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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A bicicleta vermelha




 desenho em papel Canson reciclado A4

Mudamos de um apartamento para uma casa que  era nova em folha, mas  a rua era feia e em ladeira sem calçamento era uma trilha com mato baixo e um rio próximo há uns 200 metros de nosso portão, o bairro era novo e o calçamento só chegou uns cinco anos depois que para lá fomos, mas eu me divertia muito com a liberdade e as novidades que com meus nove anos descobria por lá.
Mas com a compra da casa estávamos meio apertados de dinheiro, dizia minha mãe. Isso significava não sonhar com presentes no Natal que estava bem próximo.
Um belo dia, e para mim foi belo mesmo, meu pai apareceu com uma bicicleta meio velha, mas certamente ficaria nova se recebesse uma pintura e novos pneus  e foi o que ele disse e fez. Pintada de vermelho,  pneus novos ficou linda! Mas o grande problema é que eu nunca havia andado de bicicleta, não sabia me equilibrar, não ficava em cima dela nem um minuto sem cair para um lado ou para outro.
Meu pai que não era muito paciente já meio zangado com minhas reclamações, levou-me até a parte mais alta da rua, dizendo:” -Hoje você aprende.”  Sentou-me na bicicleta e empurrou. Desci na velocidade máxima agarrada com uma lagartixa no guidom, só pensando no rio,”- vou cair no rio, vou cair no rio-“ e odiando meu pai, que maldade me lançar assim no espaço.
Antes de chegar ao rio, joguei-me no chão para um lado e a bicicleta para outro, coração acelerado e orgulho zero, só de raiva e para preocupá-lo fiquei lá estirada até que ele chegasse arfante da ladeira perguntando se eu estava bem, mas como ele estava rindo sem se conter fiquei mais irritada e humilhada levantei-me deixei-o e a bicicleta fui pra casa.
Fiquei sem olhar para a bicicleta muitos dias, e ele pra me provocar dizia: -“Vou aproveitar e vender essa bicicleta, já que está nova e sem dono”...
Ela era tão bonita e ali pendurada na área de parede branca realçando ainda mais sua cor vermelha. Movida pelo medo de que ele a vendesse venci o orgulho e resolvi que ia aprender a domar aquele ” touro”, quando voltava da escola antes que meu pai chegasse, eu ia até a metade da ladeira e descia e caia e levantava e me arranhava  e chutava a bicicleta xingando-a de lata velha...  Finalmente me equilibrei fiquei sobre ela andando até meu pai chegar, e toda orgulhosa achando que ia receber um elogio, mas ele olhou e disse: “-Até que enfim, escapou por pouco, pois já tinha uma pessoa querendo compra-la.”
Uns dois anos mais tarde quando já estava farta de saber andar de bicicleta, e já havia ganhado outra novinha, pois aquela ficou pequena para meu tamanho, vindo para casa e  passando pela ponte sobre o tal rio que não tinha guarda-corpo, cai lá embaixo com bicicleta e tudo, quebrei o braço foi muito demorada a recuperação e a bicicleta ficou torta e  nunca mais quis saber dela ou de outra qualquer.
Agora quando vi uma garotinha sendo treinada pelo pai numa bicicleta aqui na minha rua, minha mente deu este pulinho no meu passado, e surgiu o desenho desta bike, que só tem de igual a minha a cor vermelha. Recordar dizem que é viver.
Léah

28 comentários:

  1. Que linda historia, y que bonitos recuerdos aún con el pesar de las caídas de la bicicleta.
    Una pintura preciosa con colores muy vivos y atractivos.
    Precioso como pintas Léah.
    Siempre un placer ver tus cuadros.
    Besitos.

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    1. Amei sua presença por aqui, com relação as caídas, elas continuam mesmo sem bicicleta,kakakaka...
      Obrigada por sus palavras quanto ao meu trabalho.

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  2. Eine wunderschöne Zeichnung! Gefällt mir sehr gut!
    Liebe Grüße
    Ute

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    1. Ich liebte es, .
      Danke, dass Sie Ihre Kommentare geschrieben.
      beijinhos Léah

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  3. que belo texto, bem escrito, cheio de sentimentos, gostei de ler :)
    um beijinho, e sim, lembrar é viver e de certa forma penso que o contrário se aplica, porque viver é lembrar também, somos feitos do que nos aconteceu até agora e de que forma lidamos com todas as nossas experiências! :)

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    1. Olá Diane: Sei bem que não se pode passar a vida em plácido repouso, as más lembranças também fazem parte, mas o bom é aproveitar as boas para alegrarmos nosso espírito.
      Obrigada por seu comentário gentil.
      beijinhos, Léah

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  4. Muy interesante y preciosas tus pinturas.
    La bicicleta siempre es algo imprescindible y seguirá siendo un medio de transporte muy apreciado.
    GRACIAS POR COMPARTIR tus RELATOS y BELLOS CUADROS.
    Un beso.

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    1. Eu é que agradeço seu comentário carinhoso.
      beijinhos, Léah

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  5. Respostas
    1. Obrigada por seu comentário.
      beijinhos, Léah

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  6. cara Leah ho letto la tua storia legata alla bicicletta...io non sono mai stata brava in nessuno sport, soltanto andare in bicicletta miè sempre riuscito facilmente.Ho avuto anche io una bicicletta rossa... Bel dipinto e bella storia...un abbraccio affettuoso,Rita.

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    1. cara Rita: Sono molto contento del suo ritorno al suo studio, utilizzando nuove tecniche.
      Grazie per la vostra venuta e commenti qui nel mio piccolo angolo
      tenero bacio
      Léah

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  7. Bonjour chère amie,

    J'aime l'histoire qui se cache derrière cette très belle oeuvre.
    Vous n'aviez peut-être pas l'équilibre mais vous l'avez avec toutes les belles couleurs qui harmonisent cette bicyclette rouge.
    Aujourd'hui je suis certaine que votre papa serait fière de vous en admirant cette merveilleuse peinture.

    Gros bisous ♡

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    1. Querida Martinealison:
      Je sais que si mon père était vivant il aurait voulu me revenir aux expositions dont je me suis fatigué.
      Aujourd'hui, je veux juste profiter de l'arrivée de la vieillesse
      peinture pour le plaisir, en prenant soin de mon jardin, mes animaux et voyage en vacances avec mon mari par le Brésil.
      Aimé votre post sur mon blog.
      1000 bisous, Léah

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  8. Bonjour chère amie,

    J'aime l'histoire qui se cache derrière cette très belle oeuvre.
    Vous n'aviez peut-être pas l'équilibre mais vous l'avez avec toutes les belles couleurs qui harmonisent cette bicyclette rouge.
    Aujourd'hui je suis certaine que votre papa serait fière de vous en admirant cette merveilleuse peinture.

    Gros bisous ♡

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  9. Querida amiga, ficam adormecidas durante anos estas recordações, mas quando acordam, nos emocionam.
    Nunca tive uma bicicleta em criança,só em adulta, e nunca consegui andar bem :)
    Um desenho lindo, colorido e com pormenores muito bem feitos.

    Um beijinho e bom fim de semana

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  10. Olá amiga Fê: Fico sempre feliz com sua presença por aqui.
    Comigo aconteceu justo o contrário, a bicicleta foi um sonho de criança,na minha fase de adulta os sonhos na maioria faliram, mas c'est la vie.
    beijinhos, Léah

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  11. Che storia, ma nessuno sa fare tutto ! Per me invece la bicicletta è il mio mezzo di trasporto preferito , in città è perfetto . Molto bello questo dipinto ispirato dalla tua memoria , davvero una bicicletta speciale ! Abbraccio.

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  12. Querida Jane
    nonostante l'esistenza di piste ciclabili nel mio quartiere in riva al mare,
    Non ho energia per questo esercizio.
    Grazie per il tuo commento gentile.
    1000 beijinhos,
    Léah

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  13. Olá Léah,

    A sua "A bicicleta vermelha" é uma agradável crônica, e, por ser muito bem escrita, prende a atenção do leitor até ao seu final.
    E quem já andou de bicicleta na sua infância, adquirida ou alugada, como era o meu caso, deve ter feito com você esse "passeio" ao passado e lá encontrado a criança ou adolescente que era. Parabéns.

    Um boa semana.
    Abraços.

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    1. Caro Pedro: Acredito que passear pelo passado nas delicias da infância é alegria pura, serve para atenuar a realidade dura que vivemos neste País agora.
      Obrigada por sua gentileza em seu comentário.
      grande abraço, Léah

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  14. rssss, adorei a história e deu pra perceber o seu temperamento, por sinal muito parecido com o meu! Também andava numa rua desse tipo, mas não lembro como aprendi! O que lembro perfeitamente foi como aprendi a nadar - no mar aqui do sul, rodeada por repuxos e buracos, todo o litoral imenso é assim. Tiro dessa sua história que a gente aprende é na dificuldade, no sacrifício e num pouquinho de birra - que é uma delícia! rs
    Beijo grande! Adorei.
    E por falar em pintura... linda!

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    1. Querida Taís: Uma "birrinha" sempre
      nos leva a um final feliz, quanto a vencer desafios é meu nome do meio.
      E nossas afinidades são maravilhosas.
      Amei seu comentário.
      mil beijinhos,
      Léah

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  15. Lá diz o velho ditado que "recordar é viver". Adorei ler a sua história, eu nunca soube andar de bicicleta.
    Linda tela.
    Beijinhos
    MAria

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    1. Querida Maria: Os sonhos da infância quando realizados marcam bem o nosso futuro e é bom recordar e reviver, mas os não satisfeitos quando vêm a nossa mente é bom expulsá-los,rsrs...
      Amei seu comentário.
      beijinhos, Léah

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  16. Hola Leah, muy bueno tu relato y ese recuerdo muy bien plasmado en tu bella pintura. Un gusto pasar por tu espacio para rememorar instantes de la infancia y adolescencia. Un gran abrazo amiga!!!

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  17. Olá Mercedes gosto muito de nosso contato via blog.
    Gracias por suas gentis palavras.
    beijinhos, Léah

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