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sexta-feira, 11 de março de 2016

Não sou ninguém



Estava no ultimo ano, depois seria preparatórios, pré-vestibulares  para a carreira final e foi uma decisão muito difícil tornar pública minha escolha.
Desde pequena qual carreira queria seguir já estava bem explicita, desenhava nas margens de todos os cadernos, e minha mãe brigava comigo, pois achava que isso iria aborrecer a professora, mas ela gostava de meus desenhos toscos. Entretanto, na época eu não sabia nada de carreira, pois  queria mesmo era trabalhar num hortifrúti,  bem pequeno que havia no meu bairro, achava linda aquela variedade de cores, das frutas, verduras e legumes que ficavam expostas em caixotes e balcões, e vivia pedindo a minha mãe que me deixasse ir lá ajudar ao dono da quitanda, como era chamada naquele tempo,  a resposta de minha mãe era sempre: “-No, no niña no vas a vender naranjas , vas estudiar para ser alguien–“
Era uma luta perdida entre minha fixação por cores e a decisão de minha mãe de que me tornasse “alguém importante” que para ela seria ver-me com um diploma de engenheira, médica, advogada ou dentista, afinal eram essas carreiras que ela reconhecia como únicas em importância, comerciante nunca em tempo algum. O tempo passou cresci um pouco e meus primos, isto é três primas e um primo vieram morar numa casa ao lado da nossa, e todos os quatro estudavam um instrumento musical, obrigados por minha tia, claro, eram acordeom, violino e piano. Acordeom eu detestava, violino que era mau tocado intencionalmente por meu primo que não queria ser músico, também dava-me nervoso ouvir aquele fuim, fuim, sem fim. Mas piano abandonava-me em verdadeiro deleite nas nuvens, até mesmo escutando o” bife”.
Comecei eu a velha luta com minha mãe: “- Mãe, madresita, quero ser pianista, um piano disse a tia que não é tão caro, se for um velho, só para eu aprender-“. A frase inteira seria essa se ela me deixasse ir até o fim. “-No, ya te dije que no, usted va a estudiar, para ser alguien-“
Nunca deixei de gostar de piano, e já adulta comprei um velho talvez de terceira ou quarta mão, e tirava musiquinhas de ouvido, até que fui procurar uma professora, fiquei só um ano, a vida deu-me um esbarrão, e tive que deixar esse sonho na gaveta junto com tantos outros, assim é a vida a gente projeta, planeja vem o destino e empurra tudo para longe. Nunca consegui ou me esforcei para voltar a estudar piano, mas também na opinião de minha querida  mãe se estivesse viva, continuaria a dizer:
-“Tanto esfuerzo hice para que usted se hiciera alguien y quedas ahí a pintar flores, pero se es de su gusto que sea, pues sé que te hace feliz.-“
Mas, afinal nem engenheira, nem médica, advogada ou dentista, sou mesmo pintora, mas durante muito tempo sentia remorso, por não ter realizado o sonho de minha mãe, e há muito tempo também concluí que tudo se resume na época dela e na minha, na felicidade dela e na minha, na minha vocação e não na dela  e como sou mãe sei que:
Mãe é mãe e amou, mesmo alguém que não foi ninguém, assim como eu :-)
Léah

21 comentários:

  1. A minha amiga pode não ter sido o que a sua mãe queria, mas ela concerteza ficaria feliz por vê-la feliz, com o caminho que seguiu, ser pintora.
    Espero que o seu marido esteja a recuperar e rápidamente fique completamente bem.
    O meu genro já saíu do hospital, mas está ainda muito debilitado e tem de ter muitos cuidados com a saúde. Segunda feira vamos ao hospital para ele fazer análises e outros exames a ver como estão as suas plaquetas. O minimo normal das nossas plaquetas é 150.000, ele entrou no hospital com apenas 1.000, estava com hemorregias externas e os médicos tinham receio de começar a ter hemorregias internas. Graças a Deus não teve e agora é ir devagarinho.
    Muito obrigado pela sua preocupação e gentileza.
    Um grande beijinho aqui de Lisboa.
    Maria

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    1. Querida Maria a pior situação numa doença de pessoa querida é o nosso sentimento de impotência para ajudar,a angustia pela espera de uma boa noticia é sempre enorme.
      Eu torso de todo coração que a saúde de seu genro seja recuperada bem rapidinho e a alegria e a paz voltem à seus lares.
      Por aqui estamos controlando a situação que parece estar ficando normal.
      Muito obrigada por sua amizade sempre tão importante para mim.
      Muita força e esperança para vocês.
      beijinhos, Léah

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  2. rsss, outra ótima crônica. Léah, meu pai me deu um piano, sem eu pedir, porque queria que eu estudasse para tocar na sua velhice! Pode? Como você, comecei a tocar umas coisas da minha cabeça e o pior, a inventar músicas que não existiam. Assim fiz numa apresentação no salão paroquial, num jantar lá não sei de quê. Mas estava cheio de gente. Subi no palco e toquei algo que terminou em 1 minuto. Eu tinha uns 12 anos. Pedi pelo amor de Deus para vender o piano e comprar um violão. Foi feito. Foi a coisa mais terrível que aconteceu. Com que voz? Virgi.
    Hoje adoro piano, violino... músicas clássicas e outras não clássicas, mas instrumentais. Estudei o tal piano do meu pai 4 anos. E o 'bife' era maravilhoso, rsss. Não aprendi nunca!
    Beijos!! Adorei.

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  3. Ah, esqueci da quitanda... Adorava brincar de armazém, fazer pacote! Era meu sonho de consumo ter um boteco, rsssss.

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    1. Pode? Esta irmã gêmea é gêmea mesmo!Só é mais corajosa que eu, tocar música da própria autoria num salão cheio de gente, eu nunca, nunca teria esta coragem, parabéns!
      Coisas da época de nossos pais que não entendiam que vocação nasce e morre com a pessoa, embora eu acredite que as pessoas têm mais de uma, mas nenhuma delas era a que minha mãe desejava para mim, infelizmente para ela
      Amei seu comentário
      beijinhos Léah

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    2. No salão paroquial me pegaram de surpresa!! Estava na mesa com meus pais e me fisgaram pra tocar 'alguma coisinha'... Não era louca, não! Mas depois de anunciarem o crime, lá fui eu. Minha mãe me empurrando... vai filha, vai! Cruzes.
      bj

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    3. kkkkkk! É como a gente bem sabe mães são todas iguais só muda o endereço..
      bjin

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  4. Oi Léah
    A sua escolha é muito diferente daquela sonhada por tua mãe mas com certeza ela ficaria orgulhosa e feliz por ver o teu talento artístico tão maravilhosamente delineado em tuas aquarelas minha querida
    Um lindo final de semana
    Beijokas

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    1. Acredito que ela percebia minha felicidade simplesmente por ser mãe, e sei que ela me amava.
      Um belo domingo para você também.
      beijinhos, Léah

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  5. Querida amiga, ter seguido a sua vocação é SER ALGUÉM ! Alguém que faz o mundo mais belo e colorido.
    Eu ao contrário, não segui o meu sonho de ser pintora, segui os conselhos da minha professora primária e de meus pais, que achavam que as artes eram para quem era rico e não precisava de trabalhar.
    A vida dá mesmo muitas voltas minha amiga.

    A sua aguarela é tão delicada, adorei!

    Um beijinho

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    1. Ah!Querida Fê quantas vezes ouvi esta frase: "Isso deve servir pra quem é rico", mesmo quando mostrava uma medalha, uma mensão honrosa, nada tinha valor, nem os quadros ficavam nas paredes de casa, mas encontrei um homem (meu marido), que sempre me incentivou, apoiou,até eu esquecer os complexos adquiridos.
      Como você diz a vida dá voltas, e deu.
      beijinhos, Léah

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  6. linda acuarela.
    LA ARTISTA que lleva dentro se nota y seguro que hubiera sido también una buen músico. Algunos nacen con un don especial para las artes, cono es tu caso. Felicidades.
    Un beso.

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    1. Querida Amiga; Você é muito gentil, gostei muito de sua presença aqui no meu cantinho.
      Você tem razão quando diz que nasci artista,mas pintora pois musicista acho que demanda em muito esforço e estudo e neste setor não tive esta força, mas estou feliz com o que consegui.
      Obrigada por seu comentário, amei.
      beijinhos,
      Léah

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  7. Los padres siempre tratan de que los hijos estudien lo que ellos quieren, sin darse cuenta en ese momento que lo que a ellos les hace felices, no es lo mismo para el hijo.
    Muy bonito relato y preciosa la pintura que nos muestras. Bonito efecto del agua en el florero trasparente.
    Me alegro mucho de la mejora de tu esposo.
    Besos.

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    1. Querida Elda: Acho que esta é uma questão muito relativa,como uma pessoa que sofreu esta pressão, nunca tive duvidas quanto a deixar livre a decisão de meus filhos com relação a carreira que cada um quis escolher. O importante é ser feliz.
      Obrigada por sua atenção e amei seu comentário.
      beijinhos, Léah

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  8. Spesso non diventiamo quello che i nostri genitori volevano per noi, ma sono sicura che tua madre oggi è fiera di quella che tu sei diventata , e anche a me piacciono moltissimo i tuoi lavori. Questo è di una delicatezza squisita ! Abbraccio.

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    1. Querida Jane:
      So che c'è qualche difficoltà nel comprendere la nostra lingua, la mia cara madre è morta molti anni fa, ma prima era già conformati com il fatto che non ho seguito le carriere scelti da essa.
      Mi è piaciuto avere la sua presenza qui sul mio blog, vi ringrazio per la vostra gentile commento.
      baci, Léah

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  9. Léah,
    Não apoiado, como dizem os políticos, no que diz respeito ao final desta sua bela crônica: " ... mesmo alguém que não foi ninguém, assim como eu". Claro que você é muito mais que uma profissão, é um ser humano maravilhoso (e tenho certeza que o seu marido dirá que tenho razão).
    Mas não apenas as mães, também os pais se preocupam muito no que se formará seu filho, e quanto dinheiro lhe dará essa profissão. Por isso vemos tantos diplomas, de todos os cursos superiores dormindo em gavetas. E lá vão os médicos, os engenheiros, os advogados, os dentistas à procura de um trabalho mais interessante. e que lhe traga alegria, o gosto pela vida.
    Parabéns pela sua crônica.
    Abraços.

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    1. Querido Amigo Pedro: Até compreendo as preocupações dos pais que tentam influenciar a escolha dos filhos, as vezes por vaidade, por medo de que fracassem, por vários motivos, mas não acho nenhum válido, visto que o importante é ver nossos filhos, felizes e como você diz com gosto pela vida, pelo resto agente luta.
      Gosto demais de encontrar seu comentário por aqui e agradeço.
      forte abraço,
      Léah

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  10. Querida amiga, quando puder passe no meu blogue e me dê a sua opinião sobre a tela que pintei.

    Um beijinho agradecido

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