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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jardim

Óleo sobre tela
40x 25




Tenho cinco árvores em meu quintal,
Tenho muitas flores, muitas folhinhas, outros arbustos,
Outras plantinhas.
Tenho muita sombra em meu quintal,
pois tenho cinco árvores tampando o sol,
que sempre se esgueira e me dá bom dia,
Tenho muito verde no meu quintal,
Galhos que caem folhas que murcham,
Flores cheirosas, outras nem tanto
umas vermelhas, amareladas, brancas, alaranjadas
Tenho muitas cores no meu quintal.
Minha calçada atapetada com folhas e flores que nela caem
Nas cinco árvores do meu quintal,
Em noites de estrelas ou lua cheia, também se infiltram
nas brechinhas e dão  brilho as folhinhas do meu quintal.
Escuto agora uma machadinha, cortando árvores
Que ainda bem  não estão no meu quintal, uf!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Auto Estima





                                Jarro branco com sempre-vivas (óleo sobre tela 40x35)

Auto Estima
Não quero mais chorar ou reviver o passado, reviver as lembranças más.
Não quero mais lembrar as dores do que já se foi.
Lamentar o  que não fiz, pensar nas mágoas nas indiferenças,
No quanto fui amada, ou desprezada,
Não quero pensar  no que poderia ter sido, e sim do que é agora.
Vou fazer uma grande cova enterrar as mágoas e cobrir de flores
este mausoléu.
Quero o agora,  o já não quero as murchas recordações, quero as frescas, as viçosas flores do presente.
Olhar lá fora com olhos bem abertos para o futuro, para o real,
Quero o hoje, o amanhã, viver, sonhar, continuar.
Meu futuro é hoje, é já, não o que já foi.
EU sou, EU faço, EU ajo, EU creio, EU vou,
EU posso querer, EU me amo, sou poderosa, sou viva, sou feliz.

(Texto Léah)

sábado, 6 de julho de 2013

minha vida minha arte




Minha vida minha arte
Houve um tempo em que meus parentes diziam:
“-- Ser pintora é profissão de gente rica, pra que ficar pintando florezinhas, ou paisagens é só olhar em volta as paisagens estão aí com florezinhas e tudo, perda de tempo e dinheiro, arranje uma profissão  de verdade...”
E eu sonhava em pintar, mas  nada que eu fizesse era aceito ou visto como arte.

(óleo sôbre tela de madeira 22x14)
Menção Honrosa 







Estudei para outra profissão bem burocrática e trabalhava, mas eu odiava,  e nas horas vagas num cantinho qualquer da casa pintava meus quadrinhos e pendurava-os pelas paredes da casa de meus pais, porém só eu os apreciava.
No aniversário de uma parenta, numa época que eu havia perdido o emprego, e não tinha dinheiro para comprar nada, resolvi caprichar num quadro pintado em tela de madeira (Eucatex),  e dei-lhe de presente.
A presenteada perguntou o que era e num obrigada muito seco quase o jogou sem desembrulhar ao lado de todos os outros que estavam bem expostos num aparador, somente o meu permaneceu ali até o final da festa embrulhado, bem escondido no papel de presente.
Meses depois precisei ir até sua casa e vi o quadro em baixo de um vaso de plantas semidestruído pela água e pela terra.
Senti-me tão humilhada e envergonhada que fiquei muitos anos sem querer olhar para tintas ou pincéis.
Um dia já depois de casada olhando para as paredes de minha sala sem um quadrinho, vazia, fria, voltou a vontade de pintar e em pouco tempo a sala estava mais alegre e viva.  Incentivada por meu marido resolvi dar um basta naquela “frustração ou complexo de inferioridade,” recomecei a estudar e entrei para a escola de Belas Artes,  mas aquele complexo não me largava, tinha medo de entrar em exposições, e  ser rejeitada foi outra luta interna até conseguir.
Outra vez meu marido esse meu grande incentivador convenceu-me a experimentar e expor  dois quadros que foram premiados, com medalha de prata e de bronze

(Óleo sobre tela –Medalha de prata- acervo)


(Óleo sôbre tela- medalha de Bronze acêrvo)

Entretanto ir a vernissages era um sacrifício inominável, presenciava a bajulação de outros pintores para com os juízes, queriam vencer a todo custo,  e aquelas atitudes me agrediam me desiludiam e aumentavam minha timidez, e resolvi  levar os quadros para as exposições, mas não ia às vernissages abandonei aquela fogueira de vaidades na qual eu não conseguia me enquadrar. Ganhei vários prêmios e enquanto isso  uma amiga vendia meus quadros, pois eu não levava o menor jeito para comercializa-los.
Aí meu marido foi transferido para uma pequena cidade do interior onde tudo era difícil e muito simples, era uma vida muito diferente da que eu vivia no Rio de Janeiro, lá eu não conhecia ninguém e minha principal atividade era cuidar de nossa casa e de minha mãe doente. Ficamos lá dois anos, sempre que podia pegava o carro e vinha para o Rio onde tínhamos uma casinha na praia e comprava material e voltava e  pintava nas horas vagas. Foi uma fase muito tensa e ao mesmo tempo de pasmaceira naquela cidadezinha.
De lá desta cidadezinha fomos transferidos para outra igualmente pacata, com valores bem diferentes da grande cidade que é o Rio de Janeiro e mais dois anos de fugas para o Rio e rezando muito para conseguirmos voltar definitivamente para nossa cidade, e graças a Deus conseguimos!
 Aqui chegando nos envolvemos na construção de nossa casa e as pinturas ficaram guardadas aguardando meu pequeno atelier ser construído na casa.
Um dia surgiu o convite de uma amiga para eu ensinar umas crianças carentes a pintar eram de uma escolinha onde ela era diretora.
Quando eu estava bem feliz veio  a prefeitura removeu a escola para outro bairro trocou a diretora, enfim acabaram as aulas.  
 Depois com meu atelier já pronto resolvi dar aulas para umas mulheres de uma comunidade pobre e aí  uma vez por ano elas e eu organizávamos um leilão para os  trabalhos delas e dava-lhes o dinheiro. Embora elas gostassem mais de trabalhos artesanais e de reciclagem, foi um bom tempo, mas, por motivos de saúde de meu marido tive que encerrar essa atividade também.
Hoje está tudo bem, meu marido com saúde,  não entro mais em exposições, e nem  dou aulas, entretanto nunca mais deixei de pintar, posto todos os meus trabalhos  no meu blog e uma vez por ano troco todos os quadros que estão na minhas paredes,  de vez em quando alguém me encomenda um quadro ou presenteio alguém, ou simplesmente mando-os para o bazar da igrejinha aqui perto de casa.
O importante para mim é pintar quando quero e tenho inspiração, é ter vencido todos os empecilhos, ter conseguido valorizar a opinião de quem realmente me respeita e ama.
Foi difícil, pois tem coisas que ficam como ranço em nossa mente, mas venci e me libertei
daqueles complexos inúteis.
Mas aquela parenta quando vem a minha casa  não tece nenhum comentário sobre meus quadros, aliás, ela nem olha para os que estão nas paredes por maior que eles possam ser, prefere olhar para o chão, para uma cadeira ou para qualquer outro objeto, chega a ser engraçado!  Percebo porque sou observadora, mas não me afeta isso agora é um problema só dela. 

  Léah