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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

rosa

As rosas que o beija-flor beijava...


Nas asas de um Beija Flor
eu aprendi a voar, a beijar,
também, a conhecer as rosas
e do seu néctar saborear...
Com as gotas d'água dos rios,
que conheci o frescor,
percebi o sol, me tornei vapor
e aos céus emergir...
Tornei-me nuvens, exibindo formas,
acolchoadas, brancas, viçosas
que quando carregada, diluía,
a molhar as rosas, que o beija-flor
beijava..
que me beija, que me adoça...
ah, que viagem maravilhosa...

poema de: Lívia Apetitto

pintura de: Léah MorMac

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Janela verde

Aurora boreal

Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
Poema de Antonio Gedeão

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Bosque

Até Pensei-           (Chico Buarque)
Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia

Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida me ensinou essa modinha .


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A brancura das ondas no verde azul do mar
que no seu vai e vem
carregam meus sonhos, me levam até você
até ao azul de teu olhar.
pensamento e pintura à óleo de Léah MorMac

  

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eu e o Rio
Rio caminha que anda e que vai resmungando talvez uma dor
Há quanta pedra levaste outra pedra deixaste sem vida e amor.
Vens lá do alto da serra o ventre da terra rasgando sem dor.
Eu também venho do amor com o peito rasgado de dor e tão só.
Não viste a flor se curvar, teu corpo beijar e ficar lá pra trás.
Tens a mania doente de andar só pra frente não voltas jamais.
Rio caminha que anda, o mar te espera não corras assim.
Eu sou um mar que espera alguém que não corre prá mim.
Miltinho (cantor)
Composição: Luiz Antonio
                                                                              
                                                                                 O rio= pintado por LéahMorMac