Minhas Pinturas

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Tel

                                      óleo sobre tela 40x30 ( pintada em 2001)



Minhas Mortes
Quando eu vim morar aqui a casa por dentro estava pronta, mas ainda transitavam lá fora no quintal alguns pedreiros fazendo calçadas, escadas e canteiros para serem ajardinados, era muita confusão de terra, pedrinhas, pedregulhos, cimento, tijolos e o insuportável cheiro dos cigarros que fumavam, tudo misturado à tagarelice o dia inteiro, era uma algazarra que me deixava irritada. Ficava ansiosa para que desse cinco horas da tarde quando eles encerravam o expediente e a paz e o silêncio reinavam.
Naquele dia antes de irem embora um deles apareceu com um gatinho preto, mais morto que vivo enrolado num pano sujo dizendo: “- Dona Léah, ele estava aí em frente à sua porta o que faço com ele? Alguém deve ter passado com o carro em cima dele! –”.
Apesar de nunca ter tido gatos, e ter jurado para mim mesma não querer mais animais domésticos, pelo fato de que os cães que tive morreram e eu morria um pouco também, a cada uma dessas perdas.
Arranjei um pano limpo deitei-o numa cadeira de madeira e comecei a examiná-lo, dispensei o rapaz e como não entendia nada, levei-o a uma clinica veterinária do bairro, ele não parava de miar, coitadinho certamente era de dor.
A veterinária após examiná-lo disse que ele talvez nem sobrevivesse, pois estava ferido por dentro, que seria bom ele pernoitar lá para ficar em observação.
Na manhã seguinte fui ver o que tinha acontecido com o gatinho, ele sobreviveu, mas precisava de cuidados, observação e remédios. O que fazer? Ele não era meu, e meu juramento?
Era negro com um pelo brilhante e olhos muito verdes, e foi com um olhar lânguido como a me pedir socorro que ele me conquistou. Esqueci minhas juras usei o coração e não a razão e adotei-o, não só adotei como lhe dei o nome de Pastel, por ele estar tão amassadinho, mas acabamos abreviando para Tel.
Foi se adonando de nossa casa e parecia estar recuperado, deve ter se utilizado de uma de suas sete vidas. Dormia numa almofada na tal cadeira de madeira na lavanderia, mas quando eu acordava pela manhã e ele se enroscava em minhas pernas ganhava colo ronronando e conversávamos um pouquinho e juro que ele me entendia, afinal eram palavras de carinho e puro amor.  Um dia, algum tempo depois, ele parou de comer de beber, e não teve veterinário que desse jeito ele morreu e eu morri um pouco também, até hoje tenho que conter as lágrimas ao lembrar-me daquele bichinho tão doce em nossas vidas.
Tenho agora três cadelas e três gatinhas que amo de paixão, isso significa que se elas morrerem antes de mim, eu morrerei mais seis vezes antes da minha morte definitiva.
Como não sou gata, não tenho sete vidas, como será então?
Léah

sábado, 24 de outubro de 2015

A janela do Ginásio





                           
 óleo sobre tela de 40 x 30 -                                                                                                                             


A janela permanecia aberta durante as aulas, e geografia, era a matéria que eu mais detestava, em vista disso ficava perdida com o olhar na paisagem enquadrada na moldura. Nem em dias de chuva ela se fechava o que dava para apreciar os vários tons que a natureza me oferecia.
Na aula de matemática era impossível dispersar a atenção, pois a professora parecia movida a eletricidade, o quadro negro, era todo preenchido com fórmulas  e exercícios, nas provas ela era rigorosa, tal como a professora de francês que dava sabatinas de surpresa valendo nota, chamava aleatoriamente duas alunas para conjugarem um dos trezentos verbos franceses em um tempo, modo ...E era aterrorizante! Mas aprendíamos, e a janela ficava esquecida, embora continuasse aberta.
Chegaram as férias, novo ano nova série, a mesma escola. No primeiro dia de aula cheguei cedo e fiquei atenta à espera que a campainha tocasse anunciando a entrada para as salas de aula.
Corri para pegar um lugar perto da janela, decepção! Estava fechada, havia trocado a antiga e amada janela por uma novinha em folha, que agora entendi, ela estava emperrada por isso nunca era fechada, e essa agora tinha até cadeado.
O jeito era enfrentar as aulas de geografia, sem distração.
Léah

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

                                             " Parede de pedra "  óleo sobre tela 40x 30



 Vai e vem, tira e põe:
Hoje o dia amanheceu com um vento geladinho e choveu a noite toda , enquanto há  dois dias atrás o calor chegou a 41 graus. Tenho que ficar atenta com meus vasos de flores. É bem assim, põe na sombra em dias de sol, água fresca pela manhã e à tarde quando o sol se vai. Põe em lugar de chuva quando a chuva é fina, e fora dela quando é grossa, é um vai e vem sem fim, mas, elas agradecem me oferecendo suas belas cores e perfumes, em troca desse cuidado a elas dispensado.
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

decidir ou não decidir





                           óleo sobre tela 30x35
Sentei-me na varanda para tomar minha xícara de café com leite e sentir o ar ainda fresco da manhã do dia que se anunciava quente, e pensar o que fazer.
Não é meu costume acordar antes das nove, mas precisava ficar só para pensar no meu velho- novo plano  que envolveria a família e me parecia ótimo.
A passarada agitada nos galhos do flamboyant era o único som que se ouvia por ali, até que uma turma de crianças da escola no condomínio juntou a algazarra infantil a dos pássaros.
Tudo passou rápido como uma nuvem o barulho das crianças, dos pássaros e foi quase como se o silêncio reinasse no espaço para dar espaço a meus pensamentos.
Só minha mente não estava em silêncio, planos feitos há alguns anos que ficaram esperando a oportunidade e realiza-los seria como começar de novo só que desta vez minha idade era outra, minhas energias vitais bem menores, e por consequência o medo também maior que a coragem de outros tempos, mas é preciso, é preciso, não posso esmorecer, desistir de meu sonho

Fiquei ali sentada pensando nos prós e contras daquele sonho. Minhas cachorras deitadas em torno me olhavam como quem perguntasse:  “- E então, decidiu, acredita que vai dar certo-"?
Ninguém por perto além delas para opinar, e elas nem podem, rsrs ! Mas, desistir seria como nadar e nadar para morrer na praia, não, isso não, vou em frente e que Deus me ajude e dê forças, pois a responsabilidade é grande.
Abandonei um pouco os pensamentos e fui andar pelo meu jardim que estava  bem cheiroso por conta do Manacá com suas flores lilases e brancas,  Natasha a cadela mais idosa seguindo-me fiel, as outras duas me observando de longe. Acho muito engraçado este comportamento protetor delas, sempre brinco com minha filha dizendo: “-Não conte nenhum segredo perto delas, pois elas entendem tudo e vão espalhá-lo para outros cães.”-
Mudei meu percurso  e fui até a cozinha, agora as três me seguindo, comecei a preparar o lanche do marido automaticamente, pois a mente permanecia analisando ponto a ponto por onde começar, qual o resultado de cada situação que surgisse, cada vitória e cada imprevisto do meu sonho.
Marido acordou: “-Oi amor, estás sentindo alguma coisa, levantou cedo?”
Sim, agora eu estava sentindo o entusiasmo da certeza, o prazer da decisão e cheia de energia, começar de novo é muito bom, e escolher um caminho a seguir me deixou leve.   
Sentamo-nos  para o lanche e começamos a discutir a realização, de quando começar, e quais os primeiros passos.
Agora é pra valer, graças a Deus e que ele nos ajude.