desenho à crayon
Hoje é realmente um dia feliz de calmaria e paz, aqui
sentada apreciando as flores do jardim ao lado do meu AMOR, aproveitando o sol
fraquinho, depois de dias frios e chuvosos. Minha mente fez uma retrospectiva da
época em que nos conhecemos, eu tinha 12 anos de idade e ele 14, éramos duas
crianças que só se olhavam de longe, com curiosidade, nem sei porque fazíamos
isso, sempre na hora de entrarmos para a sala de aula ou no recreio, lá
estávamos nós parados nos olhando! Estávamos num Colégio onde as turmas não
eram mistas, meninos separados das meninas, com uma diretora rigorosa ao
extremo, que vigiava toda criançada até fora dos portões do colégio. Para mim
isto não importava muito e nem era estranho pois em casa meu pai era igualzinho
a ela!!
Terminamos o curso ginasial, fomos para outros colégios e
por três alguns anos não nos vimos e na verdade eu nem sabia o nome dele,
lembrava-me apenas de seu rosto, daquele menino magrinho de óculos, que tanto
me olhava.
O tempo passou, sonhei
como toda garota sonhava com um príncipe encantado, namorei uns sem encantos,
que não eram nem VALETES que dirá PRÍNCIPES , até que um dia o destino resolveu
trazer meu príncipe, sem cavalo branco ou reinado, veio mesmo a pé entrando
pela sala de aula do curso pré-vestibular que eu estava fazendo já há uma
semana e ele apareceu, ali parado na porta com seu 1,80m procurando uma cadeira
vazia, havia uma a meu lado e outras
duas mais longe, claro que ele escolheu a do meu lado, não ouvimos nada daquela
aula naquele dia, que foi também o primeiro dia de nossas vidas, ali tudo
começou...
Para ele antes daquele dia muitas coisas aconteceram de ruim
que o fizeram perder dois anos de estudos, mas ele dizia brincando, que estava
tudo planejado em algum lugar do infinito, justamente para
ele poder me reencontrar...
Ingressamos nas devidas faculdades, ele de Economia eu na de
Belas Artes, sonhávamos com nosso futuro, mas
nossas vidas não foram sempre só romance e deslumbramento,
perdi meu pai, tive que trancar matricula e trabalhar fora. Ele arranjou
emprego na IBM, mas teve de terminar a faculdade à noite. foi um período de sacrifícios e incertezas,
adiamentos de nossos planos. E uma coisa me atormentava, não poder voltar a faculdade
de Belas Artes, a grana era curta.
Meu pai quando vivo adquiriu duas casas, numa morávamos, a
outra dizia ele que era para as filhas quando se casassem, assim foi durante
uns anos, até que ela ficou desocupada e minha mãe queria aluga-la. Ela e minha
sogra eram contra que nos casássemos, alegavam que éramos muito novos, mas
estávamos seguros de nossos sentimentos e resolvemos enfrentar as duas
opositoras e nos casamos, eu com 22 anos e ele com quase 25. Foi uma cerimônia
simples na igreja do bairro, que nós mesmos com nosso pouco dinheiro
organizamos, mas estávamos muito felizes.
Fomos morar na casa que meu pai construiu e pagávamos aluguel para minha
mãe, mas mesmo assim continuei trabalhando por mais um ano.
Aí engravidei, mas perdi o neném, chorei muito. Ele mudou de
emprego foi para a Petrobras, as finanças melhoraram, parei de trabalhar, compramos
nosso primeiro apartamento, na Ilha do Governador, era antiguinho, mas era só
nosso, voltei à faculdade e ai resolvemos ter nossos filhos, primeiro nasceu um
menino, três anos depois a menina, anos muito felizes esses.
Claro que a vida não é uma linha reta onde os bons
acontecimentos vão surgindo sem barreiras, sem interferências de pessoas que
não suportam nos ver felizes, mas nunca deixamos que essas influências diminuísse
nosso amor.
A vida tem sido muito generosa conosco, temos dias tensos e
assustadores geralmente por problemas de saúde, temos dias maravilhosos, e dias
comuns, mas em todos eles o amor, união e nossa alegria e gratidão de estarmos
vivos e juntos, sempre estão presentes. E é fundamentalmente a isso que devemos
dar valor ao amor e a união familiar, é isto que nos dá força isto é o que
considero o MEL da vida.
FIM
Léah