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domingo, 16 de setembro de 2018

SAUDADE E DOR

desenho em cartão

Este ano de 2018, para mim tem sido cheio de dor e sustos, sem nada de calmaria, sei que o tempo e o destino não estão em nossas mãos e só nos resta aguentar firme.
Tento estancar as lágrimas buscando na memória como quem busca um tesouro escondido, para me alegrar. E veio à minha mente, a melhor ceia de Natal que passei até hoje, e isto foi há bastante tempo.

A mesa da sala de jantar dava para doze pessoas, mesmo assim juntamos a ela a mesa da cozinha, aí deu para todos, adultos e crianças, mentalmente vi todas as sobrinhas e sobrinhos já adultos, minha mãe, meus sogros e minhas 3 irmãs, meus dois cunhados e casal de amigos, e meus filhos que só pensavam no Papai Noel. Foi uma ceia de Natal memorável onde tudo correu em paz e alegria. A ceia era ótima mas o importante era aquele momento, aquela união, naquele dia tão especial.

Muitas outras ceias aconteceram depois desta, mas nunca mais foi preciso juntar mesas, ou catar cadeiras pela casa, e acredito que de agora em diante bastará só a mesa menor, porque até os amigos estão indo.  
Minha mãe há muito já se foi, meus sogros, meus dois cunhados, minha irmã mais velha, e há quatro dias atrás, dia doze de setembro, minha infeliz irmã com Alzheimer, cansou de viver e sofrer e nos deixou. Ela foi a pessoa mais infeliz que conheci até hoje nesta minha vida.
Com toda a certeza as boas lembranças não apagam as dores do momento, fiquei pior ao lembrar daquele Natal.
Lá estava ela, pobre irmã, sua mente estacionou no sofrimento do passado, vivia com medo, amargurada, todos eram seus inimigos, todos queriam atacá-la, maltratá-la assim ela passou a viver...
Queria ser adulta quando tudo começou e ela se casou com um psicopata.
Não sei se este meu desejo é convencimento de que teria algum poder, se é raiva, ou vontade de mudar o mundo, mas quisera eu ajudá-la de alguma forma impedindo-a de seguir aquele demônio, não deixá-la se casar com ele, esconde-la. Qualquer coisa eu diria ou faria, se eu fosse adulta, mas eu era apenas uma criança, quando ela se casou, ignorando todas as evidências do mau caráter, e da maldade doentia dele. E quando me tornei adulta vendo-a seguir como uma pessoa sem vida, sem alegria vestida com as sombras do passado, nada mais se podia fazer, por mais que se tentasse.
Acabou, só me restou a pena, a sensação de impotência, a dor da perda, a piedade e a saudade.
Quem sabe ainda nos reencontraremos, num lugar onde não exista dor, ou maldade, somente alegria, amor  e paz... Até lá minha doce e infeliz irmã.
Fim                                                                                                   Léah

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O MEL DA VIDA

desenho à crayon


Hoje é realmente um dia feliz de calmaria e paz, aqui sentada apreciando as flores do jardim ao lado do meu AMOR, aproveitando o sol fraquinho, depois de dias frios e chuvosos. Minha mente fez uma retrospectiva da época em que nos conhecemos, eu tinha 12 anos de idade e ele 14, éramos duas crianças que só se olhavam de longe, com curiosidade, nem sei porque fazíamos isso, sempre na hora de entrarmos para a sala de aula ou no recreio, lá estávamos nós parados nos olhando! Estávamos num Colégio onde as turmas não eram mistas, meninos separados das meninas, com uma diretora rigorosa ao extremo, que vigiava toda criançada até fora dos portões do colégio. Para mim isto não importava muito e nem era estranho pois em casa meu pai era igualzinho a ela!!
Terminamos o curso ginasial, fomos para outros colégios e por três alguns anos não nos vimos e na verdade eu nem sabia o nome dele, lembrava-me apenas de seu rosto, daquele menino magrinho de óculos, que tanto me olhava.
O tempo passou,  sonhei como toda garota sonhava com um príncipe encantado, namorei uns sem encantos, que não eram nem VALETES que dirá PRÍNCIPES , até que um dia o destino resolveu trazer meu príncipe, sem cavalo branco ou reinado, veio mesmo a pé entrando pela sala de aula do curso pré-vestibular que eu estava fazendo já há uma semana e ele apareceu, ali parado na porta com seu 1,80m procurando uma cadeira vazia,  havia uma a meu lado e outras duas mais longe, claro que ele escolheu a do meu lado, não ouvimos nada daquela aula naquele dia, que foi também o primeiro dia de nossas vidas, ali tudo começou...
Para ele antes daquele dia muitas coisas aconteceram de ruim que o fizeram perder dois anos de estudos, mas ele dizia brincando, que estava tudo planejado em algum lugar do infinito, justamente   para ele poder me reencontrar...
Ingressamos nas devidas faculdades, ele de Economia eu na de Belas Artes, sonhávamos com nosso futuro, mas
nossas vidas não foram sempre só romance e deslumbramento, perdi meu pai, tive que trancar matricula e trabalhar fora. Ele arranjou emprego na IBM, mas teve de terminar a faculdade à noite. foi  um período de sacrifícios e incertezas, adiamentos de nossos planos. E uma coisa me atormentava, não poder voltar a faculdade de Belas Artes, a grana era curta.

Meu pai quando vivo adquiriu duas casas, numa morávamos, a outra dizia ele que era para as filhas quando se casassem, assim foi durante uns anos, até que ela ficou desocupada e minha mãe queria aluga-la. Ela e minha sogra eram contra que nos casássemos, alegavam que éramos muito novos, mas estávamos seguros de nossos sentimentos e resolvemos enfrentar as duas opositoras e nos casamos, eu com 22 anos e ele com quase 25. Foi uma cerimônia simples na igreja do bairro, que nós mesmos com nosso pouco dinheiro organizamos, mas estávamos muito felizes.  Fomos morar na casa que meu pai construiu e pagávamos aluguel para minha mãe, mas mesmo assim continuei trabalhando por mais um ano.
Aí engravidei, mas perdi o neném, chorei muito. Ele mudou de emprego foi para a Petrobras, as finanças melhoraram, parei de trabalhar, compramos nosso primeiro apartamento, na Ilha do Governador, era antiguinho, mas era só nosso, voltei à faculdade e ai resolvemos ter nossos filhos, primeiro nasceu um menino, três anos depois a menina, anos muito felizes esses.
Claro que a vida não é uma linha reta onde os bons acontecimentos vão surgindo sem barreiras, sem interferências de pessoas que não suportam nos ver felizes, mas nunca deixamos que essas influências diminuísse nosso amor.
A vida tem sido muito generosa conosco, temos dias tensos e assustadores geralmente por problemas de saúde, temos dias maravilhosos, e dias comuns, mas em todos eles o amor, união e nossa alegria e gratidão de estarmos vivos e juntos, sempre estão presentes. E é fundamentalmente a isso que devemos dar valor ao amor e a união familiar, é isto que nos dá força isto é o que considero o MEL da vida.
                                                                                 FIM                                                                                  Léah

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

fotografia retirada da Internet.

 Henrique recebeu alta e está se recuperando em casa.
Aliviados nossos filhos e eu, pela graça Divina de sua volta a vida, foi realmente um susto enorme, e vários dias de apreensão, e noites em claro.
Ainda no hospital pegou duas infecções coisa difícil para eu compreender e aceitar, um hospital que se diz de primeira linha e especializado.
Fiquei "internada" com ele todos os dias e noites, mas agora só precisamos esquecer e voltarmos  a normalidade de nossas vidas com muita gratidão a Deus por ouvir minhas preces, e agradecer  a todos os amigos que nos cercaram de carinho com votos e pensamentos de fé, amor e coragem.
        Obrigada a todos do fundo dos  nossos corações.
        Henrique, Vivian, Henrique Jr  e Léah.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Minha vida continua em vermelho, dias difíceis, e preocupantes  de noites insones.
Primeiro minha irmã completamente desconectada deste mundo. É uma luta entre a razão e a loucura...
Agora meu marido teve um infarte e está internado fazendo uma série de procedimentos, e cirurgias que pedem muitos  cuidados e me deixam com o coração balançado.
Mas minha fé me ajuda e acredito que tudo vai acabar bem, é uma fase pela qual tenho que passar e ser forte.
  A todos vocês que me mandaram votos de força e esperança de dias melhores, agradeço de coração, dia desses voltarei, ao blog com toda esperança de que a paz estará reinando e minha vida voltará  ao azul.
mil beijinhos a todos.
Amiga de sempre Léah

terça-feira, 10 de julho de 2018

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Heróois!?


                           
O circo está armado, não precisamos mais nos preocupar com a falta de emprego, com a falência do país, com a corrupção contínua, com candidatos corruptos à presidência da república, não precisamos nos preocupar mais...........Está tudo ótimo, podemos soltar fogos, rir, dormir em paz!
Tudo está cor de rosa com bolinhas da mesma cor, pão com fartura na mesa do povo, roupas novas, empregos para todos, dinheiro sobrando, festa rolando... AFINAL O BRASIL ESTÁ “GANHANDO”, hoje de   2 a 0 contra o “timão” (cansados!) da Costa Rica!
É isso aí pessoal não se preocupem entrem no circo, o importante é o futebol, nossos HERÓIS estão lutando estamos salvos não haverá mais miséria.
Léah


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Minhas desventuras

"vaso na janela"- óleo sobre tela 20cm x 30cm


Ontem tive que ir ao centro da cidade, peguei o Metrô da linha 4 eram mais ou menos 14 horas, estava praticamente vazio fui sentadinha. Ir no próprio carro para o centro é complicado o estacionamento além de ser raro é caríssimo. Ao meu lado sentou-se uma gestante que puxou conversa comigo, ora se achando feliz por seu estado, ora se sentindo infeliz por tudo que sentia fisicamente, fiquei pensando se ela realmente desejava aquela criança! Mas a viagem foi rápida levei menos de quarenta minutos de carro ou ônibus que levariam duas horas ou mais, nesse transito louco, e lá estava eu andando por ruas lotadas de gente, buscando um tecido para cortinas novas de minha sala.
Demorei para encontrar e o tempo não para, embrulho pesado e hora do rush, resolvi pegar um taxi, até que foi fácil, o motorista creio eu pesava uns cem quilos, e como todo motorista de taxi, começou a conversar, primeiro sobre a greve dos caminhoneiros, e aí começou a desventura, ele descambou a falar sobre os assassinos, assaltantes o quantos ele já havia mandado para o além!
_ Pois é não sei se a senhora sabe, claro que não, como iria saber!
– E começou a rir de sua própria gracinha.
--Mas sou um ex-policial, e vou lhe contar um caso pessoal.
-- Enquanto eu pensava que se eu fosse homem e padre, com toda certeza não encontraria tantas pessoas querendo se confessar comigo, mas naquela situação o que poderia fazer? Torcendo para que alguém de casa me ligasse, perguntando em que altura da cidade eu estava, para eu poder interromper aquela insanidade com o toque do celular, mas não dei sorte, e ele continuou.
--Pois é minha mãe é uma pessoa doce e quieta, adora bichos e quando o cachorrinho dela morreu, ficou desolada e doente, meu sobrinho que foi criado por minha mãe, um dia foi lá numa cidade dessas de Minas Gerais onde tem um viveiro de pássaros que vende papagaios, periquitos e sei lá mais o que, tem licença do IBAMA, comprou um papagaio e trouxe para minha mãe, que se apaixonou pelo bichinho. E sabe que papagaio dura anos é que nem tartaruga? Não a senhora não sabe.
–E lá estava ele rindo de novo de sua revelação, com um olhar de descobridor da pólvora. Sei que papagaios duram muito e tartarugas muito mais ainda, mas deixei-o se sentir sábio, assim quem sabe acabaria aquela conversa que já estava pra lá de desagradável.
--Pois é eu sou um sujeito calmo, e paciente, e minha mãe tinha um vizinho viciado em drogas, e já havia roubado coisas pelo bairro, para comprar maconha, eu já tinha levado ele, para um terreno vazio, e dado umas borrachadas, num roubo que fez na vizinhança. Um dia minha mãe viu o danado forçando o portão, ele achou que ela não estava em casa. Quando ela percebeu começou a me chamar em voz alta como se eu estivesse na casa dela ele se assustou e fugiu. A partir daí fiquei de olho nele, um dia o papagaio da minha mãe sumiu, e um outro vizinho disse que viu o bandidão com ele na mão. Vendeu para comprar drogas.
Peguei ele numa noite, levei ele para um lugar bem longe dali, e interroguei até que ele confessou, meti bala na perna dele, quem mandou roubar o papagaio da minha mãe! Não sei como ele se safou, mas não morreu, só ficou manco, ainda encontrei com ele outra vez e ele saiu bem depressa de minha frente, não saiu correndo porque não consegue correr mais, mas eu o alcancei e dei-lhe um prazo para sumir dali, ou desta vez o tiro ia ser na cabeça. Ele sumiu.
A senhora não acha que estou certo? Roubou o papagaio de minha mãe!
-- Eu estava no taxi dele, ainda longe de casa, anoitecendo, e ele com aquele olhar me observando no espelho retrovisor. O que eu poderia dizer? Eu acho que ele ou era um mentiroso, com ideias de grandeza, ou era louco. Por um sim, por um não, dei-lhe razão, e comecei a falar da copa do mundo, eu que nada entendo de futebol! do que ele achava de ser na Rússia...
Ele falou de vários jogadores dos quais não faço a menor ideia de quem são, mas chegamos e nunca, nunca mais pego taxi, agora só Uber, os motoristas são educados e silenciosos, pelo menos nunca topei com um desvairado como este!!
Léah                                                                                                               FIM