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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Embora ainda falte uma cirurgia estou dando uma passadinha nos blogs para matar as saudade, só que não tenho nenhuma pintura para enfeitar a pagina.
Mas fica aqui meu agradecimento pelos votos de boa sorte, está tudo bem por enquanto.
Espero voltar definitivamente em breve.
Grande abraço a todos.
Léah

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Até breve

Queridos amigos, vou ficar um tempo afastada do blog por motivo de tratamento de saúde, uma cirurgia, que requer descanso e cuidado.
Quando puder voltarei, embora a saudade já esteja presente. Obrigada por todo o carinho recebido até hoje.
Grande abraço bem apertadinho em todos.
Léah


terça-feira, 15 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah

sábado, 5 de agosto de 2017

O MAR E eu

óleo sobre tela 40x20  "mar da Barra da Tijuca ao amanhecer"
Como comparar toda aquela beleza que era ver o sol despontar fazendo as aguas do mar se tingirem pouco a pouco, primeiro ficavam vermelhas, iam amarelando como ondas de ouro, até o verde aparecer lentamente com rendas de espumas brancas   indo e vindo beijar a areia, ali era o refúgio, era a calma, era a beleza. Era ali que todas as manhãs de sol eu buscava a paz, e via o poder da natureza, quando na rebentação o estrondo da onda contra a pedra mostrava sua força.
O mesmo mar que encanta e surpreende com sua beleza, também amedronta e nos leva a morte.
Há um tempo atrás aprendi a nadar numa grande piscina de um clube, mudamos de casa e então só nas férias quando íamos para a região dos lagos numa lagoa de aguas salgadas e muito mansa. Ali a natação era apenas diversão e exercício para o folego. Quando finalmente entre tantas mudanças de residência, fomos para um bairro banhado pelo mar aberto, com ondas fortes, veio a insegurança, o medo.
 
 Quando tomei coragem enfrentei o mar, afinal eu sabia nadar era só uma questão de tentar, de não me acovardar.  Então criei coragem e fui, aí  me senti especial, forte e fraca, corajosa e amedrontada, todos os sentimentos vinham juntos a cada braçada, passou a ser rotina nadar, e sem perceber  tudo, todos os medos  ficaram para trás e me achei poderosa, impossível de ser vencida por ele, o mar,  afinal eu sabia nadar! Mas a vaidade é veneno! Aí veio a resposta de quem realmente mandava ali, e uma onda enorme bem na hora em que eu distraída me preparava para sair feliz e arrogante, derrubou toda a minha vaidade arrastou-me por uns metros e após a surpresa e susto, larguei o corpo afundei, e quase sem folego nadei até a praia e a partir daí aprendi a respeitar aquela força, com toda a sua beleza hipnótica e aquele jeito encantador de falsa maciez.
Esse é o mar que amo e respeito.

Léah                                                                                Fim

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Aprendendo a nadar

"O mar quebrando" óleo sobre tela 24x35 cm
Hoje estava lembrando de quando aprendi a nadar, apesar de morar perto do mar quando ia à praia ficava só na beirada me molhava e ia para o sol, me molhava de novo e lá ia eu tomar banho de sol. Não sabia nadar, e não enfrentava ondas nem pequenas. 
Levava as crianças pela manhã e ficava cuidando pela segurança deles, e temia muito que se afogassem. Nesta época morávamos numa casa com um quintal razoável e resolvemos montar uma pequena piscina, ela tinha o formato de um piano de cauda, sendo que maior uns dois metros! Mas, mesmo assim meu medo de que se afogassem quando eu não os estivesse olhando permanecia. 
Surgiu um arrependimento de fazê-la  bem maior que seu tamanho, mas sempre existe um remédio para os erros, e o remédio foi matriculá-los nas aulas de natação infantil de um clube, que ficava em meu bairro. No clube  além da piscina infantil, a de adulto era olímpica, e linda, dava muita vontade de entrar.
Ficava apreciando as crianças na aula e achava que devia ser fácil aprender a nadar, ledo engano! Comentei com as mães que ali ficavam como eu, que adoraria   entrar naquele piscinão e aprender também, e descobri que todas compartilhavam do mesmo desejo. Até que uma delas a mais extrovertida falou com o instrutor do clube, que falou com o presidente, que também era diretor, dono, e um camarada alegre e legal, assim sendo abriu inscrição para adultos, isto é para as mães ou pais que quisessem. Entrei numa turma no mesmo horário das crianças, e meus filhos achavam divertido ver a mamãe aprendendo a nadar, sendo que eles aprenderam antes de mim!!
Primeiro aprender a afundar a cabeça na água, abrir os olhos lá em baixo sem respirar pelo nariz, subir encher os pulmões de ar, e tudo de novo, e de novo, era um horror, já estava maldizendo a ideia que tive de querer tudo aquilo.
Como o número de mães aprendizes era grande, eu evitava fazer a lição, achando que o instrutor não notava, mas ele era atento como um lince, e resolveu se dedicar a me fazer aprender, ficou perto de mim afundou minha cabeça na água, uma, duas, três vezes,  eu achava que numa dessas ia morrer! No nado cachorrinho me fazia repetir até ficar ótimo, e nunca estava bom, ele devia me odiar, pensava eu, e assim foi peito, costas, mergulhos... Aí eu já estava me amando, me sentindo a tal, e recebia um olharzinho elogioso do rígido professor e a frase. "--É está indo bem, mas pode melhorar--", enquanto eu pensava vá cismar com outra, larga do meu pé...
Aprendi as modalidades exceto borboleta, tive uma inflamação de ouvido que me tirou a vontade de voltar, fiquei mesmo com a piscininha “piano de cauda” até ficar boa. Na mesma época vendemos a casa, fomos para outro bairro mais longe do mar  e mais perto do trabalho do marido, e melhores escolas para os filhos.
Mas a experiência de aprender a nadar, valeu à pena, lá fiz grandes amizades que duram até hoje, e nadei no mar, quando voltei a morar perto dele.
É a vida com situações próprias para cada ciclo, idade e tempo, esse deixou saudades foi divertida aquela época para nós.                                                                                       Léah 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

INFÂNCIA DOCE

aquarela em papel Moulin du Roy "rosas sempre rosas

A vida corria solta naquele canto do mundo, podia-se respirar,
 e nos dias de sol andava pisando em cascalhos e em secos galhos
até chegar na estrada estreita que seguia até a cancela, e depois o mar.
e lá vinha o trem com seu resfolegar de pão sim, bolacha não, assim sem parar,
contar os vagões e correr mais que o trem, pernas para voar
E quando cansava se estender na areia quente do mar
chutar ondas e não se importar de molhar a roupa
inventar canções,  poder cantar até ficar rouca.
Como era bom aquele lugar!
Um caminhão, malas de roupas, moveis, colchões,
de repente tudo ficou tão longe muito barulho
tudo esquecido, perdidas paixões
Vida comprida estreita, sem sabor naquele lugar sem ar
Chão duro, casas trancadas, grades, sem trem, longe do mar.
Praças fechadas é proibido entrar, como viver como sonhar?
Gostava tanto do outro lugar, liberdade, tudo aberto
Silencio nas noites, nada de tiros, balas só as de chupar,
Como era feio aquele lugar.
Nada fazer, já não se pode brincar, rir, gargalhar
molhar a roupa no mar, ou cantar até ficar rouca.
Apenas lembrar, chorar e como o trem resfolegar
Lá era bom, aqui não...Até cansar.
                                   Léah



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amiga boa de se encontrar...

óleo sobre tela -"Caminho verde"

Lembro bem dos momentos que passei quando fazia minha formação na Escola de Belas Artes e ontem encontrei por acaso uma grande amiga com a qual me diverti muito na época,  e que de repente sumiu do meu contato de forma misteriosa, ela muito bonita era sempre escolhida pelos colegas para ser retratada, e desejada por eles o que instigava sua vaidade. Em mais de um período tivemos como disciplina historia da arte, e o professor e essa minha amiga se apaixonaram, mas mantinham em segredo absoluto aquela paixão,  ninguém sabia! Embora nossa amizade fosse bem forte, ela nunca me confidenciou sobre quem era “seu grande amor”, era como se referia a ele, mas não dizia seu nome, e eu nunca a via junto com ninguém, pensava ser uma invenção, um desejo de ser amada de verdade não só por sua beleza física, e eu com receio de magoá-la no seu desejo de ter um amor sonhado, não perguntava detalhes.
 Ele, o professor Ari, (codinome), era muito querido pelos alunos, na sala de aula, comentava sobre sua atividade política de estudante nas ruas e na UNE, contra o regime militar que se instalou no Brasil e como se safou das mãos de ferro dos militares, eu ficava impressionada com os casos contados e dos amigos que foram presos com ele e que nunca mais viu. Minha amiga “Maria” (codinome) sempre chorava discretamente quando ouvíamos essas historias .
Percebíamos, por várias situações que o Reitor e Ari tinham uma diferença qualquer, que só agora sei qual, o Reitor teve como pai um coronel radical. Eram portanto antagônicos em seus ideais políticos.
 O professor Ari tinha quatorze anos mais que Maria, sei que não por isso eles fizeram segredo e sim por ser intolerável pela faculdade namoro entre professores e alunos, e ainda o Reitor como pedra em seus sapatos.
Foi maravilhoso fomos para a praça de comida no shopping onde nos encontramos para contar nossos babados em dívida há mais de uns trinta e muitos anos, ela está muito bonita ainda apesar dos sessenta e três anos, e ele setenta e sete, mostrou-me fotos deles e dos dois filhos já homens. Aí sim reconheci seu marido, o professor Ari! Quando ela sumiu da faculdade foi para se casarem. E ele continuou mantendo segredo por medo de mais perseguição por parte do Reitor se a estoria viesse a tona.
No fim de nosso longo encontro, após marcarmos novos e próximos em minha casa e na dela, brinquei com ela:
-Maria vou te contar um segredo, se você divulgar serei obrigada a te matar, falei muito seria, só vou te contar porque sei   que você sabe guardar.
- Sei? Não, não sei que, horror! Não quero saber,
- Cale-se Maria preciso contar, és ou não minha amiga? Eu também tenho um segredo.  É que sou espiã internacional.  Passados uns segundos de silêncio, Maria me olhando até que caiu a ficha e rimos muito.
-Maria vai guardar segredo assim lá em Brasília, mas cuidado com o Juiz Mouro, rsrsrs !!
                                                       fim.

Léah