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terça-feira, 24 de maio de 2016

Alegria e tristeza

                                      óleo sobre tela 30x25 natureza morta - frutos

O sol que vinha se fazendo presente desde o verão e atravessou o outono, deu lugar a uma ventania e uma chuva fina e constante que lavou minhas vidraças, pareciam lágrimas brilhantes rolando até o peitoril da janela e ali uma pequena mariposa nos estertores da morte se debatia, um ninho de passarinhos caído no chão lá fora junto com folhas e galhos do flamboyant.  O brilho da chuva que eu estava achando lindo antes me mostrou o outro lado da situação o lado feio, a tristeza.
Essa pequena cena fez-me lembrar de uma amiga do tempo da faculdade, nos encontramos por acaso aqui no meu bairro, depois de muito tempo de ausência.
Era na época uma pessoa triste, mal humorada, e confidenciava sua infelicidade familiar para mim, até suas pinturas eram meio mórbidas. Assim que nos encontramos, mostrou-se alegre e foi logo me convidando para ir a um clube, onde ia comemorar seu aniversário, imaginei que agora devia estar feliz se livrado da tristeza.
-Ah, vai preciso tanto de conversar contigo, estou precisando de sua amizade- , disse-me ela, e
 Insistindo muito, diante da minha incerteza de ir ou não, que acabei não tendo como negar.
Gosto de me reunir com meu grupo de amigas para conversar, rir, falar de arte, agora de politica principalmente, contar nossas próprias novidades. Essas reuniões podem ser aqui  em casa, na casa de uma delas, sempre com musica suave de fundo, comidinhas gostosas, que cada uma traz  um prato, e a alegria reina junto com nossas conversas loucas e todas falando e rindo ao mesmo tempo.  Mas festa com pessoas falando aos gritos e ninguém se ouvindo, som alto a ponto das mesas trepidarem, não, não dá.
No dia marcado lá fui eu na festa no tal clube, não conseguimos trocar uma palavra, como ela disse ter tanta necessidade  tamanho era o barulho, entretanto a aniversariante estava feliz, sorrindo dançando. Enquanto eu feliz por vê-la assim tão alegre, mas me sentindo  fora do ninho, esperando a chance de ir para o silêncio  de minha casa, a festa ia se estender até quando o dia raiasse, mas meus ouvidos  certamente não suportariam. Catei a aniversariante na multidão, dei-lhe um abraço e fui embora, foi difícil, mas sobrevivi e até hoje estou espantada com a capacidade de certas pessoas se alegrarem num ambiente ensurdecedor, pois o clube estava cheio, como se diz “gente saindo pelo ladrão da caixa d’água!”
Aquela gritaria seria alegria ou seria para abafar as tristezas ou os problemas, desespero, salvar as aparências de uma vida conturbada?   Não sei para mim aquele barulho estava muito além do que entendo como festa, alegrias compartilhadas. Foi desesperador...
Alguns dias depois ela telefonou-me, dizendo que  estava triste e precisava falar comigo  e encontrar-me num barzinho onde um grupo italiano ia se apresentar, mesmo ali pelo telefone  se lamuriou, queixou da vida, de tudo um pouco, só não marquei nada com ela, pois fiquei pensando que não teria como abafar sua tristeza, as musicas que ouço, mesmo que sejam italianas, que gosto de muitas, são tocadas para darem prazer, as conversas são alegres e loucas , mas dentro de limites da razão, e já estou achando que o caso dela é de analista ou psicólogo!! Ficamos mesmo, só por telefone.
E me pergunto onde foi parar aquela alegria esfuziante, lá no clube, estrebuchou como a mariposa na minha janela, caiu do galho como o ninho?
                           ?Sabrá   Dios?
Léah

12 comentários:

  1. Una pintura preciosa, igualmente que tu relato.
    Es cierto que las reuniones pueden ser de muchas maneras, pero las que son para hablar y reír, se necesita un silencio de fondo o una música suave, sino dificilmente se puede conversar. El club con música fuerte es para disfrutar de la música bailando.
    Un placer pasar por tus artes.
    Un beso y buen día.

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    1. Olá Elda, sinceramente eu nunca gostei de musica a todo volume, paro de pensar e de me divertir tanto faz que seja num clube ou em casa eu só gosto de música num tom suave ou médio, barulhada não me diverte.
      Mil beijinhos, Léah

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  2. Olá, Léah.
    Tantas pessoas incompletas insistem em buscar os pedaços que lhes faltam em superficialidades: são tantos amigos e nenhum ao seu lado, no caminhar do dia-a-dia. Tanto barulho de músicas de gargalhadas e nenhum aconchego no silêncio de um toque, de um abraço, de um olhar...
    E as pessoas insistem e continuam incompletas e cada vez a faltar-lhes mais pedaços na constatação do vazio.
    "Aquela gritaria seria alegria ou seria para abafar as tristezas...?" - bastaria esta frase, para resumir toda a história ;)

    * Belíssima natureza morta ( por que será que lhe chamam "morta" se eu a acho tão viva a ameaçar saltar da tela e atirar-se ao nossos olhos encantados?)

    bj amg

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    1. Carmem concordo com seu comentário em pontos e vírgulas, e tem ainda o agravante que leva algumas pessoas, como ela, a quererem usar outras como uma bengala para seus problemas, mas estou fora :)
      *Quanto a natureza morta, é melhor still life, não é?:)
      Obrigada pelas gentis palavras.
      beijinhos, Léah

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  3. Que texto ótimo, Léah. Eu fico fora da casinha com música alta, música barulhenta e ritmos alucinantes. E gente gritando. Há uns anos fomos a um show aqui, num teatro. Não levou 10 minutos para levantar e irmos embora. Coisa de louco.
    Quanto a sua amiga, sei como são as pessoas carentes, não largam, são um saco sem fundo. E por mais que nos propomos a ajudá-las, não adianta. Também tive essa experiência e confesso que na época, cheia de amor pra dar, o que sobrou foi uma irritação enorme, me sentia usada. E depois de alguns encontros, senti que era problema pra terapeuta . E caí fora. Também gosto da calma da minha casa, do ritmo da minha vida. Bela descrição. Não assumo mais problemas pelo simples fato de que não adianta. Falta mão de profissional para resolver.
    Bela 'natureza morta'! A maçã está mais viva do que nunca.
    Beijos, mana!

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    1. Querida Taís,fora da casinha :):)
      Henrique me avisou que seria uma furada eu ir ao club, mesmo assim me levou, ficou um tempinho, foi para o jardim sentou-se na beira da piscina do club,e ficou lá onde o barulho era menor me esperando.
      Nós dois adoramos o silêncio que reina por aqui, e detesto que façam programas seja lá do que for para mim. Realmente ela quer uma bengala para suas psicoses,quando na verdade ela precisa é de um psicólogo, coisa que estou longe de ser.
      Também acho estranho chamar de natureza morta e principalmente comer uma natureza morta, afinal não é carne!! Mas se coloco 'still life', vão achar que sou metida a falar inglês (que aliás não falo).
      Gostei do comentário, beijinhos, Léah

      -Como os gaúchos falam dos cariocas? em Minas dizem que somos metidos a "espertos", eu não ligo pois às vezes sou bem boba, depende da situação-

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  4. rss, eu sabia que você ficou curiosa! Fique tranquila, falamos muito bem dos cariocas. Levam uma vida bem diferente, são muito 'espertos' rss. Não há quem não goste do Rio de Janeiro, da boa vida que levam, da simpatia contagiante do carioca. Sabem levar. (to aqui rindo de você)
    bjus!!

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  5. Há pessoas que não vale a pena perder tempo com elas, pois chegam a sentir prazer por andarem tristes... e, por isso, não mudam.
    O ambiente de festas com música muito alta chega a ser ridículo, pois ninguém conversa... só há gestos...
    Gostei muito da natureza morta (parece viva...). Vc pinta que se farta...
    Léha, tem um bom resto de semana.
    Beijo.

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    1. Caro Jaime grata por seu comentário e as palavras com relação à minha natureza morta, você é muito gentil,
      obrigada,
      beijinhos, Léah

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  6. Hola querida Leah: Hermosa tu pintura, los temas cotidianos son muy lindos para pintar. En cuanto al comentario de la música fuerte es horrible, pues no hay diálogo con quienes nos reunimos, por tanto se disfruta más cuando el sonido es más bajo pues nos lleva a reflexionar y sentirse acompañado con bellos sonidos. Un gran abrazo!!

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    1. Olá Mercedes tens razão gosto muito de pintar natureza morta pois têm muitas e belas cores. Quanto às musicas gosto muito das calmas, e em tons que não me deixem surda, rsrs...
      beijinhos, Léah

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  7. Olá , Léah!
    Fiquei encantada com essa natureza morta, Pinceladas fortes, decididas e ao mesmo tempo passando a suavidade de mãos sensíveis a beleza da criação divina. Gostei muito das palavras do sr. Jaime, principalmente quando diz "voc\~e pinta que se farta!"
    Bjs e um lindo dia, ensolarado ou não...

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