamente de vida, fui com os meus pais, ainda era solteira, para uma vila no Alentejo, perto do mar :)
    Adorei aquela calma, aquela paz, sem andar correndo para apanhar transporte :)
    Uma coisa que não temos em comum, reparou :)

    A tela é uma explosão de cor e luz, até sentimos o calor do verão.

    Um beijinho

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  12. Querida Fê, Tens razão, o condomínio onde moro é muito silencioso, mas o bairro é movimentado, tem vida ativa e muito conforto, como a velhice esta batendo à minha porta gosto de tudo perto, como dizem por aqui, quero moleza morrer escorregando no pudim, rsrsrs...
    Amei a nossa conversa, beijinhos
    Léah

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    1. Um beijinho grato e bom final de semana minha amiga.

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  13. Léah,
    Gostei demais de sua crônica, a tal ponto que me senti morando numa cidadezinha aqui na nossa serra, sem Shopping, sem o Beira-Rio (campo de futebol do Internacional), sem o Teatro São Pedro e outros, sem cinema, e o que não consigo imaginar, sem as minhas livrarias etc. A partir desse mau pensamento, Léah, passei a compreender a sua amarga situação, morando de tudo o que estava acostumada, como mencionei acima e, pior ainda para quem é carioca: sem a praia, sem o mar, sem o barzinho, sem a água de coco, sem as conversas com as amigas sob o guarda-sol. Tudo o que você passou nessa cidade do interior, com suas precariedades, depois outra mudança para outra cidadezinha, mas, por fim, o Rio de Janeiro, o retorno da filha pródiga. Que maravilha! Parabéns pela excelente crônica.
    Abraço.
    Pedro.

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  14. Léah, volto para completar o meu comentário à sua bela crônica “A adaptação”, pois, antes de sua leitura, já tinha nos meus planos falar sobre a sua bela pintura “Um dia de verão”, óleo sobre tela, 40x35cm.
    Então Léah, esclareço que antes da crônica, já havia apreciado essa sua excelente pintura, da qual gostei muito. Parabéns.
    Abraço.

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  15. Você e sua linda esposa, "minha nova irmãzinha," são muito gentis,em seus comentários, o que agradeço de coração, e existe ainda a afinidade na maneira como encaramos a vida e do que gostamos.É sempre um prazer conversar com vocês.
    beijinhos, Léah

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  16. Ir de uma grande cidade para uma cidade pequenina pode mesmo ser muito complicado.
    Mas, no seu caso, nem tudo foi mau, porque aproveitou para pintar... E se o excelente óleo que publicou neste post foi feito nessa fase, ainda bem que saiu do Rio...
    Léah, tem um bom resto de semana.
    Beijo.

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    1. Olá amigo poeta; grata pela presença por aqui e pelo comentário.
      Está tela é novinha em folha está até difícil de secar com o frio extemporâneo aqui no Rio de Janeiro, durante o dia sol e as 17 horas escurece e esfria! Coisas de
      "la niña." Tudo que pintei naquela época foi vendido naquela época mesmo.
      beijinhos, Léah

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  17. Vim à procura de nova crônica, mana, mas primeiro meu carinho imenso, aqui, pelas tuas palavras tão carinhosas. Ficarás gravada, lá, nas minhas memórias!
    Beijinho!

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