Minhas Pinturas

Seguidores

Minha lista de blogs

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Minhas desventuras

"vaso na janela"- óleo sobre tela 20cm x 30cm


Ontem tive que ir ao centro da cidade, peguei o Metrô da linha 4 eram mais ou menos 14 horas, estava praticamente vazio fui sentadinha. Ir no próprio carro para o centro é complicado o estacionamento além de ser raro é caríssimo. Ao meu lado sentou-se uma gestante que puxou conversa comigo, ora se achando feliz por seu estado, ora se sentindo infeliz por tudo que sentia fisicamente, fiquei pensando se ela realmente desejava aquela criança! Mas a viagem foi rápida levei menos de quarenta minutos de carro ou ônibus que levariam duas horas ou mais, nesse transito louco, e lá estava eu andando por ruas lotadas de gente, buscando um tecido para cortinas novas de minha sala.
Demorei para encontrar e o tempo não para, embrulho pesado e hora do rush, resolvi pegar um taxi, até que foi fácil, o motorista creio eu pesava uns cem quilos, e como todo motorista de taxi, começou a conversar, primeiro sobre a greve dos caminhoneiros, e aí começou a desventura, ele descambou a falar sobre os assassinos, assaltantes o quantos ele já havia mandado para o além!
_ Pois é não sei se a senhora sabe, claro que não, como iria saber!
– E começou a rir de sua própria gracinha.
--Mas sou um ex-policial, e vou lhe contar um caso pessoal.
-- Enquanto eu pensava que se eu fosse homem e padre, com toda certeza não encontraria tantas pessoas querendo se confessar comigo, mas naquela situação o que poderia fazer? Torcendo para que alguém de casa me ligasse, perguntando em que altura da cidade eu estava, para eu poder interromper aquela insanidade com o toque do celular, mas não dei sorte, e ele continuou.
--Pois é minha mãe é uma pessoa doce e quieta, adora bichos e quando o cachorrinho dela morreu, ficou desolada e doente, meu sobrinho que foi criado por minha mãe, um dia foi lá numa cidade dessas de Minas Gerais onde tem um viveiro de pássaros que vende papagaios, periquitos e sei lá mais o que, tem licença do IBAMA, comprou um papagaio e trouxe para minha mãe, que se apaixonou pelo bichinho. E sabe que papagaio dura anos é que nem tartaruga? Não a senhora não sabe.
–E lá estava ele rindo de novo de sua revelação, com um olhar de descobridor da pólvora. Sei que papagaios duram muito e tartarugas muito mais ainda, mas deixei-o se sentir sábio, assim quem sabe acabaria aquela conversa que já estava pra lá de desagradável.
--Pois é eu sou um sujeito calmo, e paciente, e minha mãe tinha um vizinho viciado em drogas, e já havia roubado coisas pelo bairro, para comprar maconha, eu já tinha levado ele, para um terreno vazio, e dado umas borrachadas, num roubo que fez na vizinhança. Um dia minha mãe viu o danado forçando o portão, ele achou que ela não estava em casa. Quando ela percebeu começou a me chamar em voz alta como se eu estivesse na casa dela ele se assustou e fugiu. A partir daí fiquei de olho nele, um dia o papagaio da minha mãe sumiu, e um outro vizinho disse que viu o bandidão com ele na mão. Vendeu para comprar drogas.
Peguei ele numa noite, levei ele para um lugar bem longe dali, e interroguei até que ele confessou, meti bala na perna dele, quem mandou roubar o papagaio da minha mãe! Não sei como ele se safou, mas não morreu, só ficou manco, ainda encontrei com ele outra vez e ele saiu bem depressa de minha frente, não saiu correndo porque não consegue correr mais, mas eu o alcancei e dei-lhe um prazo para sumir dali, ou desta vez o tiro ia ser na cabeça. Ele sumiu.
A senhora não acha que estou certo? Roubou o papagaio de minha mãe!
-- Eu estava no taxi dele, ainda longe de casa, anoitecendo, e ele com aquele olhar me observando no espelho retrovisor. O que eu poderia dizer? Eu acho que ele ou era um mentiroso, com ideias de grandeza, ou era louco. Por um sim, por um não, dei-lhe razão, e comecei a falar da copa do mundo, eu que nada entendo de futebol! do que ele achava de ser na Rússia...
Ele falou de vários jogadores dos quais não faço a menor ideia de quem são, mas chegamos e nunca, nunca mais pego taxi, agora só Uber, os motoristas são educados e silenciosos, pelo menos nunca topei com um desvairado como este!!
Léah                                                                                                               FIM

quarta-feira, 23 de maio de 2018

DIÁRIO DE BORDO 2- Sonhos meus.

óleo sobre tela 40 x 25- caminho na Galicia
   Às vezes sonhamos com coisas que realmente são difíceis e ficamos martelando naquele sonho e gastamos nossas energias nele, e quando finalmente ele se concretiza o coração palpita mais rápido, o sorriso vem fácil, a vida fica cor de rosa.
 Já tive um sonho desses e um dia ele aconteceu, mas desmoronou, aliás desmoronaram com ele.
Acho que faz parte da vida sonhar, querer ter alguma coisa que nos encantam, que nos dão prazer, nos realizam, e como sou uma sonhadora de carteirinha, vou continuar assim, não se vive sem sonhos.
Mas não posso esquecer que existem as pedras que aparecem para travar ou frustrar a realização deles,  ou  atrasá-los, tudo depende do tamanho da pedra.
Foi bem assim, eu sonhava em fazer uma escola de arte, e quando voltamos para o Rio de Janeiro, esse sonho cresceu, começamos alugando um apartamento para morarmos até resolvermos onde e o que comprar, casa ou apartamento, e no fim compramos um terreno. Aí comecei a desenhar meu sonho, tentando mantê-lo meio secreto, todo papel que eu pegava lá ia eu desenhar meu espaço, ele teria que ser claro, e com janelas de onde eu veria as arvores e o céu.
Tantas coisas aconteceram, que ele foi ficando achatado lá dentro de meu coração e imaginação.  Depois de alguns meses comecei a ficar feliz, por conseguir ver nossa casa se erguer, apesar das burocracias da prefeitura, dos construtores incapazes e seus erros, do arquiteto que nos roubou e tantas outras decepções!
Depois de noites sem dormir, algumas lágrimas escondidas eu fiquei feliz quando tudo quase acabou, restou só terminar o terraço à espera de piso e instalações do banheirinho, isto ficou para quando o dinheiro desse. Meu marido, carinhosamente me convenceu de que, ali naquele espaço inacabado poderia ser o que eu tanto queria, pelo menos para começar, e este começo seria e foi mais ou menos um ano depois. Meu entusiasmo começou a voltar terminamos    o tal banheiro, instalamos um tanque para lavarmos os materiais, uma pia, uma mesa enorme, cavaletes, prateleiras, e não poderia faltar meu aparelho de som para músicas clássicas que sempre são inspiradoras. Por fim, consegui oito alunas e um aluno. Fui na prefeitura legalizar a situação, apesar de ser dentro de minha casa e ser meu ateliê eu sabia que teria de licenciar. Acreditei na sorte, mas antes da licença sair apareceu um fiscal com cara de quem queria propina. Notei pelo jeito dele procurando defeitos onde não tinha, ‘buscando chifre em cabeça de burro.’

Foi a chegada da “pedra” em cima do meu sonho, sabem o que ele alegou, para acabar com tudo?
Que como eu tinha alunas e um aluno teria que ter dois banheiros um masculino e um feminino.  Foi uma situação muito tensa, fiquei com muita raiva, engoli em seco, recebi a multa, fui na prefeitura e paguei, voltei umas cem vezes, para ver como poderia resolver, mas encontrei uma verdadeira máfia!  Desisti de tudo quando descobri que meu marido estava com um grave problema de saúde, que foi tratado e curado. Quando tudo se acalmou, desisti de dar aulas em casa, não suportava a ideia de voltar à prefeitura.
Ai comecei a dar aulas de pintura e artesanato de graça para umas pessoas de uma comunidade, numa sala de uma igreja católica. Isso durou dois anos, três dessas pessoas iam lá em casa, pois a sala da igreja era pequena.
Um dia parei, precisei parar tudo, por outros motivos...
 Agora está tudo bem. Independente das pedrinhas ou pedregulhos, continuo sonhando outros sonhos, outros desejos.
Afinal,  o tempo é um grande remédio, tudo cura e resolve, na vida temos dias de inverno e dias de primavera, que eles venham com muitas flores para enfeitar os sonhos .
Léah                                                          FIM

quinta-feira, 3 de maio de 2018

JULGAMENTO

painel em acrílico 1,00cm x 0,85cm

O salão de festa do casamento de Alexandre lá em Buenos Aires era amplo e bem decorado com as mesinhas brancas e muitas flores pessoas de todas as idades, mas o que achei mas interessante foi o cuidado que tiveram com  as  pessoas bem idosas reunidas numa mesa maior, com cadeiras mais fofas, 
Fui conversar com estas senhorinhas, onde se encontravam algumas que eram minhas parentes. a princípio nossa conversa  foi sobre a Espanha,  da vida de minha mãe aqui no Brasil, da ida daquelas espanholas ali que optaram por Buenos Aires, a conversa estava ótima, até o momento em que um ‘mozo bicha’ garçom gay, educado e muito atencioso chegou até a mesa oferecendo doces. Aceitaram prontamente e assim que ele se afastou, começaram a praticamente esconjurar o rapaz!
-Gente, porque estão fazendo isso, achei que ele foi tão educado!
-Mas é bicha, e isso é contra as leis de Deus, você não acha?
-Sinceramente não, contra as leis de Deus é julgar,   
-Você acha que Deus aprova uma vida de pessoas sem moral assim?
- Deus nos dá graças e penas tudo depende de algo muito além de nossa compreensão e Isso para mim não é ser imoral, ele nasceu assim, são as penas dele. Eu acredito que exista mais de dois sexos neste mundo. 
-Não, não isso é imoral.
-Imoral para mim representa falta de caráter, ser corrupto, enganar pessoas, roubar. Deu-me vontade de acrescentar ‘julgar’, mas me contive, se não estaria como elas julgando-as. são muito antigas com princípios e preconceitos  arraigados, não mudam mais.
- Você fala isso por não ter lidado com nenhum gay, falou uma das menos velha, que se manteve mais calada até então e achei que estava discordando das outras.
-Já lidei sim, quando estava procurando arquiteto para construir minha casa, na qual não moro mais, contratei um que não era gay, e que tive de processá-lo, de tanto que me roubou e fez tudo errado. Depois da tempestade passar contratei um casal de bichas, também arquitetos que se comportaram lindamente e fizeram tudo dentro da lei. Há pessoas imorais e éticas, decentes e indecentes, independentes do sexo, cor, ou nacionalidade.
-Você é moderninha, mas não pensaria assim se seu filho fosse bicha.
Se meu filho fosse bicha eu iria amá-lo mais do que amo, por causa dos preconceitos que ele enfrentaria e sofreria muito. Você não amaria o seu filho se ele fosse gay, perguntei?
-Não eu o mandaria para fora da minha casa.
- Eu fiquei chocada, mas pensei na educação que tiveram, no tempo em que viveram,  e só pude  lamentar muito por saber que carregam este preconceito, como se fosse uma mala nas costas.   Fui salva pelo meu marido que me levou para dançar, mas no momento em que começou um tango  a maioria continuava dançando uma mistura de passos malucos, mas ninguém abandonou o salão, teve até samba, argentino gosta do Brasil e  nos divertimos muito, enquanto as velhinhas retrogradas ficaram  ranzinzando nas cadeiras fofas.  
Léah                                                      FIM









segunda-feira, 23 de abril de 2018

Alegrias e Sustos.

acrílico sobre 'eucatex'  - SIMPLES

Minhas viagens para a Argentina têm sido repentinas e não planejadas. A penúltima foi  por um acidente feio cujo  filho de meus primos e amigos sofreu, e lá fomos nós solidários ajudá-los e consola-los angustiados mãe e pai.
A mais recente foi há alguns dias atrás  para o casamento do outro filho destes mesmos primos.
Já falei em prosa e verso o quanto detesto viajar de avião, levo sempre comigo uma inimiga chamada Claustrofobia!! Ela me abraça forte tira meu ar, e fico contando os segundos e minutos para me livrar dela no fim da viagem. Tomo uma boa dose de 'maracujina', quando a viagem é curta, e dá para aguentar sem recorrer a algo mais forte para dormir.
Isso vem desde pequenina, quando entrei num primeiro elevador... Penso sempre ser isto um caso de psiquiatra, mesmo porque psicólogo não resolveu.

Voltando ao casamento, foi marcado em poucos dias, havia a necessidade do casal oficializa-lo  O noivo arranjou emprego na Espanha e a noiva quis ir com o novo status o de esposa.
A cerimônia foi bonita, a festa melhor ainda, muitos parentes e contraparentes que eu nem conhecia, isto é engraçado, uma espanholada falante, uns alegres, outros arraigados às tradições do país de origem, outros mais modernos, geralmente os mais jovens, é claro.

Foi ótimo, até o momento em que recebi a notícia de que minha irmã teve um AVC, ela mora no Rio de Janeiro, porem num bairro longe do meu, a notícia chegou até a mim pelo filho dela. Fiquei realmente abalada e ansiosa para voltar ao Brasil, mas só poderia quando  chegasse o dia da passagem de volta.
Quando voltei, fui vê-la no CTI do hospital, e diz o médico que daqui a duas semanas ela provavelmente terá alta, ainda segundo ele não ficará com sequelas nos movimentos dos braços e pernas, foi um pouco tranquilizante, mas ainda estou preocupada com outros fatos e situações do futuro de sua vida...
 Estas foram as razões de minha ausência do blog das nossas conversas tão prazerosas. 
 Assim é a vida, dias de risos alegrias, e dias preocupantes  mais tristes, só nos resta enfrentar e ter fé, coragem, e forças.

Léah                                               FIM

quinta-feira, 29 de março de 2018

Óleo sobre tela 42cm x 31cm 'Abóboras'
Epidemia?
Eu mesma costumo cortar meus cabelos, há muito tempo que desisti de salão, pois cada vez que ia e pedia para cortarem de um jeito eles cortavam de outro. Passei eu mesma a cortá-los, bastava uns espelhos um atrás outro na frente em ângulo, enfim cortava. Mas bateu uma preguiça, e alguns empecilhos. Enquanto isso, meu cabelo que não estava nem aí, para quem o corta, continuou crescendo e me deixando louca, ele faz cachos onde o quero liso, e é liso onde quero cachos, além do mais, gosto de cabelos curtos, mas não curtíssimos, porem esses cortes masculinos eu detesto! 
Arrisquei, criei coragem marquei um salão, e cheguei dizendo para o "cara" que se dizia cabeleireiro,
--Apare as pontas não invente corte, nem faça pé atrás, como fazem nos homens.
Lavei o cabelo em casa, pois não sei que raio de shampoo eles usam, e cheguei lá com o cabelo ainda húmido, mas ele insistiu dizendo que só ia molhar e passar um creme!
--Você vai molhar, mas passar creme não.
--Tá bem.
--Mas, passou assim mesmo, diante disso, eu já estava furiosa, afinal o cabelo é meu, eu o  amo e o trato com todo cuidado, com cremes cheirosos, o que não foi o caso...
Já desconfiada sentei na cadeira, e fui falando, você se lembra que eu não quero corte a ‘la homem’  só apare um  pouquinho, tire as pontas, se você fizer ‘pé curtinho’ nós vamos brigar.
Começou a cortar como se fosse fazer justamente o que eu não queria, dos lados as orelhas começaram a aparecer completamente, e começou a ir para trás, metendo a tesoura com toda a vontade! Como o cabelo estava molhado, fiquei em dúvida, mas ainda reclamei você está cortando muito!
-Espere um pouco, eu falei para você aparar.
--Não senhora, está natural.
--O que quer dizer natural? Dê-me um espelho quero ver atrás. Meu pai! Não deu outra, lá estava o pesinho do cabelo rentinho ao pescoço, e ainda ia cortar mais! Para pode parar, você fez justamente o que eu pedi para você não fazer. Deixe assim como está, eu conserto o que der, como você pode ser cabeleireiro? Ele só ficava repetindo. –Eu não errei, o cabelo está natural, não fiz pé a la homem.
--Acho que você fala outro idioma, não entende o que eu falo? Eu disse: APARAR AS PONTAS, NÃO INVENTAR CORTE ALGUM.
--Mas é o que eu fiz, eu não errei, está natural.
--Natural, meu filho, seria você fazer um curso de cabeleireiro feminino, natural é respeitar a vontade do cliente, não o que você quer fazer, ou acha que sabe fazer.

Sabem aquelas abóboras redondinhas? Assim ficou minha cabeça, fiquei com cara de abóbora.
Cheguei em casa, fui aos meus espelhos dei lá um jeito e fui cortando até diminuir a aparência de abóbora, ficou um pouquinho melhor e curtíssimo como eu não queria. Só vou olhar meu cabelo atrás quando ele crescer.

Estou muito furiosa com a burrice das pessoas que se dizem profissionais sem a menor capacidade,
Sei que cabelos crescem, mas e quando a questão atinge a saúde, a integridade da pessoa, as atitudes continuam as mesmas, irresponsabilidade, falta de respeito, de educação, deboche, acreditam na impunidade. Sinto-me agredida de várias maneiras, principalmente quando a agressão vem dissimulada, me irrita a ponto de me tirar o sono.
Tudo isso é resultado da situação em que vivemos neste país, a falta de moral, corruptos na presidência, no superior tribunal, roubalheira de todos os lados. Eles roubam e nós pagamos o prejuízo. A violência chegando em nossa porta. Medo de sair à noite, nem um policial na rua, tenho medo de policial que às vezes é bandido disfarçado, tenho medo do bandido, já não temos para onde fugir, é isso no pais inteiro.
Tudo de ruim crescendo como epidemia.
Estou com medo, muito medo...
Léah                                         Fim

segunda-feira, 19 de março de 2018

Descaso

 30 x 38 óleo sobre tela

Vejam só a situação na qual estamos hoje em dia! Minha amiga foi numa clínica para fazer uma ressonância magnética. Lá chegando o chão estava molhado, sabe-se lá o porquê, o fato é que ela escorregou e quebrou o pé de uma tal maneira que teve de sofrer cirurgia e implantar uma  placa de metal. Isto foi a pior coisa que poderia ter acontecido, entretanto ainda queriam se eximir da responsabilidade, ficaram mandando ela ir para o hospital de seu convênio para ser atendida de emergência, pagar um serviço de ambulância e tchau, só faltou botarem ela na calçada da rua !
Está claro que ela não é nenhuma boba, ela tem 78 anos de idade, o julgamento de que as pessoas de idade são imbecís, se esquecendo que é justamente o contrário, pelo tanto que já passaram, é a dita experiência de vida. Esse julgamento vem de imediato, principalmente partindo dos jovens, que se acham sábios e cheios de importância. Mas ela colocou todos os jovens “sabidinhos” da clínica em seus devidos lugares. Tiveram que pagar a ambulância, a internação no hospital e a cirurgia. E ela ainda saiu de lá dizendo que ia denuncia-los por falta de asseio e cuidados, por deixarem o chão molhado causando acidentes.
O descaso que fazem da vida do ser humano, ainda consegue me deixar abismada, apesar disto já vir acontecendo há muito tempo. Onde será que isso vai dar!?

Fim                                                                                    Léah

quinta-feira, 8 de março de 2018

SORRIR

óleo sobre tela com 35cm x 1,20cm  "O rio e as pedras"


Creio que a melhor coisa é rir, melhor ainda é gargalhar, desopila o fígado, e apesar das ruguinhas em torno dos olhos, levo em consideração que elas surgirão com o tempo, e assim é melhor que venham por eu ter rido muito, ou gargalhado criando as tais rugas, aí é só aproveitar e rir delas também.
O dia estava correndo meio insosso sem sol nem chuva, e nada de novo no front, o que poderia existir eu já sabia, apenas já estava lá e não era novidade. Resolvi acabar de ler o livro que havia começado há dois dias, e mal sentei, o interfone toca e lá vou eu atravesso a sala, a copa, a cozinha, e chego na área de serviço onde ele está instalado, atendo e nem um alô ou olá, ou como dizem os portugueses está lá? Silêncio total, suponho ser engano do porteiro, e volto para onde estava, sento-me na minha poltrona preferida e pego meu leitor de livros para dar continuidade ao romance, meio chato, que estava lendo, mas quero lê-lo até o fim, falta pouco, e não vou encará-lo como tortura e sim como um passa tempo para aquele dia morno.
O interfone torna a tocar, pouso tudo, levanto-me, atravesso a sala, a copa, a cozinha, e quando chego na área e estico o braço para pegá-lo ele silencia! Caracoles, ligo para o porteiro, ninguém atende, insisto, nada! Morreu, escafedeu-se? Volto ao meu pouso, hei de vencer!
 Faço toda travessia chego à minha poltrona amada, minha chata leitura, sento-me, respiro fundo, e o interfone toca, deixo-o tocar, e ele não para toca até quase explodir minha paciência de Jó. Desta vez vou bem devagar, assim como se estivesse com reumatismo, me vingando do interfone, ou do porteiro, chego até ele e demoro a pegá-lo, aí do outro lado escuto uma voz quase me insultando: -- Poxa, Dona Margarida, não escutas o interfone tocar? – Aqui, não tem nenhuma margarina, nem no jarro de flores—
--Uai! tem certeza? – Talvez!
Desligo o interfone, se tenho certeza? Que pergunta é esta? e começo a voltar por aquela via que não tinha pedras no caminho, mas interfone. E antes de chegar na poltrona, o interfone torna a tocar, volto e tiro-o do gancho, e bem alegrinha vou para minha poltroninha, supondo estar livre daquele indigesto trim, trim... Ai, tocam a campainha da porta, outro blim-blom, e fico pensando deve ser este livro o culpado de tudo, vingança, porque chamei-o de chato! Lá vou eu até a porta, é o porteiro novo.
_D. Margarida, o seu interfone está enguiçado?
--O meu, ou o da Dona Margarida? Ele pensa uns segundos e diz:  –O da Dona Margarida.
-- Só vais saber se fores perguntar a Dona Margarida. Olhou-me espantado por uns segundos e perguntou
_A senhora não é Dona Margarida? --Sinceramente, estou em dúvida, vou olhar-me no espelho, para saber, espere só uns minutos. O homem me olhando como se isto fosse normal. Encostei a porta, um segundo depois, abri de novo e respondi: Não eu não sou a Dona Margarida. (Me segurando para não gargalhar).
--E onde ela está? –Segurei meu queixo, para não desatar a rir, e como se estivesse pensando, respondi sabes que não sei, mas acho bom procura-la, lá na casa dela, que também não sei onde é, e fechei a porta. Fui até a área e coloquei o interfone no gancho, e foi só o tempo do porteiro chegar no posto dele e eu parar de rir, e ele tocou de novo. Atendi e do outro lado: -- Aqui é o porteiro é a Dona Margarida. Respondi: --É, ele em seguida me perguntou:  --Seu interfone está mudo? –Quase sem poder responder por estar tendo um ataque de rizo, disse NÃO, e desliguei e sentei no chão rindo de chorar...

 Este porteiro estava no cargo há duas semanas, segundo o síndico me falou, mas não permaneceu, não por minha causa, eu estava até rindo bastante com tanta tolice! Mas fez confusões mais sérias, e por mais que o ensinassem ele não aprendia e foi despedido. Perguntei ele sabia ler? Pois ele tinha a lista dos moradores com seus nomes o número de cada casa respectiva. Sim, foi a resposta, então devia ser outro tipo de problema.
Léah                                                                                                         Fim