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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sonho ou Pesadelo?

aquarela -' dançando o Flamenco'

A musica flamenca enchia o ar, o som da guitarra era como o palpitar do meu coração.
A emoção, o fogo da dança, as luzes vermelhas, tudo me era familiar e deixava o ambiente cheio de energia, meu respirar era ofegante a cada passo da dançarina, que de repente era eu!
Toda a atenção e tensão se misturavam, no entanto sentia-me feliz ali naquele palco. Todos os passos o bater dos pés, os braços as mão, e me contorcia naqueles gestos longos que acompanhavam todos os compassos, era muito estranho todos aqueles sentimentos e sensações e assim foi até o último olé, quando tudo terminou e acordei, estava cansada e demorei a saber onde estava até voltar ao meu estado normal.  Olhei o relógio na mesa de cabeceira 2.30h da madrugada! Sonho está mais para pesadelo, nem ao menos sei dançar o flamenco.

 Léah


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Por falar em hóspedes...

tela 40 x 32cm acrílico " água e lama "
Há algum tempo atrás, quando tinha casa de praia, eu não hospedava ninguém, pois quando ia para lá, era para descansar e ouvir o silêncio, assim quando me perguntavam quando é que você vai me convidar para sua casa de praia, eu simplesmente dizia: ‘Posso emprestá-la durante tais dias, no mês tal, depois eu vou para lá com meu marido para curtir uma lua de mel, e não quero espectador.’
Sempre deu certo, mas na minha casa mesmo, nesta na qual vivo, e nas outras onde vivi, aparecem hospedes que convido, e me davam muito prazer gostava de receber. Disse gostava, por estar me sentindo cansada e envelhecida neste prazer, meus prazeres agora se direcionam a outro tipo, quero a  calmaria do nada fazer, sem compromissos sociais.
Detesto ser hóspede, sinto-me deslocada e louca para voltar pra minha casa, prefiro um hotel é bem impessoal, e tenho a certeza de que não estou incomodando, pelo contrário, quanto mais se fica num hotel, melhor é para o dono.
Lembrei-me de um acontecimento traumático para meu marido e eu:
Tínhamos um casal de conhecidos, que quando vinham à minha casa, ficavam o tempo todo comparando cada cômodo, cada enfeite, cada decoração da nossa casa com a deles, que ficava numa serra do Rio, nossa relação era recente, ele foi colega do Henrique na Petrobras, nos encontramos casualmente e pediram nosso endereço e apareceram um dia, sem convite, sem aviso sem nada, se consideraram íntimos desde então, mas não havia empatia. E nos convidavam sempre para que fossemos conhecer e passar dias na casa deles. Conseguimos sair pela tangente várias vezes, já não era mais um convite e sim uma imposição. Quando vocês vão conhecer minha casa, é pra ficar lá mais de um dia”... Eu adiava o mais possível, um dia já sem desculpa plausível marquei de ir, mas frisei que não para dormir,  e eles insistindo não nada disso é pra ficar no mínimo quatro dias... Bem encurtando o assunto lá fomos nós, com a roupa do corpo, e uns petiscos e um vaso de flores para gradar.
O endereço que nos deu, não aparecia a tal rua no GPS, as flores murchando, nossa fome apertando e os petiscos eram tentadores, mas resistimos, andamos feito peru bêbado em véspera de ano novo, rodando sempre no mesmo lugar, por fim e por última tentativa subimos uma ladeira sem nome, era lá mesmo!
Falamos com ela através do celular e ela veio andando ladeira abaixo até nos encontrar, entrou no carro e foi nos guiando, paramos no portão, o terreno também era uma pirambeira, lá em cima uma casa! Sou boa motorista, mas subir aquilo foi amedrontante, descer pior ainda!! A casa tinha um quarto, uma salinha, e a cozinha era um caminho do “cabe só um”! Almoçamos mais ou menos as dezesseis horas, numa pequena área plana no quintal Depois fomos para a pequena salinha e conversa vai conversa vem nos prendendo, ficamos de pé várias vezes,  nos preparando para sair, e eles inventavam alguma coisa para nos mostrar, obras que queriam fazer e pedindo opinião, fotos do neto dele, complicações com o filho,  até que caiu uma chuvarada, aguaceiro descendo ladeira a baixo, eu desesperada pensando como nos convidam para ficarmos quatro dias, onde será que iam nos colocar para dormir?  O dia escureceu a chuva de verão caindo com vontade e ficamos sentados num sofazinho duro e estreito, que ela chamou de sofá cama, foi onde passamos a noite de hóspedes. As cinco horas da manhã fiz bastante barulho, banquei a sem educação, eles acordaram, nos despedimos, sob os protestos deles, dessa vez botei o Henrique para dirigir, desceu a pirambeira estava tão furioso que achei que ele ia voar, enfrentamos a lama do dia anterior na rua de ladeira, e chorei de raiva, estava doída, injuriada, com muita raiva de mim mesma, por ter caído nessa furada, com medo de magoá-los, de parecer esnobe... Ainda se sentiram ofendidos por termos saído tão de pressa, como se estivéssemos fugindo. E realmente estávamos.
Mas dali em diante evitei de recebe-los quando eles ligavam e se auto convidando, como sempre, eu não podia recebe-los com uma desculpa qualquer. Até que desistiram de nós.
Mas, ainda que cansada por várias razões, ainda prefiro receber, só que agora estou numa fase de madame J, quero sombra e refresco geladinho, os hóspedes que me perdoem .  Fim
Léah


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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O LADO BOM DA VIDA

desenho à crayon sobre cartão: "carrinho de supermercado"

 Quem é calmo o bastante para gostar de ir ao supermercado? Eu não sou. Entretanto, é uma função que tenho de executar algumas vezes durante o mês, porque sempre falta algum item da minha lista no supermercado, e lá tenho eu que voltar outro dia para suprir minha dispensa.
É insano, vejam só, primeiro enfrentar o transito até lá, por não ser perto o suficiente de minha casa, depois achar uma vaga no estacionamento.
Ao entrar já irritada, percebo que o novo gerente mudou tudo de lugar, aí lá vou eu andar mais do que precisaria, até encontrar os alimentos fora dos lugares de costume. Onde ficava o sal, agora são as massas! E os biscoitos? Os mantimentos? Meu Deus, onde estará o sabão em pó?  Andar, andar pela nova arrumação, acho que o novo gerente é como eu que gosto de mudar os móveis de lugar, será? Ou ele é como os prefeitos, mudando o que o anterior fez, ou tem tempo sobrando, ou por falta de noção?
E aquela pessoa bem educada que deixa seu carrinho atravessados no meio do caminho, some, e nem liga se está engarrafando o transito, aí tenho que empurrar o bendito até o canto liberar o caminho e ir em frente.
Finalmente depois de muito andar e pesquisar, meu carrinho está cheio, vou para a fila do caixa, o carrinho que enchi, começo a esvaziar na corrediça, ensacar as compras e enchê-lo novamente. Quando a registradora acaba seu tilintar o carrinho cheio, meus bolsos vazios, lá vou eu para o estacionamento, esvaziar o carrinho novamente, desta vez na mala do carro.
Caminho de casa, já cansada, piora tudo se for hora do rush, vou pensando no que vem pela frente, abrir e esvaziar a mala do carro, isto é tirar tudo que mal acabei de colocar, levar para a mesa da cozinha desensacar e organizar coisas na geladeira, no freezer, na dispensa. É ou não é ilógico, encher, esvaziar, tornar a encher, esvaziar...
Gostaria de estar vivendo num século, ou num mundo onde ou nos alimentaríamos de pílulas, uma caixinha bastaria, ou tal como os robôs óleos lubrificantes em nossos parafusos seria somente uma lata de óleo.  
Mas no fundo reconheço que tudo isso que estou chamando de trabalheira, é bem melhor ter do que não ter o que comprar, assim como é na Venezuela.
A vida sempre nos mostrando o lado bom do que achamos ruim, basta olharmos para o lado, para nossos vizinhos, às vezes bem perto de nós, ou não, mas em todas as situações da vida os dois lados estão lá, basta pensar, fazer um pequeno exame de consciência, para chegarmos à razão, como dizem os franceses: ‘C'est la vie’! 

                                                                                                                                                        Fim                                                                           Léah

terça-feira, 31 de outubro de 2017




Quero paz.
Já falei em outras ocasiões que tenho três cadelas, uma calma e brincalhona, outra aparentemente calma, e a terceira a Gigi, que não gosta de estranhos, só nós conseguimos cuidar dela. Mas já houve ocasião de ver que quando se trata de alguém indesejável as três se juntam e agem como matilha.
 E justamente no período difícil de cirurgias nos olhos, um problemão na coluna, e de um princípio de ulcera no estomago, ofereci emprego a um rapaz, para tratar do pequeno quintal que tenho agora, molhar as plantas, e limpar o canil, enfim limpar a área externa da casa. Ele aceitou muito feliz e sorridente, mas a Gigi não gostou dele!
 Deveria chegar as oito horas da manhã, de segunda a sábado almoço de meio dia às treze e sair as quinze horas, exceto sábados quando a saída seria ao meio dia. Na primeira semana ele foi ótimo, na segunda nem tanto, na terceira reclamou da hora que chegou até a hora de ir embora, na quarta semana, após receber o pagamento pelo mês de trabalho, pediu para fazer um acordo comigo, queria vir dia sim outra não, e sair às doze horas todos os dias, depois que almoçasse às onze horas, ou mais cedo, alegou que levantava muito cedo e almoçar meio dia para ele, era muito sacrifício.
 Se o empregado diminui as horas de serviço o salário também diminui, essa é a matemática que aprendi. A dele era diferente menos trabalho, mais exigências e o mesmo salário!!
A moça que trabalha dentro da minha casa, chega às oito lava, limpa, arruma, faz o almoço para todos, inclusive para ele, deixa tudo brilhando e sai as dezessete horas, está sempre com um sorriso e feliz, segundo ela por ter emprego e salário.
Falei para o engraçadinho que estava se achando poderoso, “- preste atenção o emprego que te ofereci e que você aceitou é esse, as regras são essas, para sua informação quem muda as regras aqui não é você, alem do mais, a pessoa que faz o seu almoço, não vai fazer um prato especial para você, ela é minha empregada e não sua, se você se acha sacrificado, procure outro emprego, este é assim como o combinado-“. Ele disse que eu o estava mandando embora e tinha de ser indenizado, pode? Indenizado pelo que? Paguei o seu salário por um mês de trabalho, começou a falar tanta besteira, que só podia estar drogado, mandei-o embora, ele começou a ficar agressivo me insultando a minha ajudante abriu a porta da cozinha de proposito onde a Gigi  estava e também as outras duas e gritou meu nome,  quando vi as outras duas cadelas se aproximando como se fossem caçar, bati a porta atrás de mim, elas ficaram dentro latindo feito loucas, ele que também viu a cena  se assustou e correu portão a fora, meu coração estava acelerado num misto de susto, raiva e alivio, se não tivesse fechado a porta elas o teriam atacado o que nem é bom pensar, embora a intenção da ajudante tenha sido de me ajudar, o resultado seria terrível, pois as cadelas quando pegam uma presa só soltam quando matam,   mas  mesmo assim ele saiu  gritando que ia saber dos seus direitos, e ficou sentado na calçada da rua em frente ao portão, avisei ao porteiro para não deixa-lo entrar, e expliquei o acontecido. 
Essas coisas só me acontecem quando estou sozinha em casa, isto é meu marido, e filhos não estavam. Fiquei tão nervosa, com a situação que meu estomago começou a doer. Liguei para meu marido, meu filho iria querer bater no infeliz,  só falei para ele, bem depois do acontecido.
Quando o sujeito viu meu marido chegar, quis entrar junto com o carro e o porteiro o barrou, esse porteiro é um armário de tão grande e mau encarado, mas é uma pessoa doce e atenciosa com os todos mas sua figura, e aparência impõem respeito.
Henrique desceu do carro e foi até o portão, o porteiro ali se impondo, ele o “engraçadinho” começou a falar que estava arrependido, que queria continuar a trabalhar para nós, que estava muito nervoso, e bla, bla, bla... Foi dispensado com todo o nervoso e bla, bla, blas, sem chance de volta.
Agora estou com uma moça no lugar dele, até agora tudo bem, mas ando meio apavorada com esta situação. É uma falta de noção de respeito ao próximo, de direitos e deveres. Se somos educados nos consideram “bobos” e querem se aproveitar, se rígidos somos vistos como prepotentes, injustos. Estou me sentindo como a Gigi me armando contra tudo, só que não quero ser como um cão de guarda, quero paz em um mundo melhor, embora saiba que é um sonho utópico.

Fim                                                                             Léah

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Embora ainda falte uma cirurgia estou dando uma passadinha nos blogs para matar as saudade, só que não tenho nenhuma pintura para enfeitar a pagina.
Mas fica aqui meu agradecimento pelos votos de boa sorte, está tudo bem por enquanto.
Espero voltar definitivamente em breve.
Grande abraço a todos.
Léah

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Até breve

Queridos amigos, vou ficar um tempo afastada do blog por motivo de tratamento de saúde, uma cirurgia, que requer descanso e cuidado.
Quando puder voltarei, embora a saudade já esteja presente. Obrigada por todo o carinho recebido até hoje.
Grande abraço bem apertadinho em todos.
Léah


terça-feira, 15 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah