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sexta-feira, 25 de março de 2016

A visita

óleo sobre tela 30x30 Floresta 5




Havia um enorme capacho na varanda e mais à frente um pano branco imaculado estendido, aqueles panos de chão comprados nos supermercados. Limpei os sapatos com todo vigor no capacho e por uns segundos fiquei pensando se pisava ou não naquele pano tão branco para depois alcançar o tapetinho bordado à mão branquinho  e se eu os sujasse? Enquanto pensava se pisava ou tirava os sapatos a porta se abriu e um forte cheiro misto de desinfetante  com água sanitária saiu porta a fora e entrou direto nas minhas narinas.
Penso que não possuo olfato, possuo faro,  pois aquele cheiro deixou meu nariz e  olhos ardendo. 
A porta se abriu e a mãe de Laura, cumprimentou-me com um sorriso ensaiado, mas seus olhos estavam pregados nos meus pés hesitantes  sobre o capacho, num gesto de coragem venci o pano branco pisei no tapetinho bordado e entrei na sala sem olhar para traz. Foi me oferecido sentar numa sala de paredes brancas num sofá com almofadinhas  igualmente brancas, eu já estava me sentindo preta, ou quem sabe azulada em meio a tanta brancura.
Perguntei por Laura se estava melhor e sua mãe deu-me uma resposta monossilábica sem tirar os olhos de meus pés, sobressaltei-me diante daquele olhar insistente e olhei também para ver se havia sujado o branco tapete sob o sofá,  graças ao bom Deus permanecia branco.
Laura  apareceu, com seu largo sorriso branco,  sentou-se estava muito pálida, (branca), a meu lado e conversamos por uns minutos sobre sua cirurgia, e quando sua mãe se ausentou ela confidenciou estar louca para voltar para sua casa e sair daquele “TOC” do qual sua mãe sofria, tudo sempre muito branco e excesso de limpeza, lamentei...
A limpeza era extrema, segundo Laura e feita doentiamente a toda hora, e o excesso de branco para uma pintora como Laura, que ama cores assim como eu, transformou-se numa monotonia e tortura.
Antes de me despedir fui servida com um cafezinho em xícara branca e biscoitos de polvilho que eram igualmente brancos!! :)
         Léah

18 comentários:

  1. Que coisa horrorosa! Que constrangimento. Conheço gente assim, uma ainda está vivíssima! Na porta de sua casa tem vários pares de chinelos, ninguém entra de sapatos! Pode? Claro que pode, a casa é dela. Mas não vou lá. E por várias razões. Uma delas é que não sei quem colocou o pé ali... sei lá se tem fungo!
    Convenhamos, Leah, esse tipo de atitude, essa 'neura' por limpeza espanta até corvo.
    Mas isso são coisas do cotidiano, e rende ótimas para crônicas!
    To adorando ler.
    Beijo!

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    1. Foi realmente constrangedor, mas não pretendo de jeito algum, voltar lá, este tipo de problema encerro assim.
      Quanto aos chinelos com fungos kkkk!
      É verdade um risco que ninguém quer correr.
      beijinhos, Léah
      beijinhos.

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  2. Meu Deus Léah que constrangimento minha amiga
    Pessoas obsessivas são acometidas por neuroses graves e acabam constrangendo com suas atitudes descabidas. Um texto fantástico minha querida
    Desejo que o espírito de Páscoa invada seu coração e faça-o transbordar de alegria e renovação.
    Uma Feliz Páscoa para você e sua família
    Beijos

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    1. Querida foi realmente muito desagradável, mas lá não volto.
      Beijinhos e grata pelo comentário.
      Léah

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  3. Jajaja, que angustia todo tan blanco, no como tu bello lienzo lleno de color, que invita a pasear por ese camino en el bosque.
    Precioso Leah, eres una gran pintora.
    Un beso.

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  4. Já pensou que coisa?!
    Gracias por vires por aqui.
    beijinhos, Léah

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  5. Léah,
    Uma crônica excelente a sua, na qual cores não faltaram, o que não se admira, tendo em vista que cronista e pintora é a mesma pessoa. Interessante a sua dívida em pisar num pano comum, mas muito branco, ou em outra peça, que também não poderia ser pisada. Sem falar no toque da sua amiga. Parabéns.
    Abraços.

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    1. Li o comentário do Pedro, não é 'dívida', ele quis dizer 'dúvida'!!!
      As minúcias são próprias da mulher, mana, de nós nada escapa (rs).
      Beijo!

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    2. Queridos Taís e Pedro: Só agora consegui chegar ao computador e sentadinha esticar minhas pernas, hoje foi um dia cansativo, minha ajudante ficou doente e encarei tudo sozinha, "não é mole, tô velha." E por conta disso nem notei o dívida pela dúvida, se bem que quando devemos não ficamos em dúvida ou quando duvidamos acabamos devendo,rsrs? Vocês são uns amores, grata pela minuciosa atenção e mil beijinhos
      aos dois novos manos. Léah

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  6. Olá, Léah.
    O branco imaculado num pano onde haveria de limpar os sapatos vindos da rua, um tapetinho bordado, igualmente branco... tanto branco também me deixaria nessa dúvida em que você se viu: credo!
    Se há situações caricatas, essa foi uma delas. Aliás, confesso que só com a confirmação dos comentários eu me convenci de que esta crónica tinha "inspiração" na realidade.
    Como disse a amiga Tais: rende boas crónicas =)

    um bj amg

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    1. Essas situações que nos deixam em uma verdadeira saia justa estão sempre acontecendo, creio ser o stress da vida e do mundo atual.
      Grata por seu comentário,
      beijinhos Léah

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  7. Excesso de brancura até dá tremura...
    Magnífico texto, gostei imenso.
    Tal como da tela, que é excelente.
    Bom resto de domingo e boa semana, querida amiga Léah.
    Beijo.

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    1. Concordo com você dá mesmo tremura, que para não senti-las mais lá não volto.
      Grata pelas palavras gentis e pelos votos de bom domingo e semana.
      beijinhos, Léah

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  8. ¡Hola Léah!!!

    Estupendo tu texto, que expande blancura por las cuatro esquinas.
    La verdad es que existen persona así que son esclavas de la limpieza. No limpian para vivir, sino que viven para limpiar.

    Ha de haber para todas las cosas de la vida equilibrio, si queremos ser felices.
    Ha sido un placer pasar por tu casa virtual y leerte.
    Ya hacía un tiempo que no pasaba y echaba de menos tu precioso espacio. Y es que a veces me van quedando atrás algunos blogs amigos, y es sin darme cuenta.

    Te dejo un cálido abrazo, mi gran estima y gratitud.

    Se muy muy feliz.

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  9. Se me pasaba decirte que me encanta tu bellísima pintura. Felicidades, amiga.

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  10. Se me pasaba decirte que me encanta tu bellísima pintura. Felicidades, amiga.

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    1. Querida Marina: Não se preocupe em não estar por aqui sempre, sei como é comigo também acontece, pois conversar com os amigos no blog é sempre um momento prazeroso e os outros afazeres de nossas vidas às vezes não abrem espaço, mas sei que a amizade entre nós já esta firmada.
      Amei seu comentário.
      felicidades para você também.
      beijinhos, Léah

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  11. Olá....

    Mulher abençoada...
    que lindo seus mimos, encantador.
    parabéns....voltarei! posso?
    bjs...

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