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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mar de marolas

óleo sobre tela 30x30 "mar manso"

Quisera viver numa calmaria, num mar de marolas a me banhar,
Nadar tranquila sem ondas bravias a me arrastar
São desejos, são anseios, por tantas agonias passar
Quero sentar na areia, olhar o claro horizonte,
Sem medo que barcos errantes venham me atacar
Quero um mar calmo, onde eu possa mergulhar.
Não quero ressacas, quero o céu refletido nas aguas mansas
Viver horas felizes com elas criar lembranças
 Será querer muito, serão sonhos impossíveis de se ter?
Mas se sonhar é preciso, para podermos viver!
Só poso esperar que estes sonhos venham numa marola,

Antes que eu vá embora...
                                                                              Léah


sábado, 20 de maio de 2017

Conjecturas

óleo sobre tela 40x30 "vaso branco flores vermelhas"

Não sou uma pessoa que pratica uma religião, tenho muitas crenças e tantas outras descrenças, entretanto isso não me torna uma pessoa de pouca fé em Deus, nesta força Maior, onipresente e onipotente, que  me dá o livre arbítrio de escolher meus caminhos, tomar decisões, mas também a consciência de que terei o resultado e a responsabilidade dessas escolhas. Ele só não me dá o livre arbítrio de escolher o dia e a forma de  quando e como vou morrer, isso é piedosamente Divino...
Continuando no caminho da espiritualidade, fico me perguntando porque uma pessoa que tem a oportunidade de escolher caminhos que a levem ao sucesso, mesmo sem sacrifícios, opta pelo errado e parte para roubar, e quanto mais rouba mais quer roubar, por que esta ganância desmedida sem escrúpulos, sem limites? Rouba tanto que pela idade que tem, não vai ter tempo de vida para desfrutar do quinhão roubado! E além da justiça dos homens, terá a justiça Divina, no seu encalço, esta última não falha.
Alguém descrente me falou: “-Essas pessoas só caem pra cima, igual gato, não têm castigo-“
Bem, eu não acho, eu posso não ver o castigo, embora torça por vê-lo, mas penso que se não me for dado esse poder, continuo acreditando que mesmo que não veja, ele virá, isto não depende de nós mortais, é aí que entra o resultado do caminho que o infrator escolheu. Vai pagar de uma forma ou de outra.
Se eu não tivesse a certeza de que existe um preço a pagar por cada erro que cometemos, seria uma pessoa sinica, não posso pensar que Deus é indiferente e que perdoa todos esses crimes, só pelo fato de um dia eles se arrependerem, acho que tudo tem um grau de avaliação, tudo depende de quantos esse criminoso prejudicou, fez sofrer, matou... Se não tiver tempo de pagar nesta vida, volta para pagar, nasce de novo, e aí não vai poder cair pra cima, como disse meu amigo descrente. São minhas conjecturas, meu modo de pensar sobre a vida, e fé, são minhas certezas, e dúvidas e pelos acontecimentos que estamos atravessando no Brasil, não existe crime sem castigo, grande ou pequeno.
Todos os brasileiros estão sofrendo de uma forma ou de outra, pois não existem inocentes neste mundo, o negócio é lutar e acreditar, com fé de que tudo se resolvera  se Deus quiser e Ele quer.
Fim                                                                                                                               Léah


Aos amigos e amigas que acompanham meu blog
minha ausência se justifica por uma viagem de emergência
que fiz à Buenos Aires, parente doente. Agradeço de coração
a todos os votos de Feliz Dia das mães, e o perdão pela ausência.
Abraços com carinho, Léah

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A falsa generosidade

desenho à crayon e guache- "o caminhãozinho do Wilso"

Wilso comprou um caminhãozinho, carroceria verde, cabine brilhante novo em folha! Com ele Wilso passou a fazer o transporte das suas verduras, que cultivava no sítio, e a desfilar pela cidade todo orgulhoso de sua aquisição, quando saía do caminhãozinho ficava parado do lado de fora, encostado na porta, balançando a chave, para que todos vissem que ele era o dono!
A igreja que ficava a alguns passos de sua chácara, era mais um lugar de exibição, colocava a filharada na carroceria e a mulher, igualmente orgulhosa, na cabine e ia ele para a missa de domingo, que antes nunca frequentava.
Era uma cidade pequena onde havia solidariedade entre os vizinhos, até por uma questão de sobrevivência, mas nem todos eram assim.
Wilso baixinho falastrão que na hora de contar suas vantagens se esticava todo, para se sentir mais alto, nunca ajudara ninguém, e também nunca pedira ajuda, se gabava como se fosse de outra estirpe, e com seu caminhão ficou pior.
Seu vizinho Tonico, dono de uma pequena e modesta chácara, que ficava ao lado do sitio de wilso, correu até lá para ver a grande novidade, o caminhãozinho do Wilso, e se encheu de inveja, voltou para casa amuado, com raiva do mundo, como aquele contador de vantagens conseguiu, aquele caminhão, e ele não! Era só isso que repetia. À noitinha Tonico correu para a tendinha, onde alguns vizinhos se reuniam para tomar uma pinga e contar as novidades, mas todos já sabiam da compra do Wilso, e nem ligaram muito, na tendinha um pequeno aparelho de TV, mostrava o jogo de futebol de um campeonato qualquer, que todos queriam assistir, mas Tonico repetia o refrão, “mas como ele conseguiu, e eu não?”
 - “Sabe-se lá Tonico, vai ver o home tem dinheiro mesmo” - falavam os outros já enjoados da lenga, lenga do invejoso Tonico.
Passaram-se meses e Tonico olhava magoado a exibição de Wilso.
“ _Aquele anão, como é um besta, fica passeando com aquele caminhão como se fosse uma grande coisa, anda tanto com ele, daqui a pouco vai enguiçar, aí é que eu quero ver, quem vai ajudar ele a levar as verduras, eu é que não sou.”-
Uma noite dona Giza, mulher de Tonico, passou mal da pressão, e como era uma noite de chuva, Tonico ficou preocupado, como ele ia levar sua mulher ao hospital lá no centro da cidade, pensou em arrumar a carroça cobrir com a lona e leva-la ao hospital, mas seria um risco ela mal conseguia ficar de pé, que dirá deitar na carroça!
Resolveu, pedir ajuda a Wilso com seu caminhãozinho, bateu na porta da frente, ninguém atendeu, foi na de trás, já desesperado, até que Wilso veio atender com um sorriso estampado na cara, e Tonico com esforço engoliu sua inveja e orgulho e pediu que levasse sua mulher até ao hospital, na cabine sequinha do caminhãozinho, aquele que ele tanto torcia para que enguiçasse.
Claro que Wilso levou-a, foi o tempo todo muito esticado atrás do volante, sem trocar palavra. Enquanto Tonico e Giza iam agarrados no estreito banco da cabine. Ela foi internada, medicada e sobreviveu, mas em cidade pequena tudo se sabe, o que há de bom e de ruim, e todos só comentavam a ajuda de Wilso e a vergonha que Tonico teve que passar, que agora era só elogios ao Wilso e ao caminhãozinho.
Ninguém entendia porque seu Wilso, que nunca fora prestativo, resolvera ajudar Tonico e dona Giza.
Um dia ele explicou, depois de umas pingas, além da conta,  lá na vendinha abriu o verbo.
-“Sabia de todos os comentários de Tonico sobre mim e meu caminhãozinho, e adorei vê-lo precisar e se humilhar, mas gostei muito mais de ser elogiado por todos por eu ter sido generoso, agora sou respeitado.”—
E passou a andar mais esticado ainda, estava se sentindo um gigante, apesar de ter confundido seu ato de mesquinharia, e vingança com bondade. E ser respeitado estava longe de ser verdade, quando todos entenderam a razão de sua falsa generosidade.
Fim                                                                            Léah

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O FILHO HOMEM

desenho crayon e aquarela

Seu Ambrósio e Dona Odete fizeram seis filhas, seu Ambrósio, dono de uma fazenda de gado era rico, bem posto na vida, como diziam lá pelas Minas Gerais, mas teve um sonho desfeito o de ter um filho homem, que se chamasse Ambrósio Ribeirão filho. Ele achava que a culpa desse desgosto era só da mulher, pois ela ficava bem feliz com aquelas meninas, se divertia com todas aquelas Marias, fazendo roupinhas cor de rosa, cor que ele já detestava. E nem ligava para o desgosto dele que se sentia um bendito fruto, no meio daquelas Marias
Todas Marias, as mais velhas Maria Joana e Maria Lúcia eram gêmeas, a terceira Maria Paula, a quarta Maria Antonina, a quinta Maria Amélia, e por último Maria Clara.
Um dia, já com suas Marias moças a ponto de se casarem, seu Ambrósio, teve a brilhante ideia de desafiar o destino, reuniu a família e proclamou: “ - A primeira filha que se casar e a primeira, somente a primeira que me der um neto homem ganhará uma fazenda de presente, mas ele terá de se chamar Ambrósio Ribeirão Neto.
Foi uma algazarra entre a mulherada, um tal de “Eu vou ter esse filho, nada disso quem vai sou eu”, e assim foi até os ânimos se acalmarem e Maria Clara a que tinha a mente mais clara, perguntou: -Pai e se ninguém tiver esse neto, se todas tivermos filhas? –
                     -Não ganham nada, ai esperem eu morrer de desgosto, ora bolas. –
Casou-se Maria Joana que logo tratou de engravidar, a expectativa das outras era grande, a torcida para que não vencesse o desafio era maior ainda. Até que nasceu uma menina, todos festejaram menos Ambrósio e Maria Joana, que ambiciosa, jurou engravidar de novo logo após o resguardo, mas não conseguiu, nunca mais.
E assim foram todas as outras três Maria Lucia, Maria Paula, e Maria Antonina, casando engravidando de meninas e mais meninas, e Ambrósio cada vez mais desesperançado. Eram laços de fitas, saias e babados por todo lado, nada de botas, nada de futebol, ou carrinhos, eram só bonecas. Mas ainda restava Maria Clara que nem falava em namorar ou casar, só gostava de rezar, fugia das diversões, para ir a igreja. 
Um dia, não um belo dia, e sim um dia de espanto e mais um desgosto para Ambrósio e dona Odete, ao descobrirem que Maria Clara que nem tinha namorado, que alguém soubesse, estava gravida!  Aperta daqui, pressiona dali, descobriu-se que o pai era o padre Alexandrino da Silva, homem novo, bonito e recente na paroquia, que se apaixonou por Clarinha, como a chamavam, e que largou a batina e casou com ela. Foram nove meses de torcida para que ela também tivesse uma menina, pois não seria justo, afinal ela fora pecadora, seduzira o padre, mas entre as irmãs segredavam que Alexandrino era realmente lindo!
Finalmente nasceu a criança de Maria Clara e Alexandrino, para regozijo das irmãs, uma linda e rosada menina, que cresceu detestando cor de rosa, laços de fitas e bonecas, gostava mesmo de jogar futebol, jogar pião, andar à cavalo, preferia as brincadeiras com o avô, tornou-se sua neta preferida, para ciúme das outras.
E para surpresa de todos, Clarinha para satisfazer um dos sonhos do pai, batizou sua filha com o nome de Ambrosina Neta Ribeirão da Silva, e o orgulhoso avô nem se lembrava mais da vontade de ter um neto.
Fim                                                                       Léah         

sábado, 22 de abril de 2017

Aniversário do BRASIL

colagem em cartolina

Era para estarmos festejando soltando fogos de artifício, bolos nas praças para o povo, desfiles de estudantes, musicais de orquestras nos parques em todos os estados e cidades desse nosso imenso território brasileiro.
Não temos fogos de artificio, mas temos tiroteios, balas perdidas e vítimas achadas. Bolo só se for a ausência em compromissos, porque nem pão dormido está sobrando. Desfile de estudantes tem, em passeatas pedindo escolas e instrução. Orquestras em musicais, já não temos mais, faltam músicos, instrumentos, às vezes, até os parques...
Cidades e estados falidos, assaltos a qualquer hora, em qualquer lugar, em bancos, lojas, pessoas, nos impostos... Mas temos novidades, doenças quase erradicadas há décadas, surgindo novamente, e já se sabe como se diz para o quase falta tudo! Inclusive hospitais e medicamentos, também não temos.
Nossas esperanças mortas, mortinhas... nossos pés afundados na lama dos políticos e empresários corruptos, que são tantos que dá para se perder a conta.
Este é o Brasil atual, nosso aniversariante, aquele que deveríamos festejar, que não deixo de amar, mas que não tenho como defender.
Não sei qual o antídoto para esse veneno que se chama corrupção.
Acho que o que está fazendo aniversário é a falta de esperança para o BRASIL que achávamos ser o País do futuro, mas que futuro!!!!!!!!!!
Fim                                                                       Léah    

terça-feira, 18 de abril de 2017

O ESCRITÓRIO



óleo sobre tela "40 x 30´= Flores vermelhas

Era mês de abril de 2008 e, apesar de ainda ser verão, o dia estava fresco e escuro.  Paulo sentou-se em frente ao cavalete, pois precisava fechar com chave de ouro os ajustes finais daquele projeto do condomínio, mas sua atenção estava voltada para o passado.  Atravessou seu modesto escritório, abriu a porta que o separava do luxuoso escritório de sua ex-mulher. Era amplo e bem decorado, nisso ela era boa! Uma grande mesa com um belo arranjo de flores sempre vermelhas, e agora murchas, uma mesa digitalizadora, que ela usara apenas duas vezes para seus desenhos gráficos, uma estante de livros, uma linda cadeira vermelha, onde ela gostava de se sentar, como se fosse uma mulher de negócios. Na janela, uma persiana vertical cor de café, combinando com uma poltrona de couro abaixo dela, na parede uma Smart TV, e, sobre uma pequena mesa auxiliar, uma parafernália de materiais que ele ignorava para qual função serviam, tudo isso sobre um grosso tapete de lã de carneiro, que ela venerava!
 Ele lutara durante quatro anos por aquele casamento na tentativa de serem felizes, inutilmente. Carla só pensava em coisas luxuosas, para ela, e extrapolava no orçamento familiar, que era mantido por ele, pois ela conseguira pouquíssimos trabalhos nesses malfadados anos, mas montara um escritório sofisticado, achando que isso a levaria ao sucesso.  Ele voltou para sua sala, mas sua revolta só aumentava, olhou pela janela e a natureza estava como ele, com nuvens escuras e ameaçadoras, precisava esquecer o passado e ir em frente, sair daquela casa.
2º Capitulo
Quando tudo começou era junho do ano de 2007. Os ventos batiam fortes nas janelas, e uma chuva fria anunciava a chegada do inverno, que para ele se estenderia durante muitos meses e até anos, como uma lembrança amarga e gélida.
Naquela manhã saiu de casa dizendo para Carla que seria um dia marcante, pois tinha quase certeza da aprovação de seu projeto, havia vencido a concorrência para a construção de um grande condomínio, o que lhe traria um bom dinheiro e também muito trabalho. Mas ela não comentou nada, ficou olhando para as unhas, sem lhe dar a mínima atenção. Haviam tido uma grande discussão na noite anterior, pois ela queria mudar o piso do escritório que alegava não combinar com o resto da decoração. Paulo se negou a bancar aquela inútil obra, e ela garantiu que a faria de qualquer jeito.
Paulo ficou até mais tarde em reunião, e quando voltou para casa não encontrou sua mulher, sempre a mesma coisa, a mesma chantagem, fugia para a casa da mãe e só voltava se ele fosse lá buscá-la e concordasse com seus desejos. Cansado resolveu mudar o paradigma, tomou banho, comeu alguma coisa e foi dormir.
Dois dias depois, sem que Carla desse notícia, Paulo resolveu voltar para casa mais cedo e dar um ultimato, telefonar para ela e dizer que não ia voltar atrás em sua decisão, não ia fazer-lhe a vontade, gastar mais dinheiro num escritório que nem sequer era usado, preferia gastar numa viagem para os dois, quando acabasse aquele projeto, e talvez além de se divertirem, se acertassem. Passou numa floricultura comprou flores, e resolveu telefonar só quando chegasse em casa.
3 º Capítulo
Estacionou o carro na rua, olhou para cima, a janela do escritório de Carla estava iluminada, puxou pela memória para lembrar se ele havia entrado lá naquela manhã antes de sair de casa e esquecido a luz acesa, e não, não esteve. Lembrou que saiu meio atrasado e não entrou lá. Notou que o carro dela não estava nem na garagem ou fora dela. Será assalto? Olhou em volta a rua como sempre vazia, apenas um carro parado quase em frente ao seu portão. E o dele. Foi até o guarda tudo do jardim e pegou um cano de ferro, abriu a porta da sala com cuidado, subiu as escadas o mais silenciosamente possível e entrou no escritório, vazio, completamente vazio, escutou a voz dela dizendo vai rápido, e uma corrida pela escada, Paulo correu também e ainda ouviu a porta da frente bater e foi atrás e viu um sujeito entrando no carro e saindo como louco, voltou correndo para dentro e ainda conseguiu ver Carla tentando se vestir, estava seminua, no quarto deles.
Onze meses se haviam passado, ele e sua equipe se jogaram no trabalho para vencer o tempo, e ele para esquecer como tudo terminou.  Agora que o divórcio fora homologado, ele precisava se libertar de toda aquela dor e naquela mesma noite, Paulo tomou uma decisão, trabalhou até pela manhã e finalmente encerrou o trabalho.
Agora deixaria a casa a venda numa imobiliária, tiraria um mês de férias, ia fazer a viagem que sempre sonhara, ir à Itália, e lá certamente veria muitos carneiros com suas peles em seus corpos. 
FIM                                                                                                                                                                                            Léah


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cupido Trapalhão

óleo sobre tela 35 x 45 cm "Paisagem outonal"
(este é a primeira tela pintada na nova casa, novo atelie)

Margo não tinha vida amorosa e, muito tímida nesta questão, apesar de ter um lindo rosto e um corpo escultural, nunca encontrara o tal do cupido em seu caminho, nem ao menos escondidinho ou camuflado, nada!! Mas tinha muitas amigas, a principal era sem dúvida Marilu que sempre a aconselhava.
 “¬ Quando você encontrar um cara por quem você se sinta atraída ao invés de esperar que ele resolva falar com você, invista nele, tome a iniciativa, os homens de hoje gostam de mulheres atiradas.” ¬
Um dia encontrou Gabriel numa feira de produtos de beleza, e ambos estavam apreciando um mesmo creme antirrugas, embora nem ele ou ela estivessem precisando. Margo achou Gabriel uma graça e pensou nos conselhos da amiga, e começou a conversar com ele, descobriu muitas afinidades entre os dois, só achou-o muito vaidoso, e pensou que talvez fosse por ele ser dono de um quiosque de maquiagem num shopping da cidade. Em determinado momento da conversa Gabriel perguntou se ela tinha muitas amigas e amigos,
 “¬Sim, tenho mais de vinte¬ “
“¬Mas, são só moças, ou tem rapazes também?”
Ela contou mentalmente, os namorados e irmãos das amigas e respondeu, que eram mais rapazes do que moças.  Ele não teceu mais nenhum comentário, só um sorriso. Trocaram números de telefones e ficaram de se encontrar qualquer dia, qualquer hora.
Margo saiu desiludida achando que sua investida foi uma furada e não deu certo como sempre, voltou sozinha.
Marilu insistiu para que ela ligasse e dissesse que iam num barzinho, e se ele quisesse era só aparecer. Marilu comentou com seu irmão, seu namorado e amigos, que Margo havia convidado um amigo e todos ficaram torcendo para que ele fosse um futuro namorado para Margo, todos menos Júlio irmão de Marilu.
 Gabriel aceitou prontamente o convite e no dia marcado lá estava ele, para espanto de todos.  Com uma calça tão justa que não se podia imaginar como entrou no seu corpo, uma blusa com decote em V, cílios postiços e um brinco pendente em uma das orelhas.
Marilu e Margo meio desconcertadas com a surpresa, assim como todos os que aguardavam um heterossexual a princípio ficaram meio sem ação, Margo pediu licença e foi ao banheiro se debulhar em lágrimas, Marilu foi atrás dela pra consolá-la, os rapazes passado o primeiro momento do choque,  deixaram o barco correr, e a noite transcorreu normalmente, menos para Margo, a pobre da Margo se recompôs voltou para a mesa, mas ficou triste meio encolhida, calada, e com raiva de seu cupido, que achava ser de madeira e já havia sido devorado por cupins.
Júlio irmão de Marilu, gostava de Margo ficara enciumado quando soube que ela havia encontrado alguém, mas ali vendo  a tristeza de Margo e sua ingenuidade por não ter notado a sexualidade de Gabriel logo de cara, sentou-se a seu lado e começou a contar piadas para alegrá-la ele sempre a fazia rir e sempre se insinuava para ela, mas Margo sabia que ele era mais novo que ela,  por isso não achava que daria certo, embora sentisse atração por ele,  procurava vê-lo como um amigo, entretanto naquela noite tudo mudou, Júlio conseguiu arrancá-la, da tristeza, levou-a até em casa e começaram um romance que dura há três  anos, tudo graças a um cupido distraído e trapalhão e a um gay que continuou sendo amigo de todos.                                                                                                            Léah
FIM