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terça-feira, 21 de março de 2017

A MUDANÇA

desenho à Crayon sobre cartolina

Só faltam umas 10 caixas para destrinchar, nem mesmo quero ler o cartaz pregado em cada uma para saber o que contêm. Estou tentando ignorá-las, estão empilhadas num pequeno quarto para empregada, que não vou ter, e lá não pretendo entrar durante todo esse mês.
 Como sou alérgica a odores químicos, tive que esperar a tinta das paredes perderem todo aquele cheiro, e o da dedetização, troquei as janelas por estarem ruins, enquanto isso o eletricista foi para a casa ainda vazia, instalar lâmpadas, lustres, internet. Aí chegou a minha vez, casa iluminada só faltava limpar, vassouras, baldes, rodo, sabão. Mas, tenho sorte recebi ajuda de minha amiga Beth, minha ex-empregada, e marido nos lugares mais difíceis e serviço mais pesado, quem mandou ser o sexo forte, rzrzrz, coitadinho, ficou muito cansado, mas com boa vontade e feliz.
Chegou a mudança, ‘como não aguentávamos mais nem um gato pelo rabo’, demos gorjeta aos carregadores para armarem armários e pendurarem os da cozinha, colocarem nos lugares geladeira fogão, freezer e outras coisinhas e nossa amada caminha, eram homens com braços da largura de minha coxa, tudo para eles parecia leve.  
 Foram dias de verdadeira academia, empurra, puxa, dobra desdobra, desembrulha, abre caixas desarruma tudo que levei meses embrulhando, deixei tanta coisa pra trás como se junta tanta tralha durante a vida?   LOUCURA TOTAL!!!
À noite, a primeira na casa nova, tive que tomar um relaxante muscular, nossa refeição foi  pizza e coca cola, leite gelado, biscoitos, café, pois não tínhamos  pernas para andar a qualquer lugar que vendesse comida, o telefone foi meu garçom.
Meu ateliê arrumadinho, o escritório do Henrique e nosso quarto também, na cozinha falta ainda muita coisa para encontrar o lugar certo, o quarto dos filhos eles mesmos estão dando jeito, a sala agora é bem menor que a anterior, e estou amando.  As minhas filhotas caninas, não se cansam de cheirar, e transitar por todos os cômodos, atrás da casa nos fundos temos uma área de uns 5m x 6m fechada com uma mureta onde vou pendurar vasos de plantas, ali vai ser também o canil. Estou adorando esta fase de decorar, o que atrapalha é minha bendita coluna, que não coopera, e tenho que ir devagar.
O lugar é silencioso, e como sou meio fechada com relação a vizinhos, está tudo indo como gosto, livrei-me daquele ajudante que me enlouquecia, do sindico insuportável, e de uma casa gigantesca. Esta não é pequena, mas é menor e não tem um quintal de mais de mil metros.

Estou me sentindo livre, com tempo para pintar, ler, andar, sem todos aqueles encargos e gente para comandar, coisa que detesto, só gosto de mandar em mim mesma, enfim estou FELIZ, assim com todas as letras maiúsculas, MUITO, MUITO FELIZZZZZZ..

quarta-feira, 8 de março de 2017

Conselhos do Mar

sol,mar, e gaivotas- óleo sobre tela (pintado em 2016)

 Olhei mais uma vez tudo aquilo, as caixas empilhadas encostadas no canto da grande sala esperando o dia de serem levadas para outro lugar, outra moradia. De repente, me senti tão cansada, e uma nostalgia se apossou de mim. Fiquei analisando todos os momentos de entusiasmo, todos as ideias e criatividade para decorar aquela casa que agora ia deixando para trás, o sol se esgueirando em fragmentos por entre as copas das árvores, faziam desenhos no chão passando pela janela, era um bom tema para uma tela, que eu memorizei para um dia quem sabe pintar. Já era parte de meu ser ver paisagens, motivos e cenas, que ninguém via, acho eu, em todos os lugares e circunstâncias. Lembranças vinham e iam até minha mente dos 16 anos em que aqui vivi, senti saudades de alguns e alivio por outros, mas todos foram momentos nossos, foram parte de minha vida, de nossas vidas.
O dia da mudança para a nova casa estava marcado, e eu estava ficando angustiada não queria pensar no passo que demos pois foi tão pensado, estudado e discutido, que não cabia medos e duvidas, agora era pra valer, era um novo começo. Entrei no carro com a intenção de buscar o nosso almoço, meu e do Henrique, antes resolvi estacionar na praia e ter uma conversa com o mar. Lá estava o sol lançando seus raios sobre as ondas colorindo-as de amarelo, nunca vou deixar de ver temas em tudo que olho, mas não queria pensar em telas nem tintas, estava apreensiva, com medo. Sentei-me na areia morna, imaginei-me mergulhando naquelas águas profundas, sentindo as ondas me levando para um lugar de paz e silêncio, e uma enorme calma se apossou de mim, foi como num transe que serviu para me acalmar.
A sala já estava fora do alcance do sol, nos sentamos no balcão da cozinha e degustamos nosso almoço, comprado num self servisse, pois meu fogão estava embalado numa caixa. e só me restava um portátil de uma só boca para fazermos um café.
A paz e a confiança voltaram a reinar em meu coração, é bom conversar com o mar ele é um ótimo conselheiro, agora foi dado o sinal da partida.

 FIM                                                                                                                                                Léah

quarta-feira, 1 de março de 2017

O meu carnaval

casa da Beth na serra da cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro

Cansada de tanto andar a procura de uma casa ideal, sem conseguir meu intento, recebi um convite de minha amiga Beth para passarmos os dias de carnaval em sua casa na serra (uma gracinha, de tão linda), em Petrópolis, uma das cidades de serra do Rio de janeiro.
Aceitamos o convite. Demoramos uma hora de viagem de carro pois a estrada estava cheia e o trânsito lento, passamos por uma estradinha bem bucólica, e chegamos num condomínio florido.
Casa pequena aconchegante com lareira para as noites frias um vinho com canela, mas só que o frio não apareceu e ficamos com os refrescos e refrigerantes, saladas de frutas e sorvetes, saíamos para olhar o lugar, íamos até o centro da cidade lojas,  restaurantes, uns foliões aqui e ali, aí  comíamos por lá.  Nas noites, bem frescas,  alguns vizinhos se juntavam num salão de convivência do condomínio, alguém tocava violão, fizemos um caraoquê. contamos “causos”, piadas, rimos muito, novos amigos... Nos divertimos à valer foram dias de alegria, sem pensar nos problemas.
Meus filhos ficaram aqui em casa cuidando dos animais, aproveitando a piscina, se reunindo com os/as colegas, pois também não gostam de carnaval, o que me deixou bem tranquila, pois aqui neste condomínio parece um retiro não se escuta nem se vê nada de carnaval. Os blocos de carnavalescos acontecem na avenida à beira mar que fica a uns seis quarteirões de distância, aqui reina o silêncio.
Agora, fim de férias, fim do carnaval, com as energias, as esperanças e a fé renovadas começar tudo de novo a procura do novo.
Fim                                                           Léah




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

QUANDO MENOS É MAIS

Gigi quando bebe e depois bem depois, embrulhada como um presente

Hoje após muitas idas e vindas e de trocar de um incompetente corretor e já estar no terceiro, estou pronta para enlouquecer, ou aprender outro idioma aquele que os corretores falam o IDIOTÊS.  Se digo que quero uma casa com um pequeno jardim e uma garagem e me mostram casas com grandes quintais, piscina, sauna e garagem para 5 carros e arvores, chego a conclusão de que eles falam um idioma diferente do meu. Perco meu tempo, minha paciência, me canso indo e vindo, estou ficando mal educada, mal humorada, só não estou sendo ouvida ou entendida e atendida.
Qualquer dia mato um vou cometer um “ corretorcídio”,  a situação no país está dificílima,  a do Rio de Janeiro pior ainda, segundo as pesquisas viver na cidade do rio de janeiro, é mais caro, do que morar em Paris, mas não sou francesa, nunca fui a Paris, e apesar de arranhar o idioma, e achar as paisagens de lá  muito bonitas,  ainda quero viver no meu país, na cidade onde nasci e fui criada, será que estou pedindo muito? Quero trocar uma casa grande por uma menor, quero ter tempo para mim, ter mais descanso, menos espaço para administrar, precisar de menos pessoas para eu pagar, menos impostos,  se eu conseguir talvez então consiga visitar Paris.
Mas como mudar se as imobiliárias pensam grande e agem pequeno, é bem  assim: - “Vamos vender uma grande casa, por um preço alto, e ganharmos uma grande comissão, ao invés de mostrarmos e vendermos casas pequenas e ganharmos uma pequena comissão...-”  Aí não vendem nada, as grandes casas estão lá sem vender, tive a sorte de vender a minha e por isso também eles não compreendem como posso querer trocar mais por menos, mas para mim o menos é mais. Que Deus me ajude, amém!!
Fim                                                                                                                                               Léah


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DIÁRIO DE BORDO

estou de mudança- fotografia da Natasha (com 3 anos de idade, hoje em dia tem 11 anos)

Eis porque estou com o leme nas mãos  e não consigo resolver boreste ou bombordo!
resolver os problemas de minha vida familiar que simbolicamente é o barco onde estamos viajando, me vejo  na maioria das vezes tendo que regular o compensador deste barco para que ele não vá para um só lado e ainda diminuir a velocidade do mesmo.
Quando voltamos para nossa cidade após longo período de afastamento por força de trabalho do meu marido, já não tínhamos mais apartamento próprio e tivemos que optar por um alugado até resolver nossa direção, que eu achava definitiva enquanto vivesse.
Todos os apartamentos que procurava meu marido rejeitava sutilmente e acrescentando que seria melhor uma casa, mais independência, jardim pássaros, árvores... comecei então a busca de uma casa, sem pensar que jardins requerem cuidados, assim como árvores, espaços gramados, e esses cuidados requerem braços fortes, energia, empregados, paciência para tudo isso. Larguei o timão e deixei a ilusão e o amor comandarem o barco, comprei um terreno e começamos a construir nossa casa, nosso barco!!
Durante a navegação tentei várias vezes vender o barco, passar o leme para quem tivesse mais energia e menos sonhos, mas não consegui e prossegui vencendo as intempéries, os ventos fortes, e as calmarias. Fomos decorando o barco, acrescentando fieis marinheiras, (nossas cadelinhas e gatas), e ficamos felizes um tempo.
Mas, desisti, o cansaço cresceu, a energia encolheu assim como a paciência com pessoas que gostam de ganhar dinheiro sem esforço, e vendi o barco, preciso encontrar outro, que nos traga menos preocupações, aborrecimentos, e trabalho.
Vamos perder as sombras das árvores, o belo jardim, os mergulhos na piscina, mas ainda estarão por lá nossos animais que amamos, os pássaros certamente ainda os ouvirei, não precisarei ter empregados para tantos trabalhos, poderei comandar meu barco com mais leveza. Só preciso encontrar esse barco esteja ele a boreste ou a bombordo, içar as velas  e deixar o mar nos levar .

Fim                                                                                             Léah

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pausa nas telas

A margarida 2 desenho à crayon
Queridas amigas/os eu tenho que dar uma pausa nas pinturas e nas postagens vendi minha casa e estou com prazos curtos para a mudança e compra da nova.
Tenho sessenta dias por lei, para entregar a casa vendida ao seu novo dono, e como ele mora noutro país consegui que me  alugasse  por  mais um mês, minha ex-casa, rsrs! Parece piada, mas é fato e bom já que ele sai lucrando e eu ganho tempo para decidir qual casa escolher entre as que o corretor me mostrou.
Caixas cheias, gavetas vazias,  tudo empilhado, meu ateliê encaixado, uma loucura, uma canseira, só paro para comer, tomar banho e dormir, ah, esqueci suar, suar e suar, o calor está a 40 e tantos graus.
Estou feliz, aquele entra e sai de gente que na sua maioria quer só fazer turismo na casa das pessoas, já estava dando nos meus nervos. Foi preciso aparecer um gringo que veio por aqui nas olimpíadas e gostou do Rio, comprou minha casa  para passar férias, e ainda comentou que o Brasil está barato! Isso dói de ouvir, mas infelizmente é verdade, e está barato pra ele, para nós está caro.
 Vou tentar não me ausentar completamente, mas talvez fique restrita a comentar as postagens de vocês, já que não posso pintar. Espero que me desculpem por essa, mas vai passar rápido.
Obrigada pela compreensão e carinho de todos.

Beijinhos, Léah 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Involução

Casa da Beth= 30 x 25 óleo sobre tela
(doado a dona da casa)

Minha amiga Beth  há alguns anos atrás comprou uma casa bem pequena e antiguinha num  bairro próximo ao meu, na época ela ficou feliz e eu preocupada, mas torci por ela. Conheço  por experiência própria o que é lidar com pedreiros, e ela queria  aumentar a casa essa era sua intenção. Ela foi em frente com coragem e decisão. Contratou uma firma de construção  que a roubou e não terminou nada. Só derrubaram aqui e ali,  gastaram o dinheiro dela e sumiram .
Beth é mãe solteira de Rafael, meu querido afilhadinho, seu namorado é músico e nada entende de pregos, parafusos ou pedras, mas Beth corajosa começou a fazer um curso numa escola técnica, imaginem do que! De construtora (pedreira).  Agora ela estava  a cavaleiro para comandar os pedreiros e assim foi. Reformou a pequena casa que cresceu, decorou e ficou uma gracinha,
Estava muito feliz, até descobrir que um dos seus vizinhos era maconheiro, o do outro lado bêbado e o da frente adorava ligar o som na maior altura. Beth e seu namorado muito cuidadosos com a educação do menino ficaram preocupados, mas ela acreditou que tudo isso seria acertado desde que falasse com eles usando sua educação e diplomacia, ela ainda tinha fé no uso da razão, mas foram tantos os aborrecimentos que ela vendeu sua linda casa e foi para um apartamento no mesmo bairro, mas pesquisou bastante sobre os vizinhos  antes de compra-lo.

As vezes basta uma pessoa para estragar nossos sonhos, viver em comunidade  hoje em dia é bem difícil, as pessoas esqueceram seus limites, extrapolam como se fossem únicos no mundo e quem quiser que se dane, faz parte da involução do mundo.
 Léah

   (tela e crônica são de conhecimento e aprovação de Beth)